Crítica: O Pastor representa volta a humor que parecia estar esquecido no teatro

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

"O Pastor". Foto/crédito: Anderson Pires.
“O Pastor”. Foto/crédito: Anderson Pires.

SÂO PAULO – O espetáculo O Pastor traz em cena um humor necessário para os dias de hoje, que parece sufocado, senão misturado com o popular stand-up comedy. Falo do humor da sátira, da crítica que não é explícita, mas está exposta não só na contemporaneidade e realidade do tema proposto como também, principalmente,  no uso de personagens. A intenção aqui não é criticar o stand-up comedy, mas pontuar os gêneros para que se entenda bem a proposta de O Pastor e as razões pela qual a peça, em cartaz à meia noite no Parlapatões, merece ter plateia cheia.

No stand-up comedy, é importante ressaltar, não temos personagens, não há teatro. O que há é humor. Comediantes que dão a sua cara para fazer piada e críticas. Já no humor obrigatoriamente o que importa é o personagem e não a cara do humorista. Entre os ícones desse humor, raro hoje no teatro, temos Chico Anysio e Tom Cavalcante. E o O Pastor é isso: um humor de personagem real na ficção!

"O Pastor". Foto/crédito: Anderson Pires.
“O Pastor”. Foto/crédito: Anderson Pires.

Em cena, o pastor Antônio (interpretado por Alexandre Lino) celebra um culto em uma igreja evangélica.  O enredo, criado pelo autor Daniel Porto, encanta pela simplicidade e similaridade do que vemos nos cultos das TVs ou nas igrejas. Os gestos, tom de voz e postura de Alexandre como um pastor impressiona.

Mais do que adjetivos, o espetáculo nos faz sentir em um culto. E quanto mais animada é a plateia, melhor flui a apresentação. O personagem do pastor tem como grande desafio converter e convencer um homem desempregado e desesperado (interpretado por Cesario Candhí) a acreditar em sua idoneidade bondosa de homem de Deus.

O espetáculo traz ainda Kátia Camello no papel de Irmã Janaína. A atriz diverte já que além de auxiliar do pastor é de sua voz que sai a trilha sonora da peça.  No fio entre a ficção e a realidade, o espetáculo tem outra importante qualidade do humor calcado em personagem: não há julgamento. Não há análise. Essa parte é por conta da plateia.

"O Pastor". Foto/crédito: Anderson Pires.
“O Pastor”. Foto/crédito: Anderson Pires.

O Pastor, dirigido por Carina Casuscelli, traz pouco cenário e personagens reais e bem construídos. É uma boa oportunidade para o público exercer a crítica e refletir sobre questões que estão expostas no nosso cotidiano: religião virou teatro? Fé é mercadoria? Qual o papel da igreja na construção de valores e na sociedade de hoje?

FICHA TÉCNICA
Autor: Daniel Porto
Direção: Carina Casuscelli
Elenco: Alexandre Lino (Pastor Antônio), Kátia Camello (irmã Janaína) e Cesário Candhí(Paulo).
Direção Musical: Alexandre Elias
Direção de Produção: Alexandre Lino
Cenografia e figurinos: Karlla de Luca
Produção Executiva: Daniel Porto e Mariana Martins
Programação Visual: Guilherme Lopes Moura
Videografismo: Fábio Jardim
Webdesigner: Mariana Martins
Fotógrafo: Janderson Pires
Assessoria de Imprensa: Alessandra Costa
Idealização e Realização: CINETEATRO PRODUÇÕES
www.cineteatroproducoes.com.br

Serviço:
Temporada: 05 de setembro a 01 de novembro.
Local: ESPAÇO DOS PARLAPATÕEO PASTOR
SEXTA e SÁBADO às 23h59
Praça Roosevelt, 158
Centro – São Paulo – SP
Informações: (11) 3258-4449
Lotação: 98 lugares
Valores: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (meia)
Duração: 70 minutos
Classificação etária: 12 anos
Gênero: Docudrama
www.espetaculoopastor.com.br

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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