CRÍTICA: MUSICAL “MUDANÇA DE HÁBITO” RESGATA FILME DE SUCESSO COM COMÉDIA POPULAR AO ESTILO BROADWAY

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com)

mudançaSÃO PAULO – O musical Mudança de Hábito oferece a São Paulo um ar diferente para o Teatro Renault, pioneiro em abrir espaço para o gênero. A história não é um clássico como geralmente revivemos ali. É um “blockbuster” de grande sucesso nos anos 90. Estilo de musical que não trabalha com efeitos mirabolantes e sim com texto e música calcados na comédia. É essencialmente contemporâneo, até no uso, às vezes, de clichês nas piadas.  Esse frescor é importante, pois imprimi e coloca à cena nuances aos musicais vindos da Broadway.

Outro mérito do Mudança de Hábito é trazer pela segunda vez consecutiva um musical com protagonista de pele negra. O espetáculo anterior em cartaz era Rei Leão.  Ainda que alguns possam tratar isso como um fator irrelevante, não é bem assim. A maioria dos musicais com princesas, monstros e afins vindos de fora do país é para atores brancos. E esse é um contraponto fundamental. Ainda mais em nosso país em que a maioria não é branca.

Bianca Tadini e Luciano Andrey fizeram uma ótima versão para o Brasil de Mudança de Hábito. O ponto do humor até nos clichês, que conseguiram encaixar, caem bem na montagem e de forma natural.

Souberam aproveitar as possibilidades e a liberdade que o enredo oferece, com a responsabilidade de montar uma versão de teatro musical para a película que narra a história de Deloris, uma cantora que depois de testemunhar um assassinato vai parar em um convento para se refugiar.

Ponto positivo também da diretora residente Fernanda Chamma que apresenta um bom elenco para um musical que exige que sejam atores e cantores. A atriz Karin Hils não parece preocupada em imitar a imortal no papel: Whoopi Goldberg, que inclusive assina a co-produção do espetáculo e  emprega credibilidade e marketing ao musical.

O fato de Karin não imitá-la (com timbre ou trejeitos) confere autonomia e personalidade para a versão brasileira. A inspiração e autenticidade são os melhores caminhos para uma produção que já rodou 11 países.

No entanto, para quem espera ver as famosas canções do filme como Oh Happy Day – mesmo que em uma versão para o português – pode se decepcionar. A versão da Broadway não traz a trilha original do filme. Mas Alan Menken (vencedor de oito Oscar) e Glenn Slater montaram boas composições para o palco.

Mudança de Hábito traz a comédia popular para o palco primogênito dos musicais em São Paulo. Tem versatilidade e oferece uma boa produção para o público. Mesmo sem ter efeitos especiais mirabolantes, o cenário, trocas de figurino e luz apresentam a qualidade das grandes produções da Broadway.

O musical Mudança de Hábito ainda não tem data para sair de cartaz e pode ser visto de quinta a domingo no Teatro Renault.

 

Serviço
Mudança de Hábito
Quando: A  partir de 5 de março de 2015
Sessões: Quintas e Sextas, às 21h, Sábados, às 17h e 21h, e Domingos, às 16h e 20h.
Onde: Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo – SP
Quanto: De R$ 25 a R$ 260

Quintas, às 21h
Plateia Premium: R$ 240 (inteira) e R$ 120 (meia)
Camarote: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)
Visão Parcial Balcão B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Camarote / ZZ: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)
Plateia A: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)
Plateia B: R$ 170 (inteira) e R$ 85 (meia)
Balcão A: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Balcão B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

Sextas às 21h / Sábados às 17h e 21h / Domingos às 16h e 20h
Setor Premium: R$ 260 (inteira) e R$ 130 (meia)
Camarote: 220 (inteira) e R$ 110 (meia)
Visão Parcial Balcão B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Camarote / ZZ: R$ 220 (inteira) e R$ 110 (meia)
Plateia A:  R$ 220 (inteira) e R$ 110 (meia)
Plateia B:  R$ 190 (inteira) e R$ 95 (meia)
Balcão A: R$ 110 (inteira) e R$ 55 (meia)
Balcão B: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)

– Bilheteria oficial (sem taxa): Diariamente, 12h às 20h (em dias de espetáculo, a bilheteria funciona até o início da apresentação)
Capacidade: 1.530 lugares.
Assentos: O teatro conta com 16 assentos para deficientes físicos e 11 para pessoas obesas.
Classificação etária indicativa: Livre. Menores de 12 anos: permitida a entrada (acompanhados dos pais ou responsáveis legais).
Estacionamento: O teatro não possui estacionamento próprio.

 

 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!