Conto de Guimarães Rosa ganha adaptação para o teatro

Nanda Rovere, especial para o Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Peça é baseada em "Esses Lopes", do escritor mineiro

SÃO PAULO – O conto de Guimarães Rosa, publicado no livro Tutaméia, ganha no teatro o nome de Maria Miss. A estreia é dia 29 de maio, terça, às 21 horas, no Teatro Eva Hertz, mas hoje haverá estreia para convidados. A Adaptação é de Evill Rebouças e a direção de Yara de Novaes. No elenco estão Tania Casttello, como Maria Miss, Daniel Alvin e Cacá Amaral.  Cenários e figurinos de Márcio Medina, luz de Wagner Freire e produção da Mesa 2 Produções.

A estreia marca o 45º aniversário de morte de João Guimarães Rosa e celebra os 45 anos do lançamento do livro Tutaméia, obra na qual pela primeira vez o escritor dá voz às mulheres.

Esses Lopes foi uma das últimas obras publicadas de Guimarães Rosa e reúne 40 histórias curtas. Como todas as suas criações literárias, a obra fala do sertão mineiro, mas transcende o espaço geográfico por retratar um universo em que questões sociais, políticas, metafísicas e psicológicas se misturam. O neologismo, isto é, a criação ou recriação de palavras, também está presente.

A história se passa no sertão mineiro, nos anos 1960. Flausina é uma mulher subjugada, que desejava se chamar Maria Miss, e narra, por meio de lembranças, sua trajetória ao lado dos quatro irmãos Lopes, interpretados por Cacá Amaral e Daniel Alvin.

Maria Miss quando criança foi vendida para os irmãos Lopes, foi estuprada e teve três filhos. Apesar de ser tratada com desrespeito e ter sido colocada para tomar conta da casa, consegue se instruir ao aprender ler e escrever às escondidas. Impulsionada por desejo de liberdade, e sem piedade, assassina os irmãos e se afasta dos filhos. No final, encontra o amor, mas não consegue esquecer os momentos de sofrimento, nem se desligar das atrocidades que cometeu em nome da liberdade e da justiça.

Tania Casttello, idealizadora do projeto, ressalta que “o conto fala de uma mulher que transformou seu destino, como tantas brasileiras. E isso me encanta. Guimarães Rosa é um gênio da palavra, ainda muito pouco conhecido pelo povo”.

Tania Castello dá vida à Maria Miss

Uma personagem que tem a vida traçada pela violência física e moral, mas que é retratada com poesia por Guimarâes Rosa: A narrativa do autor possibilita, segundo Evill Rebouças, que assina a adaptação dramaturgica, infinitas leituras poéticas.

“O belo no conto de Guimarães Rosa é o modo como ele mostra o silêncio de uma mulher subjugada. Maria Miss sofre as piores atrocidades físicas e morais, mas no seu silêncio ela traça a liberdade”, comenta.

Para a diretora Yara de Novaes, o maior desafio foi transpor para o palco a trajetória da protagonista.

“A peça tem as características de um conto curto, mas precisamos mudar um pouco a linguagem porque o espetáculo começa muito pesado. A partir do momento em que a personagem começa a virar o jogo, vai adquirindo humor, alegria e um certo deboche até alcançarmos uma linguagem mais popular, mais leve”, explica.

O cenário de Marcio Medina foi inspirado na geografia mineira. Uma lona no chão remete o espectador a Minas Gerais, com chão batido de terra que lembra o tom avermelhado do sertão mineiro. Além disso, um sol construído de papel tyvek delimita a passagem de tempo. O figurino, por sua vez, foi criado a partir de fotos que retratam as vestimentas dos vaqueiros e jagunços.

Equipe:

Direção: Yara de Novaes.

Conto: Guimarães Rosa.

Adaptação:Evill Rebouças.

Elenco: Tania Casttello, Daniel Alvin e Cacá Amaral.

Cenografia e Figurinos: Márcio Medina.

Direção Musical: Rodrigo Mercadante.

Iluminação: Wagner Freire.

Direção de Produção: Mesa2 Produções Artísticas.

Serviço:

Maria Miss

Teatro Eva Herz da Livraria Cultura – Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2073, Metrô Consolação.Bilheteria: (11) 3170-4059. De segunda a sábado, das 14 às 21 horas e aos domingos e feriados, das 12 às 20 horas. Ingressos à venda pela Internet: www.teatroevaherz.com.br ou www.ingresso.com.br. Vendas/Call-center: 4003-2330. Compras pelo sistema da ingresso.com, funciona da seguinte maneira: Call-center: (adicional de 20%) Inteira: Os ingressos são retirados na bilheteria do próprio teatro. Formas de pagamento: dinheiro e todos os cartões de débito e crédito – não aceitam cheque.Classificação etária: a partir de 14 anos. Capacidade do teatro: 166 lugares.

Duração:: 75 minutos. Classificação indicativa: 14 anos.

Temporada: Terças e quartas às 21 horas.

Até 25 de julho.

Ingressos: R$30.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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