Competição entre mãe e filha é foco de novo texto de Célia Forte

Maria Lúcia Candeias, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Daniela Galli e Tânia Bondezan em "Ciranda"

Que o mito de Édipo é muito anterior à tragédia de Sófocles (sec.V A.C.) todo mundo sabe. Quem conhece o Livro Tibetano dos Mortos que, acredita-se, antecede a Cristo por quatro mil anos também o encontra lá, vindo de tradição oral. O complexo de Édipo está em todo lugar, até na maravilhosa peça Ciranda, de Célia Forte, recém estreada no Teatro Eva Hertz (em cartaz  de sexta a domingo).

O foco, no caso, é a competição entre mãe e filha, como quase sempre ocorre entre progenitores e filhos do mesmo sexo. Quando filho ou filha tem afinidade maior com progenitores do mesmo sexo deles, a rivalidade pode mudar a situação. Não é o caso de Ciranda.

Difícil não se identificar com a mãe (Tânia Bondezan), uma hippie, e não se lembrar de uma filha (Daniela Galli), mesmo que não seja tão perua quanto a personagem.

Na segunda parte, elas se transformam em uma mãe mais normal, e numa filha mais hippie do que a falecida avó.

As duas dão um verdadeiro show de interpretação o tempo todo, dirigidas com a competência de sempre de José Possi Neto.

Só esses acertos já seriam motivos para se apressar em assistir, mas há muitos mais. O cenário hippie traz paredes lotadas de fotos dos anos 1960 e 70, os figurinos são sensacionais (às vezes dá vontade de comprar um traje igual e não é à toa), pois tudo isso leva a assinatura de Fábio Namatame.

Conflito entre gerações marca "Ciranda"

A luz perfeita é do mais do que experiente Wagner Freire e o mesmo pode ser dito da trilha sonora, criada pela dupla Tunica e Aline Meyer.

Não perca tempo que o teatro é muito pequeno para tanto talento.

Confira galeria de fotos de Ciranda

Ficha Técnica:

Ciranda, de Célia Regina Forte

Direção: JOSÉ POSSI NETO

Elenco: TANIA BONDEZAN e DANIELA GALLI

Cenário e Figurino: FÁBIO NAMATAME

Iluminação: WAGNER FREIRE

Trilha Sonora: TUNICA TEIXEIRA e ALINE MEYER

Assistente de direção: EDUARDO SANTIAGO

Preparação Corporal: VIVIEN BUCKUP

Pintura de Adereços: ANTONIO OCELIO DE SÁ ALENCAR E JADY FORTE

Fotos: JOÃO CALDAS

Programação Visual: VICKA SUAREZ

Captação e Edição de Imagens: VALÉRIE MESQUITA

Assistente de Produção: JADY FORTE

Coordenação de Produção: EGBERTO SIMÕES

Produtora: SELMA MORENTE

CIRANDA

Teatro Eva Herz (166 lugares)

Avenida Paulista, 2.073 – Livraria Cultura / Conjunto Nacional

Informações: (11) 3170-4059 – www.teatroevaherz.com.br

Bilheteria: Terça a sábado, das 14h às 21h. Domingo, das 12h às 19h. Em feriado, sujeito à alteração. Aceita todos os cartões de crédito. Não aceita cheque.

Vendas pela internet: www.ingresso.com

Vendas por telefone: 4003-2330

Sextas e Sábados às 21h; Domingos às 18h

Ingressos: Sexta R$ 40; Sábado e Domingo R$ 50

Duração: 80 minutos

Classificação Etária: 12 anos

Gênero: Comédia dramática

Sessão Especial para convidados segunda-feira dia 18 às 21h.

Temporada: até 28 de agosto

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

3 Comentários
  1. Em “Ciranda” explodem emoções imperdíveis!!
    Uma mãe ‘bicho grilo” e uma filha ‘engomadinha” às voltas com acertos e desacertos de idéias e concepções, cada uma em sua ‘bossa’.
    O cenário e o figurino não poderiam ser mais ‘supimpas’!!

    “Podes crer”… espetáculo ‘da hora”!!
    Não dê moleza!

    Maior ‘curtição’! ‘Falou, bicho!’

  2. Adorei a peça! Tem crítica, humor ácido e muita emoção.
    É teatro de alto nível pelo: texto, direção,cenário, figurino, som e iluminação, trilha sonora… A produção foi cuidadosa em tudo. O programa gráfico é apresentado num formato e conteúdo da maior qualidade.
    E a atuação das atrizes? MARAVILHOSAS!!! Que banho de interpretação que elas dão!!!
    Ninguém pode perder.

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