Crítica: O futuro dos rolezinhos já está no palco da FAAP

Maria Lúcia Candeias, doutora em teatro pela USP e Livre Docente pela UNICAMP – (redacao@aplausobrasil.com)

BOLA DE OURO
BOLA DE OURO

SÃO PAULO – Quem com mais de dezoito nunca se meteu num protesto de praça pública, noutro caminhando pelas ruas e praças, com ou sem cartaz, deixando claro o que pretende e em quem confia? Faz parte da juventude e dos sonhos de mudar o mundo de um modo quase exato, mas por caminhos que não dão exatamente onde se sonha. A revolução russa procura uma saída, o atual presidente dos Estados Unidos assim como quase toda a humanidade quer. Quando se acha que se conseguiu, pode-se morrer na ilusão de que tudo foi conquistado e o que ainda estiver faltando vai ser. Quando se fica mais maduro, as ilusões de felicidade e acertos totais não parecem mais viáveis e sim sonhos. Como os dos olhos das crianças que imaginam  o que querem que o mundo seja e ela vai descobrir. Nada toca mais fundo a emoção das avós e avôs e às vezes mesmo quando ainda são pais. É com essa consciência que Jean- Pierre Sarrazac escreveu Bola de Ouro  – em cartaz apenas às sextas-feiras no Teatro FAAP.

Um prêmio recebido pelo jornal revolucionário faz com que todos os personagens se enconteam, como nos velhos tempos, onde lá, além de ser o QG de imprensa, era o partido em que se reuniram por anos. Com os mesmos objetivos.

A decoração do palco assinada por Sylvia Moreira que também criou os ótimos figurinos é valorizada pela música de Zema Tâmatchan, ótima iluminação de Fran Barros.

BOLA DE OURO
BOLA DE OURO

Os técnicos compõem as cenas com perfeição o que torna a direção do espetáculo de Marco Antônio Braz brilhante, para não falar na interpretação irretocável do elenco pra lá de experiente: Celso Frateschi; Walter Breda; Marlene Fortuna, Luiz Amorim e Carolina Gonzales.

Momentos onde eles se questionam como é comum entre amigos tão próximos e que o espectador também pensa nos assuntos, noutras o público rola de rir. Não perca. Você vai adorar mesmo que pertença aos rolezinhos atuais e os considere um pouco pessimistas.

 

Bola de Ouro

Temporada: 23 de janeiro a 7 de março – às 21 horas

Horário: quintas e sextas-feiras – às 21 horas

Teatro FAAP

Rua Alagoas, 903. Higienópolis/SP. Tel: (11) 3662-7232

Ingressos: R$ 30,00 (quintas) e R$ 40,00 (sextas) – com meia entrada.

Duração: 80 min. Classificação etária: 12 anos. Gênero: drama

Ar Condicionado. Acesso universal. Capacidade: 270 lugares

Vendas antecipadas: telefone (3662-7233 / 3662-7234) e site www.faap.br/teatro

Aceitas cartões (D, MC, V). Estacionamento grátis.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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