Crítica: Billdog traz peça no estilo em quadrinhos para o CIT-ECUM

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com)

Gustavo Rodrigues e Marcio Tinoco. Foto de Marcelo Faustini
Gustavo Rodrigues e Marcio Tinoco. Foto de Marcelo Faustini

SÃO PAULO – O público paulista tem a chance única de ver um ator faz-tudo e um ótimo músico no palco. Não me espante, que Billdog tenha feito uma grande temporada no Rio de JaneiroO ator Gustavo Rodrigues e o músico Márcio Tinoco dão um verdadeiro show em cena. Sem cenário, sem artefatos, só uma simples luz dramática, e a música tocada na hora.

Gustavo faz 38 personagens, e ainda consegue sonorizar qualquer ação com o próprio corpo (das batidas do coração, ao barulho de uma moto que dá partida).

Todo esse clima de vários personagens, vozes e sotaques caricatos, aliados à expressão corporal e as imitações de sons feitas pelo ator criam uma atmosfera de quadrinhos para o palco. Arrisco-me, inclusive, a dizer que a ajuda que o ator dá na trilha sonora parecem onomatopeias faladas.

Para completar o rock feito pelo músico Márcio Tinoco envolve o público e ajuda a diferenciar os tantos personagens em cena.

Mas, o melhor é o enredo. O herói da história, como em um bom quadrinho, parece invencível. E ele não é tão herói assim – pelo menos no sentido clássico. É uma história sem “bonzinhos” protagonistas. A disputa é pelo trono dos “mercenários.

Isso mesmo: Billdog é um mercenário – e com muito talento para mulheres, para os jogo e o trabalho que escolheu.

Na história, Billdog é surpreendido com ameaças de morte vindas de alguém que nunca ouviu falar. Seu objetivo? É matar antes de ser morto. Assim se enrola essa comédia com cara de quadrinhos.

Até o final, lembra o de uma história em quadrinhos, já que chama para um “segundo capítulo” com mais romance, suspense, e novidades….

O estrangeirismo da peça, que vem de Londres, não causa estranheza. Pelo contrário ajuda no toque de humor e no tom do espetáculo. Inclusive, o autor da peça Joe Bone – que também atuou na montagem original – assina a direção ao lado de Guilherme Leme.

Nota IMPORTANTE sobre o dia em que eu assisti Billdog
Na quinta (24/04), uma manifestação nos arredores do CIT-ECUM (que fica na Rua da Consolação) parou o centro. Chegar ou ir de carro, ou ônibus no teatro era bem difícil. Esse foi o dia que escolhi para ver Billdog.

O espetáculo está em cartaz as quartas e quintas, às 21h.

Eu fui a pé da estação do metrô Consolação, mas para quem quiser um dica a estação Paulista é ainda mais perto – rapidinho.

Cheguei às 20h20 e fui a primeira a chegar. Isso me preocupou. Eu vi o trânsito. Enfim, fui comer e chegaram mais quatro pessoas. O teatro resolveu atrasar a peça. Mas ninguém chegou. A peça começou. Na plateia cinco pessoas.

Dizem que um bom ator é aquele que oferece o mesmo espetáculo para uma plateia de 100 ou de um. E aí está a questão: com todas essas adversidades tanto o teatro quanto o ator Gustavo Rodrigues e o músico Márcio Tinoco tiveram postura exemplar. Mantiveram a sessão e fizeram o seu melhor. São donos do placo, com merecimento.

Então, seguem duas dicas: a primeira é que em uma cidade caótica como São Paulo, andar – muitas vezes – pode ser o melhor caminho e a segunda é, que tal curtir um bom espetáculo na quarta ou quinta à noite?

Veja vídeo de apresentação de Billdog.

FICHA TÉCNICA

Texto e Concepção: Joe Bone

Direção: Joe Bone e Guilherme Leme

Adaptação e Tradução: Gustavo Rodrigues

Elenco: Gustavo Rodrigues (Ator) e Márcio Tinoco (Músico)

Iluminação: Wilson Reiz

Trilha Sonora Original e Assistência de Direção: Ben Roe

Adaptação de Trilha Sonora Original: Márcio Tinoco

Figurino: Paulo Barbosa

Fotos: Marcelo Faustini

Direção de Arte Gráfica: Siron Franco

Programação Visual: Marcus Clausen

Assessora de imprensa: Alessandra Costa

Produção Executiva: Monique Franco e Augusto Zacchi

Coordenação de Produção: Hermes Frederico

Realização: Gustavo Rodrigues (Procenium Produções Artísticas Ltda)

Serviços

Estreia: 23 de Abril

Temporada: Até 29 de Maio

Classificação: 14 anos

Duração: 65 minutos

Lotação: 80 lugares / sala 02

Gênero: Comédia

Horário: Quartas e quintas as 21h

Valores: R$40,00 inteira e R$20,00 meia

Local: CIT- ECUM

Bilheteria: (11) 3255-5922

Pagamento: Dinheiro, crédito e débito

Endereço: Rua da Consolação, 1623

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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