“Contaminado pelo vírus da direção teatral”, Jô Soares volta em O Libertino

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (aplauso@gmail.com)

"O Libertino"

Um desejo compartilhado há tempos entre Jô Soares e Cássio Scapin, quando o primeiro entrevistou o segundo, concretiza-se hoje, no Teatro Cultura Artística do Itaim, com a estreia de O Libertino, de Eric-Emmanuel Schmitt, adaptação e direção de Jô Soares que soma mais de cinco direções teatrais, só na primeira década deste século, e considera estar “contaminado pelo vírus da direção teatral” desde  sua primeira empreitada na função, Frankesteins, em 2002.

Cássio Scapin dá vida ao filósofo, escritor e teatrólogo Denis Diderot (1713-1784), um dos idealizadores intelectuais da Revolução Francesa (1789), nesta comédia dramática que mescla fatos reais e fictícios para abordar o “drama da vida de Diderot: sua incontrolável paixão pelas mulheres”, segundo Jô Soares que recorda ser o personagem, o primeiro crítico de teatro profissional, embora a trama da peça, não fale, especificamente, de Diderot no teatro.

“Ele era padre, foi professor de teologia, mas é um imoral. E sofre, sofre com o que ele mais gosta e por causa do que ele mais gosta: das mulheres. E o melhor do espetáculo é que ela é muito engraçada”, adianta Jô Soares.

O enredo foca o período em que Diderot vai descansar num castelo da área rural francesa e recebe, então, a incumbência de escrever o verbete “Moral” para A Enciclopédia, obra em que se dedica anos a fio.

“Essa peça é baseada na vida do Diderot, mas é ficcional. Schmitt trabalha com o aspecto contraditório da personagem. Um filósofo que escreve o verbete ‘Moral’ para A Enciclopédia, por dinheiro, por sobrevivência. Então, há na peça sempre esse conflito: o que guia o Diderot? O pensamento dele? A razão ou o desejo? O que o move?”, adianta Cássio Scapin.0

Luiza Lemmertz interpreta uma menina de 17 anos, dona do quarto no castelo em que se passa a ação da peça.

“Ela é filha de um barão que acolhia todos esses intelectuais iluministas. Vejo minha personagem como uma entediada, que se renova quando está no meio desses intelectuais todos”, diz Luiza.

Já o ator Daniel Warren, que já trabalhou com Jô em ÀFCE, representa uma espécie de assessor de Diderot que o recorda, a todo momento, de suas obrigações.

“Ele é um discípulo do Diderot”, comenta Daniel.

Tânia Castello faz mulher de Diderot e tenta domar esse homem “tão galinha. A personagem cria a ideia de um casamento perfeito e tradicional e tenta salvá-lo”.

Também com 17 anos na peça, Erica Montanheiro faz a filha do Diderot. “Ela tem o papel de contestar o pai, de ser um espelho dele, confrontando-se com ele”.

Completa o elenco, a atriz Luciana Carnieli, dando vida a uma pintora que vai a esse castelo para fazer um retrato dele.

“Minha personagem, na verdade, é fictícia. Tenta seduzir Diderot, mas nunca consegue completar essa sedução. Eles sempre são interrompidos; é bem engraçado”, comenta.

Confira galeria de fotos de O Libertino

Ficha Técnica:

Autor –  Eric Emmanuel Schmitt

Tradução – Aline Meyer

Adaptação e direção geral – Jô Soares

Elenco: Cassio Scapin, Luciana Carnieli, Luiza Lemmertz, Tânia Casttello, Erica Montanheiro e Daniel Warren

Iluminação – Maneco Quinderé

Figurinos – Fabio Namatame

Cenários – Chris Aizner

Música Original : Eduardo Queiroz

Direção de Produção – Fernanda Signorini

Fotos: Jairo Goldflus

Programação Visual: Denise Bacelar

Realização Cassio Scapin e Fernanda Signorini

Patrocínio: MAN Latin America, fabricante dos caminhões e ônibus da marca Volkswagen, Telefônica e Correios

Ministério da Cultura

Projeto realizado com Apoio do Governo de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura – Programa de Ação Cultural de 2011

O LIBERTINO

Teatro Cultura Artística Itaim (303 lugares)

Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830 – Itaim
Televendas – 3258-3344  www.culturaartistica.com.br

Bilheteria: terça e quarta, das 15h às 19h. Quinta a domingo, das 15h até o início do espetáculo. Aceita cheque e todos os cartões de crédito e debito. Estacionamento conveniado no local, R$ 16.

Quinta e sábado às 21h. Sexta às 21h30. Domingo às 18h

Ingressos: Quinta R$ 40. Sexta e domingo R$ 50. Sábado R$ 60

Duração: 90 minutos

Recomendação: 16 anos

Estreia dia 13 de outubro

Temporada: até  27 de novembro

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.