CRÍTICA: FRIDA Y DIEGO CHEGA À CAPITAL CARIOCA

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (Nanda@aplausobrasil.com.br)

FRIDA Y DIEGO
FRIDA Y DIEGO

RIO DE JANEIRO – Depois de temporada com casa cheia em São Paulo, Frida Y Diego chega ao Rio de Janeiro, no Teatro Maison de France, a partir de quinta (8), às 20h. O texto inédito de Maria Adelaide Amaral mostra a conturbada convivência entre o casal de artistas plásticos mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera. Leona Cavalli e José Rubens Chachá vivem os protagonistas. A direção é de Eduardo Figueiredo.

O texto de Maria Adelaide Amaral consegue apresentar os conflitos pessoais dos artistas e, ao mesmo tempo, fazer um retrato da sociedade da época e da importância de Frida e Rivera para a história das artes.

O espetáculo se passa entre o período de 1929 a1953, no México, França e Estados Unidos, onde o casal viveu e trabalhou. 

O centro da trama está no reencontro dos dois artistas depois de uma traumática separação, numa fase em que Frida já estava bastante fragilizada.

FRIDA Y DIEGO
FRIDA Y DIEGO

A história não é apresentada de forma cronológica. A peça retrocede no tempo e mostra momentos significativos da vida e personalidade dos artistas.

O objetivo é reforçar a intensidade dos laços entre Frida e Rivera, que vivem um relacionamento aberto e complexo, mas também estabelecem uma tocante cumplicidade, principalmente nos últimos anos de vida de Frida.

É um artifício que não compromete o entendimento das cenas, mas em alguns momentos a vida do casal é mostrada de maneira mais completa; em outros, os fatos são somente narrados.

 

A direção de Eduardo Figueiredo privilegia a dramaturgia e está focada nas interpretações dos atores.

Leona Cavalli estabelece com Chachá uma boa química. A atriz traz em cena o espírito inquieto e a alma libertadora de Frida. Transmite o quanto a artista sofreu com os seus problemas físicos e a sua instabilidade emocional devido às fortes dores, abortos e decepções.

Segundo Figueiredo, a presença de músicos em cena é fundamental para reforçar a passionalidade da relação dos artistas e ilustra o espírito festivo de Rivera.

Essa opção da direção também serve para delimitar a passagem dos anos e para que os diálogos fiquem menos pesados, sobretudo devido ao desespero de Frida diante de suas dores.

Os adereços e o figurino de Márcio Vinícius chamam a atenção. Além de bonitos, o colorido das peças realça o universo criativo de Frida.

 

O cenário é sóbrio para receber projeções de quadros significativos dos dois artistas em suas diversas fases de vida. Uma idéia interessante, mas que durante a temporada no Teatro Raul Cortez, em São Paulo, ficou um pouco comprometida devido às imagens não estarem nítidas, pelo menos para quem estava sentado nas primeiras fileiras.

 

A temporada carioca de Frida Y Diego certamente será bem recepcionada por quem se interessa pelas obras desses grandes artistas mexicanos.

 

Neste sentido, a montagem tem o mérito de colocar em cena a trajetória de personalidades de suma importância para a arte mundial, através de um texto assinado por uma das autoras mais talentosas do nosso teatro e TV.

Ficha Técnica:

Texto: Maria Adelaide Amaral.

Direção: Eduardo Figueiredo.

Elenco: Leona Cavalli e José Rubens Chácha.

Direção musical e trilha: Guga Stroeter e Matias Capovilla.

Músicos convidados: Músicos: Wilson Feitosa (acordeom) e Mauro Domenech (baixo acústico).

Direção de arte – cenografia, figurinos e adereços: Marcio Vinicius.

Visagismo: Anderson Bueno.

Desenho de luz: Guilherme Bonfanti.

Assistência de direção: Alex Bartelli.

Direção de movimento: Renata Brás.

Estágio de direção: Eric Mourão.

Programação visual: Vitor Vieira.

Projeto de vídeo e projeções: Jonas Golfeto.

Fotos de divulgação: Gabriel Wickbold.

Fotos de cena: Lenise Pinheiro.

Produção executiva: Ton Miranda

Gerência de produção: Bia Izar.

Direção de produção: Maurício Machado.

Realização e produção: manhas & manias eventos.

 

Serviço

Frida Y Diego

Teatro Maison de France – Av. Presidente Antônio Carlos, 58 – Centro – RJ

Tel: (21) 2544-2533

Temporada: de 8 de janeiro a 29 de março de 2015

Quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 19h

Ingressos: R$ 60,00 (quintas e sextas-feiras), R$ 80,00 (sábados e domingos).

Direção: Eduardo Figueiredo.

Duração: 90minutos.

Classificação indicativa: 16 anos.

Lotação: 353 pessoas

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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