SÃO PAULO – Um ano após a morte de Belchior, o espetáculo Na Parede da Memória, inspirado nas poesias do cantor e compositor brasileiro, presta uma homenagem genuína ao músico. O espetáculo também trata de importante momento da história do Brasil: a Ditadura Militar brasileira. Depois de passar por duas temporadas no Rio de Janeiro e uma temporada em Belo Horizonte, a produção conseguiu um espaço no Teatro Itália e disputou espaço com diversos off-Broadway musicais que povoaram os teatros da cidade.

Na Parede da Memória não é estritamente musical e nem biográfico. Os dois elementos é o que mais encanta na produção do espetáculo que traz quatro amigos separados pelo tempo e por suas diferenças se reencontram em um apartamento onde todos já viveram antes e onde, ao longo da história, disputam o disco Alucinação, de Belchior.

Permeado pela música do compositor brasileiro, os amigos interpretados por Dezo Mota, Gloria Dinniz, Filipe Goulart e Nina Alvarenga relembram histórias que passaram e o que vieram, ensinam sobre o Brasil e sobre como Belchior usou as palavras e as músicas para traduzir o que sentia e o que pensava do País.

 

O mérito de Na Parede da Memória, dirigido por Paulo Merisio e texto de Fabrício Branco, é que tudo é verossímil. As músicas ganham contexto nas histórias contadas assim como cada situação apresentada poderia ocorrer com qualquer um de nós.

 

O espetáculo tem direção de Paulo Merisio e texto de Fabrício Branco. Em cena, quatro amigos separados pelo tempo e por suas diferenças se reencontram em um apartamento onde todos já viveram antes. Fechando um ciclo da história, cada personagem deve retirar o que é seu do imóvel. O único desacordo parece estar na propriedade do disco Alucinação, de Belchior, objeto reclamado por todos.

 

O cenário é uma sala de apartamento bagunçado que nos chama para a memória e a passagem da vida e do tempo, com um olhar ao futuro.  Sem grandes ornamentos, Na Parede da Memória nos convida a refletir o Brasil, a nossa vida, em uma dose de emoção e boa música. Que ganhe novas temporadas, já que é uma peça que cabe em qualquer lugar e tem nos encontros e desencontros casuais seu mérito.

 

Ficha Técnica

Texto: Fabrício Branco. Direção: Paulo Merisio. Direção Musical: Delfim Moreira. Elenco: Dezo Mota, Gloria Dinniz, Filipe Goulart e Nina Alvarenga. Músico e Arranjador: Leandro Parisi. Cenário: Natalia Lana. Figurinos: Vinicius Lugon. Visagismo: Talita Bildeman. Iluminação: Mario Junior. Duração: 70 minutos. Classificação: 16 anos.

 

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)