CRÍTICA: ‘AMOREXIA’ PROVA QUE QUALQUER ESPAÇO PODE SER UM TEATRO

 Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com)*

"AmorexiA", em cena a atriz Marcelina Fialho e os atores Marvhem HD e Thadeu Peronne. Foto David D'Visant
“AmorexiA”, em cena a atriz Marcelina Fialho e os atores Marvhem HD e Thadeu Peronne. Foto David D’Visant

 CURITIBA – AmorexiA já fez três temporadas na cidade de Curitiba e todas elas em teatros convencionais: estreou no Sesi Portão e teve duas vezes em cartaz no Guairinha. O espetáculo criado e dirigido por Thadeu Peronne pretendia criar um ambiente de cabaret, mas foi no Fringe, mostra paralela do Festival de Curitiba, que encontrou um cabaret real ao ocupar o Jokers Pub Café e transformar o espaço em um teatro, com direito a um cenário que se estende ao da peça.

Ainda que Thadeu Peronne, que também atua no espetáculo, queira se afastar da realidade, é difícil imaginar o espetáculo tão bem ambientado. A Decoração do local remete aos cabarés e para ajudar no clima, Peronne deu um toque no ambiente com bonecas vestidas a caráter, por exemplo.

A ideia de usar o espaço para fazer um teatro é por si só uma representação do que é o Festival de Curitiba: um período em que a cidade e tudo que a habita respira arte. E nada mais justo do que dar aos curitibanos também esse espaço.

AmorexiA reúne quatro textos curtos e contemporâneos de Douglas Daronco: Desejo, Da Natureza dos Peixes, Ferida e Às Cegas. Os textos tratam do universo das relações inconfessáveis do amor e da sociedade. Longe da realidade e dialogando diretamente com o surrealismo do subconsciente, quebrando a barreira entre os gêneros e desmistificando a nossa racionalidade.

São histórias tiradas debaixo do pano, entre a alegria disfarçada e a tragédia – como num cabaré. O soturno aparece nos figurinos pretos e sensuais – também decadentes a mesma medida. A luz corrobora com o clima de AmorexiA. Uma dualidade que aparece a todo momento. O cenário – uma grande roleta da sorte, que gira e transforma os personagens é a prova de que a sorte e o azar estão lançados.

Os atores que trabalham com Peronne são explorados com o seu melhor. Marvhem HD canta as canções de cabarés brasileiros e Marcelina Fialho usa a potencialidade da dramaticidade em cena. Todos os três constroem cenas trágicas, com a música e dança. O espetáculo faz transitar do riso ao horror num espaço pequeno – e é esse o grande mérito. Uma história para que todos reflitam os seus desejos inconfessáveis no universo da fantasia. De certa forma, estamos todos lá: os abusados, os abusadores, os que sofrem e fazem sofrer… e nem sempre essa linha entre uns e outros pode ser separada.

SERVIÇO :

FICHA TÉCNICA DO ESPETÁCULO

Direção, Concepção Artística: Thadeu Peronne

Textos de Douglas Daronco
Elenco: Marvhem Hardware, Marcelina Fialho e Thadeu Peronne
Assistente de Direção: Marvhem Hadware
Preparação Corporal e Coreografias: Inês Drumond
Criação de Sonoplastia: Ricardo Janotto
Cenário: Aorelio Domingues
Figurinos: Paulinho Maia
Maquiagem: Marcelino de Miranda
Iluminação: Rodrigo Ziolkowski

Operação de Sonoplastia: Flavio Ribeiro.
Produção e Divulgação: Thadeu Peronne
Arte do Material Gráfico: Márcia Széliga

Designer: Axel Guller
Contra-regra: Jorny Wall

Fotógrafo oficial: David D’Visant
AmorexiA

Teatro : Jokers Pub Café

Rua São Francisco, 164 Centro de Curitiba

Data: Dias 25 e 26 de março às 21:00 h

Horários: Sexta e sábado 21:00 h

Ingressos RS 40,00  Inteira e RS 20,00 Meia  Classificação: 14 anos

INGRESSOS No site do Festival

http://festivaldecuritiba.com.br/evento/amorexia-tragicomedia-musical-num-cabare/

Nas bilheterias localizadas nos Shoppings Mueller, Palladium, Park Shopping Barigui ou Pátio Batl Ou ainda no dia no próprio Jokers

Acesse o site do Festival: http://festivaldecuritiba.com.br/mostra-2016/

 

*Kyra Piscitelli viajou a convite do Festival de Teatro de Curitiba. 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!