Crítica: Dá saudade até do trânsito paulista

Maria Lúcia Candeias, para o Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br )

"Dançando em Lúnassa"
“Dançando em Lúnassa”

SÃO PAULO – É incrível, mas aconteceu comigo. Fui ao teatro assistir Dançando em Lunassa, peça escrita pelo irlandês Brian Friel, no Viga Espaço Cênico, que se passa em 1936, nos tempos da invenção do rádio, e senti saudades até do trânsito de São Paulo.

Texto extremamente inteligente que focaliza uma casa, onde moram cinco mulheres, interpretadas com o talento de sempre por Clara Carvalho e Denise Weinberg, Fernanda Viacava, Isadora Ferrite e Sandra Corveloni. Com um grupo desses, é claro, conseguem prender totalmente a atenção da plateia que, através delas, se confronta com as dificuldades de uma vida sem grandes avanços da civilização e das tecnologias, onde tudo poderia ser calmo, mas não é. Não é pelo fato das coisas serem mais lentas que as pessoas ficam mais tranquilas, como tendemos a acreditar.

Os atores que têm permanência menor em cena, pois moram em outras cidades, também são excelentes: Bruno Perillo, Gustavo Trestini e Renato Caldas.

O autor, Brian Friel de O Fantástico Reparador de Feridas que está em cartaz no CIT Ecum, recebeu influência de Anton P. Tchekhov, assim como Beckett, mas felizmente não é tão pessimista quanto seu conterrâneo. Há alguns momentos até risíveis. Esse tom mais divertido, que torna a peça mais leve, parece qualidade do autor, mas também é do diretor, Domingos Nunez, em grande parte devido ao ritmo rapidamente concatenado que ele impôs ao espetáculo, destacando leveza.

O mesmo pode ser dito do cenário e dos figurinos, (Telumi Hellen e Paula de Paoli) da iluiminação (Akini Santini) e da trilha (Eliseu Paranhos e Vinicius Davidovitch), adequados e de ótimo gosto.

"Dançando em Lúnassa"
“Dançando em Lúnassa”

Quem gosta de teatro bem feito, mesmo que pouco romântico, não deve perder.

FICHA TÉCNICA

 

AUTOR: Brian Friel

TRADUÇÃO E DIREÇÃO: Domingos Nunez

PRODUÇÃO: Beatriz Kopschitz Bastos e Rosalie Rahal Haddad

DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Julio Cesar Pompeo

CENOGRAFIA E FIGURINOS: Telumi Hellen e Paula De Paoli

DIREÇÃO e CRIAÇÃO MUSICAL: Eliseu Paranhos

CRIAÇÃO MUSICAL: Vinicius Davidovitch

ELENCO: Denise Weinberg, Sandra Corveloni, Clara Carvalho, Fernanda Viacava, Isadora Ferrite, Gustavo Trestini, Renato Caldas e Bruno Perillo.

ILUMINAÇÃO: Aline Santini

PRODUÇÃO EXECUTIVA: Cristiana Gimenes

ASSESSORIA DE IMPRENSA: Fabio Camara

PREPARAÇÃO CORPORAL: Neide Neves

FOTOS: João Caldas

 

SERVIÇO:

 

LOCAL: Viga Espaço Cênico (Rua Capote Valente, 123 – Sumaré), 80 lugares. Acesso para cadeirantes.

DATA: 22/06 até 19/08 (Sexta e Sábado 21h e Domingo 19h)

INGRESSOS: R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada)

INFORMAÇÕES: 3801 1843

DURAÇÃO: 110 minutos

CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

 

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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