Crítica: Nunca Fomos tão felizes traz ironia, drama e humor para o Teatro Itália

SÃO PAULO – Nunca Fomos Tão Felizes em cartaz no teatro Itália traz para o palco um argumento conhecido do público e que funciona. Nancy (Larissa Ferrara) e Charlie (Mateus Monteiro) são um jovem casal que recebem o chefe dele, o Billie (Eduardo Martini) e sua esposa Simone (Nicole Cordery).  O jantar é regado a gin e existem segredos que vão sendo revelados pouco a pouco, e um deles é a personagem de Luccas Papp. A tensão de um jantar nada trivial, conhecido no teatro e em outras artes, ganha uma roupagem interessante ao melhor do estilo de Dan Rossetto, que também dirige a peça: o tom da ironia com a comédia, o drama e, claro a época – já que a história se passa nos anos 1960.

O título, já conhecido no Brasil pelo filme homônimo de Murilo Salles, é uma feliz ironia para esses personagens mergulhados em problemas e questões escondidas. Com uma trilha de nomes clássicos e fascinantes, como Billie Holiday, fica difícil em alguns momentos não se desligar da cena e começar a balançar na cadeira do teatro, em um ato de distração. O cenário de Luiza Curvo e a iluminação de Kléber Montanheiro remonta um clima de sótão e porão que Nunca Fomos Tão Felizes. As malas que formam o cenário é um convite a desembalar lembranças e histórias, ainda que inconscientemente.

Montanheiro brilha mesmo no figurino, além de adequado a época tem um toque comum em suas construções: as peças de roupa mudam de acordo com a fase da personagem, em pequenos detalhes ou até cores. É possível acompanhar o humor e as possibilidades de cada um em cena pelo o que vestem.

Rosseto com esse texto e equipe chegou a um formato que lhe cai bem. Consegue trazer um tom clássico e o humor da degradação humana com sutileza. Embora o elenco de Nunca Fomos Tão Felizes seja interessante não há dúvidas que o papel de Nicole Cordery é um presente bem aproveitado. Sua personagem vai do luxo blasé ao lixo e rouba a cena no humor e no drama dando tom à plateia.

Nunca Fomos Tão Felizes consegue o mérito de carregar vários gêneros em si, gera um árduo trabalho teatral, carrega o charme das produções de época, com um enredo de argumento clássico à la Rosseto, e recebe com isso a resposta do público – entidade importante para quem ama e faz teatro.

Ficha Técnica:

Texto e direção: Dan Rosseto

Direção de produção: Fabio Camara

Elenco: Eduardo Martini, Larissa Ferrara, Luccas Papp, Mateus Monteiro e Nicole Cordery

Assistente de direção: Giovanna Marqueli

Figurinista: Kléber Montanheiro

Assistente de figurino: Luma Yoshioka e Thaís Boneville

Costureira: Creusa Medeiros

Visagismo: Dhiego Durso

Cenógrafa: Luiza Curvo

Cenotécnico: Matheus Fiorentino Nanci

Iluminador: Kléber Montanheiro

Operador de luz: Herick Almeida

Operador de som: Jackson Oliveira

Arte Gráfica: André Kitagawa

Fotos: Thaís Boneville

Assessoria de imprensa: Fabio Camara

Realização: Applauzo e Lugibi Produções

SERVIÇO: 

LOCAL: Teatro Itália, (Av. Ipiranga 344 – República). 274 lugares.

DATA: 18/01 até 17/03 (Sexta e Sábado 21h e Domingo 18h). Não teremos apresentação nos 01, 02 e 03 de março.

INFORMAÇÕES: 3255-1979

VENDAS PELA INTERNET: www.compreingressos.com

INGRESSOS: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia).

DURAÇÃO: 100 min 

CLASSIFICAÇÃO: 12 anos

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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