CRÍTICA: A IRREVERÊNCIA DOS MAMONAS ASSASSINAS NO PALCO

Kyra do Aplauso Brasil  (kyra@aplausobrasil.com.br)

"O Musical Mamonas", em cartaz no Raul Cortez, em São Paulo. Foto: divulgação
“O Musical Mamonas”, em cartaz no Teatro Raul Cortez, em São Paulo. Foto: divulgação

SÃO PAULO – Escrito por Walter Daguerre e dirigido por José Possi Neto, O Musical Mamonas cumpre o que prometeu quando foi anunciado. Não é um espetáculo cover, ainda que o interprete do vocalista Dinho (Ruy Brissac) seja igual ao ídolo que representa. Em cartaz no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, tem o mérito de sair do comum ao usar da irreverência dos cinco meninos para brincar com o teatro e o próprio gênero assistido no palco.

A morte trágica que marcou o país, em 1996, não é tratada, por exemplo. A história da banda foi transformada em uma narrativa de superação, que inspira gerações, numa grande homenagem, na qual a tristeza não tem lugar. O público acompanha os Mamonas Assassinas desde as influências, a banda Utopia e ao sucesso que todos conhecem.  No início do espetáculo, aparecem as bases dos cinco músicos,  marcas dos anos 1990, como Titãs, Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii e Guns’n Roses.

O Musical Mamonas é um espetáculo para fãs, promete levar ao teatro pessoas de todas as idades e, provavelmente, agrade até aos críticos do gênero que não gostam do cantarolado em cada palavra. O musical carrega o escracho do grupo que foi composto por Bento, Dinho, Júlio, Samuel e Sergio.

Os melhores momentos de O Musical Mamonas são uma passagem do grupo em um programa do apresentador Jô Soares e a disputa aos domingos por audiência, quando Gugu Liberato e Faustão usavam o grupo em longas aparições.

Os atores Ruy Brissac (Dinho), Yudi Tamashiro (Bento), Adriano Tunes (Júlio), Elcio Bonzzi (Samuel) e Artur Lenzura (Sérgio) usam e abusam do palco com as coreografias de Vanessa Guillen. Aliás, a equipe, incluindo a direção de Miguel Briamonte, conseguiu dar liberdade para os improvisos e para o melhor estilo Mamonas Assassinas. Os atores cantam e dançam, quanto uma banda toma conta do som, ao vivo.

O cenário é a parte mais fraca da montagem. Talvez, pelas quantidades de locações que englobam a história passar isso para o palco tenha sido difícil. Os figurinos de Fabio Namatame nos faz voltar aos anos 90 e às roupas divertidas usadas pelo grupo.

O Musical Mamonas tem a ingenuidade e a coragem do quinteto, traz alguns elementos dos tão na moda musicais biográficos e promete fazer fãs chorarem e, quiçá, pensar na caretice que estamos enfiados.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!