Crítica: A sagração do erotismo verbal

Michel Fernandes, do Aplauso Brasil (michel@aplausobrasil.com.br)

"Como Água Que Sobre a Água Corresse"
“Como Água Que Sobre a Água Corresse”

SÃO PAULO – Aos que são capazes de conferir às palavras sua real dimensão sagrada, aos que vão além do significado mais raso e leem o erotismo impresso na poesia sufi como o caminho para o êxtase, aos que desejam apreciar um espetáculo em que a atriz divide palavras com seu público feito amiga íntima que reparte histórias, a esses, recomendo dirigir-se à Estação Cultural 574 para assistir Como Água Que Sobre a Água Corresse.

Concebido na fôrma da poesia, o solo de Silvia Suzy, delicadamente dirigido por Arthur Miranda, tem dramaturgia, assinada pela própria atriz, a desafiar os limites entre literatura e teatro, assim, obras como As Mil e Uma Noite e O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago, entre textos de autores como Muhammad ibn Muhammad al-Nafzawi e Isabel Allende, são costurados pela capacidade extraordinária de debulhar brilhantes ao contar histórias forjadas com palavras de alto valor poético.

O espaço cênico criado por Biratan Nogueira dá o toque encantatório ao espetáculo, trazendo cortinas de tecido bem leve e transparente que formam um ambiente mágico e sensual, onde a sutileza no que é revelado, sobretudo na cena em que Maria de Magdala narra seu encontro com Jesus, resulta na mais doce poesia.

Certamente, a atriz Silvia Suzy deu pinceladas inesquecíveis que celebraram e dialogam com a literatura preciosa de José Saramago em O Evangelho Segundo Jesus Cristo.

O figurino criado por Daniel Infantini e o desenho de luz assinado por Denilson Marques também são destaque no conjunto  do belo Como Água Que Sobre a Água Corresse.

Ficha Técnica:

 Direção: Arthur Miranda

Atriz: Silvia Suzy

Construção Dramatúrgica: Silvia Suzy

Assistência de direção: Leticia Bortoletto

Preparação corporal: Leticia Bortoletto

Preparação vocal: Alice Juguero

Cenário: Biratan Nogueira

Figurino: Daniel Infantini

Design de Luz: Denilson Marques

Fotografia: Robson Kumodi

Música da cena: Silvia Suzy e Arthur Miranda

Produção: Intuisom Comidinhas da Alma

 

Serviço:

Monólogo Como água que sobre a água corresse

Gênero: Contos livremente adaptados de obras literárias clássicas

Onde: Teatro Estação Cultural 574, rua Rui Barbosa, 574 Bela Vista – São Paulo – SP, tel. (11) 4563-0515

Quando: De 27/04 a 01/07 Sáb. as 21:00, dom. 19:00 e seg. 20:00

Quanto: R$ 40,00 inteira – R$ 20,00 meia

Capacidade do espaço: 30 lugares, ar-condicionado, café, bistrô, estacionamento conveniado

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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