CRÍTICA: NATÁLIA GONSALES FAZ UM INTENSO MERGULHO NA SOLIDÃO HUMANA

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (Nanda@aplausobrasil.com). 

FESTA
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SÃO PAULO – No espetáculo Festa, a atriz Natália Gonsales está sozinha no palco, com poucos aparatos cênicos. Interpreta uma mulher que comemora o aniversário, mas parece que a festa não saiu da maneira que ela planejou. Chove muito na rua e ela enfrenta uma tempestade de emoções.  Somente mais duas apresentações no Viga Espaço Cênico: Sábado, 1, às 21h00 e domingo, 2, às19h00. A direção é de Lana  Sultani.

Em Festa não há uma dramaturgia totalmente definida, estática. A história foi construída a partir de improvisações e nas apresentações a atriz segue um roteiro, mas tem liberdade para criar falas e movimentações.

FESTA
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Natália é formada em interpretação pela Oficina de Atores Nilton Travesso e pelo CPT. Já participou de montagens de grupos importantes no cenário teatral paulistano, o Tapa e Pia Fraus. Possui, portanto, um currículo que merece atenção e demonstra versatilidade para dominar esse trabalho que não tem um gênero definido e que coloca em evidência a alma dilacerada de uma mulher.

O espetáculo, que mistura dança e teatro, fala da solidão no mundo moderno. No palco, Natália vive uma mulher de temperamento aparentemente explosivo e que aos poucos expõe os seus sentimentos.

FESTA
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O público acompanha os desejos e devaneios dessa mulher linda, cheia de vida e charme, mas que está à beira da loucura num dia que deveria ser de celebração. Nada dá certo. Ela está com um vestido preto, chique e sensual e espera (supostos) convidados, que não chegam.

A cenografia traz poucos elementos: na caixa preta da sala piscina do Viga estão uma mesa, para receber o bolo da festa, e uma geladeira, onde a personagem retira diversos objetos.

Com forte presença cênica e exímio domínio corporal, a atriz explora todo o palco para transmitir através de palavras e especialmente do corpo, a personalidade inquieta e as sensações de sua personagem.

Como nada é explícito, o público tem a oportunidade de tirar as suas conclusões e, aos poucos, vai montando o retrato dessa mulher. Ela quer controlar as suas ações, tenta conviver com os imprevistos, mas não consegue (o barulho das gotas de chuva que insistem em cair num balde, por exemplo, é insuportavelmente irritante).

O desespero aumenta na medida em que ela constata que mais um ano está passando e que a passagem do tempo é implacável.

O coração também está dilacerado pela paixão, pela espera do amor ideal que nunca chega ou devido a alguma decepção amorosa.

Entre os momentos em que Natalia mais demonstra que tem capacidade para a realização de um trabalho que exige domínio corporal, destaco o início do espetáculo, quando a personagem está chegando na sua residência e enfrenta o temporal.

Através do corpo, a atriz consegue transmitir o quanto a chuva está forte e está difícil se locomover devido à força do vento e da água.

Ficha Técnica:

 

IDEALIZAÇÃO: NATALIA GONSALES
DRAMATURGIA: MARCELO SOLER
DIREÇÃO: LANA SULTANI
ATRIZ: NATALIA GONSALES
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: PÉRICLES SILVEIRA
TRILHA SONORA E OPERAÇÃO DE SOM: VLADIMIR ZOLNERKEVIC
COREOGRAFIA E DIREÇÃO DE MOVIMENTO: FERNANDA BUENO
CENORAFIA E ADEREÇOS: FLAVIO TOLEZANI
FIGURINOS: NATALIA GONSALES
ILUMINAÇÃO: LANA SULTANI E IGOR SANE
ASSISTENTE DE ILUMINAÇÃO: IGOR SANE
FOTOS: FLAVIO TOLEZANI E LANA SULTANI
PROGRAMAÇÃO VISUAL: KELSON SPALATO
ASSESSORIA DE IMPRENSA: POMBO CORREIO
OPERAÇÃO DE LUZ: IGOR SANE
DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: MAURÍCIO INAFRE
REALIZAÇÃO: BEM CASADO PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

 

Serviço:

Festa

De 4 de julho a 2 de agosto no Viga Espaço Cênico – Sala Piscina.

Sábados às 21h e domingos às 19h

Rua Capote Valente, 1323

Classificação: 12 anos

Duração: 50 minutos

Ingressos: R$ 30

 

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