Contos japoneses ganham versão para o teatro

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

Espetáculo traz grande elenco, em mais de 30 personagens.
Espetáculo traz grande elenco, em mais de 30 personagens

SÃO PAULO – Depois de temporada de sucesso no Rio de Janeiro, O Desaparecimento do Elefante chega à capital paulista. A Direção é de  Monique Gardenberg e Michele Matalon.
Cenários de Daniela Thomas, iluminação de Maneco Quinderé e figurinos de Cláudia Kopke. Preparação corporal de Márcia Rubin. A estreia é sábado (30), às 21 horas, no Teatro Paulo Autran, Sesc Pinheiros.

A montagem é baseada na obra literária homônima, mas sem tradução para o português, de um dos principais nomes da literatura mundial contemporânea: o escritor japonês Haruki Murakami.

Em cena, nove atores se revezam em quase trinta personagens. O público terá a oportunidade de ver no palco profissionais que já trabalharam com Monique em dois espetáculos de sucesso:  Os Sete Afluentes do Rio Ota (Caco Ciocler e Maria Luisa Mendonça)  e Inverno da Luz Vermelha (Marjorie Estiano, André Frateschi e Rafael Primot).

Cinco contos de autor japonês são encenados
Cinco contos de autor japonês são encenados

Também estão em cena  artistas que trabalham com a diretora pela primeira vez: Clarissa Kiste, Fernanda de Freitas, Kiko Mascarenhas e Rodrigo Costa.   Segundo Monique, esses novos parceiros profissionais  reforçam o tom de comédia da peça.

“Transportar a literatura para o palco foi um desafio para mim e para Michelle. Para esse trabalho, precisávamos de um elenco não somente talentoso, mas que tivesse confiança para se jogar com a gente”, diz a diretora sobre a escolha do elenco.

São encenados cinco contos do autor japonês, com histórias independentes e  estilos diversos. Os textos têm caráter universal, na medida em que exploram a solidão e a estranheza do ser humano, com influências orientais, mas com um aguçado olhar ocidental.

A comédia costura todos os textos, ¨os quais  partem de cenas cotidianas para criar situações surreais, que beiram o nonsense, nas palavras da diretora Monique Gardenberg.

“São contos que têm em comum a falta de comunicação entre as pessoas e a solidão humana (que é muito atual)”, complementa Maria Luisa Mendonça.

Em O Pássaro de Cordasum homem desempregado sai para procurar o gato de estimação de sua esposa e encontra uma curiosa adolescente, que o leva a refletir sobre sua vida. 

O Comunicado do Canguru apresenta a história de um funcionário de uma loja de departamentos que se encanta pela escrita de um cliente.

Sono fala de uma mulher que não dorme por 17 dias e que, ao ler Ana Karenina, começa a misturar vida real e ficção.

Em O Segundo Ataque, jovens recém-casados assaltam uma lanchonete no meio da madrugada.

Por fim, O Desaparecimento do Elefante apresenta a trajetória de um rapaz, que, obcecado pela história de um elefante que desapareceu sem deixar vestígios, conta para uma jornalista a sua versão para o misterioso caso.

Parceiras em montagens como Inverno da Luz VermelhaMonique Gardenberg e Michele Matalon dividem a direção pela primeira vez, numa experiência que classificam como um exercício teatral mais livre, com espaço para o improviso e para a criação coletiva.

Monique cuida especialmente das interpretações e Michelle é responsável especialmente pela estética da montagem e pelo acabamento das cenas.¨

As diretoras acalentam o sonho de encenar O Desaparecimento do Elefante há um bom tempo, desde a época em que Monique assinava a direção de Os Sete Afluentes do Rio Ota, que tinha elementos da cultura japonesa, e entrou em contato com a obra de Murakami.

Foi preciso muita persistência para que o autor permitisse a montagem, já que demorou cinco anos para aprovar e liberar a adaptação de seus contos para os palcos brasileiros.

Monique Gardenberg ressalta a maestria dos textos de Murakami, que falam aparentemente de pessoas comuns, mas que, aos poucos, se revelam tipos solitários e misteriosos.

Na sua opinião, Murakami tem uma escrita fascinante, contemporânea e próxima de nossa realidade: ¨O autor comenta o mundo pragmático e, como tudo hoje em dia, se transforma em marketing”, destaca.

Monique também salienta que o autor não conclui as suas histórias e por esse motivo elas se tornam intrigantes. ¨Quem as completa é o público, através da sua emoção¨, diz.

“Como os contos não oferecem subsídios suficientes para nutrir a direção e os atores na criação dos personagens, a peça é concebida a partir de uma interpretação muito particular da equipe sobre o caráter surrealista de Marakami”, informa a diretora sobre o processo de criação das cenas.

São mais de duas horas de apresentação, mas o elenco afirma que está satisfeito com o resultado, destacando que a montagem é dinâmica e divertida.

Segundo André Frateschi, a montagem é muito agradável e a química entre os atores é muito boa, tanto no palco quanto na coxia. ¨O Murakami tem a comédia e um tom insólito que instiga o ator em cena¨, afirma o ator sobre o processo de trabalho.

¨É envolvente porque são duas horas de espetáculo e muitas coisas acontecem nesse tempo¨, complementa.

Elementos japoneses aparecem no cenário  de Daniela Thomas, que é composto por superfícies translúcidas, as quais  recebem  projeções e filmes que complementam a narrativa.

Os figurinos têm inspiração na exuberância cromática do animês (desenho animado japonês) e traduzem, assim como a trilha sonora, o  espírito de estranheza que permeia o cotidiano dos personagens.

 

Sobre  Haruki Murakami

Nascido em Kyoto (Japão) em 1949, Haruki Murakami alcançou um status raro no mundo literário, equilibrando popularidade e prestígio. Traduzido em dezenas de idiomas, livros como Do que eu falo quando falo de corridaApós o Anoitecer e Kafka à Beira-Mar conquistaram milhares de fãs ao redor do mundo.  Seu último romance, o calhamaço 1Q84 – com três volumes e mais de mil páginas – vendeu um milhão de exemplares no Japão no mês de seu lançamento.

 

A montagem, conto a conto:

 

O PÁSSARO DE CORDAS

Homem desempregado (Caco Ciocler) sai para procurar o gato de estimação de sua esposa autoritária (Maria Luisa Mendonça), após receber uma série de ligações misteriosas (Marjorie Estiano). No caminho, encontra uma curiosa adolescente (Fernanda de Freitas), que o leva a refletir sobre sua vida.

O COMUNICADO DO CANGURU

Encarregado de responder cartas de reclamações dos consumidores, o funcionário de uma loja de departamentos (Kiko Mascarenhas) se encanta pela escrita de um cliente.

SONO

Mulher (Maria Luisa Mendonça) deixa de dormir por 17 dias sem que seu marido (André Frateschi) ou filho (Rodrigo Costa) percebam o que se passa. Em suas noites insones, ela lê Ana Karenina, até que ficção e vida real começam a se embaralhar.

O SEGUNDO ATAQUE

Recém-casados e mortos de fome, um jovem casal (Caco Ciocler e Marjorie Estiano) resolve assaltar uma lanchonete no meio da madrugada para quebrar uma maldição.

O DESAPARECIMENTO DO ELEFANTE

Obcecado pela história de um elefante que desapareceu sem deixar vestígios, rapaz (Rafael Primot) conta para uma jornalista (Fernanda de Freitas) sua intrigante versão para o misterioso caso, contrariando a versão oficial reportada pelos âncoras de um telejornal (Kiko Mascarenhas e Clarissa Kiste).

Ficha técnica:

Texto –  Haruki Murakami

 

Direção – Monique Gardenberg e Michele Matalon

 

Tradução Sérgio Maciel

 

Adaptação e Trilha Sonora Monique Gardenberg

 

Elenco:

André Frateschi

Caco Ciocler

Clarissa Kiste

Fernanda de Freitas

Kiko Mascarenhas

Maria Luisa Mendonça

Marjorie Estiano

Rafael Primot

Rodrigo Costa

 

Cenografia Daniela Thomas e Camila Schmidt


Figurino Claudia Kopke


Iluminação Maneco Quinderé

 


Visagismo Juliana Mendes e Luiz de Luca


Direção de Movimento Marcia Rubin


Imagens Henrique Martins e Frederico Machuca


Fotos André Gardenberg

 

Filmagem Floresta Dudu Miranda


Filmagem Piscina e Cavalo Grima Grimaldi


Ilha de Edição Afinal Filmes


Assistentes de Direção Isabel Nessimiam (RJ), Gabriel Bortolini (SP)


Coach de língua e cultura japonesa Letícia Kushida


Programação Visual XYZ

Produção Executiva e Administração Gabriel Bortolini

Diretora de Produção Bianca De Felippes

Coprodução OZ


Produção Gávea Filmes

 

Em São Paulo:

Administração Roberta Koyama

Produção Executiva Egberto Simões

Direção de Produção Selma Morente e Célia Forte

Produção Morente Forte Produções Teatrais

Apoio Centro de Cultura Judaica

Patrocínio África

Realização SESC SP

 

Serviço:

O Desaparecimento do Elefante

Teatro Paulo Autran – Sesc Pinheiros (1010 lugares)

Rua Paes Leme, 195 – Tel. 3095.9400

Bilheteria: Terça a sexta, das 10h00 às 21h30. Sábados, das 10h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h30. Aceita cheque e todos os cartões de crédito e débito. Os ingressos podem ser adquiridos em toda a Rede SESC SP. Estacionamento com manobrista –  R$ 6,00

Ingressos a venda a partir de 1º de março

Sexta às 21h00 | Sábado às 20h00 | Domingo às 18h00

Ingressos: R$ 32,00  –  R$ 16,00 (usuário matriculado, a partir de 60 anos e estudantes com carteirinha)  –  R$ 8,00 (trabalhador no comércio e serviços, matriculado, e dependentes)

Duração: 135 minutos

Recomendação: 12 anos

Estreia dia 30 de março de 2013

Curta Temporada: até 05 de maio de 2013

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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