Crítica: Débora Duboc mantem seu alto padrão de intérprete em Jocasta

Afonso Gentil, para o Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com)

Débora Duboc é "Jocasta"
Débora Duboc é “Jocasta”

SÃO PAULO – É  sempre um prazer assistir a um trabalho da  atriz Débora Duboc, não tão assídua quanto gostaríamos. Embora essa quase condição de bissexta, Duboc nunca deixa de corresponder com protagonistas densas ou de deliciosas  estripulias  amorosas ao estilo  dialético de Pirandello. Agora, na pele de uma redescoberta Jocasta, a mãe-esposa de Édipo , atriz e autor/ diretor (Elias Andreato) renovam o mito até as raias da intimidade, remetendo-o ao feminismo dos nossos tempos.

Jocasta, na peça Édipo Rei, de Sófocles, tem rápida passagem pela cena, mais ao final, já tomada pela perplexidade que lhe havia reservado um  oráculo implacável, a caminho do suicídio.

Nas mãos do autor, o contexto é o mesmo.  Revelam-se, com todos os desdobramentos, as aspirações pela realização carnal e pela maternidade, que sòmente esse desventurado marido-filho, Édipo,lhe satisfaria.

É, porém, com “delicadeza minimalista” que a atriz caminha pelo pantanoso terreno, mantendo a personagem no rol dos respeitosos  perfis da nobreza daquele Grécia mítica dos deuses.

Dona de requisitos técnicos para tal empreitada, Débora Duboc nos presenteia com impecável dicção, pouco comum entre essa “garotada” que irrita pela embolação das falas; prima pela consciência de sua  elegante silhueta em cena, que ela explora com astúcia feminina e natural simplicidade; e, o mais importante, recheando o quadro com “visceral paixão”, aquela referida pelo crítico deste Aplauso Brasil, Michel Fernandes, em crítica publicada em 11 de novembro.  

Débora Duboc é "Jocasta"
Débora Duboc é “Jocasta”

Brinda-nos, Débora Duboc, com outra atuação de elevado padrão cênico.

A direção de Elias Andreato, que está “à toda” ultimamente,  é competente, assim como a feitura revirada do mito.

Gente competente (Fábio Namatame, Wagner Freire e Fause Haten) respectivamente no espaço cênico, luz e figurino, garante a qualidade da encenação, de belo visual.

Serviço:

JOCASTA /Teatro Eva Herz- Livraria Cultura – Conjunto Nacional/ Avenida Paulista, 2073 – Metrô Consolação / fone 3170-4059 / 3ª e 4ª. feira às 21 horas/ 60 minutos /

14 anos / R$ 40,00 (inteira) / ATÉ 11 DE DEZEMBRO

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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