Crítica: “O Pequeno Príncipe” navega nos bons sentimentos

O Pequeno Príncipe -Teatro Folha -foto de Will Siqueira

SÃO PAULO – Sempre penso que montar textos famosos tem somente um apelo comercial. Quem não leu e se encantou com O Pequeno Príncipe, por exemplo, do autor Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944), publicado em 1943? Ao contrário do que pensava, tive outra sensação com a obra homônima que assisti no Teatro Folha, montada num momento especial em que vivemos, quando precisamos de boas palavras, de bons sentimentos e de boa reflexão sobre o que é mais importante em nossas vidas.

O espetáculo cativa o público desde o início, deixando crianças e adultos em estado de poesia. Presenciei um teatro lotado e observei o sorriso no rosto de cada criança, como uma visão fundamental em tempos de violência implícita e explícita presentes em nosso cotidiano.

Para adaptar a obra literária, o diretor Ian Soffredini preservou ao máximo as imagens poéticas sugeridas pelo autor, e também se concentrou em criar uma ação dramática que fortalecesse a narrativa da peça.

Diferente do livro, que primeiro conta a história do aviador para depois contar a história do Pequeno Príncipe, o diretor foi direto à história do Pequeno Príncipe, destacando a ação e o que acontece com o protagonista.

“O primeiro ato mostra a viagem do personagem pelos planetas e, o segundo, as experiências dele na Terra”, explica Ian.

O elenco é afinado e brilha em cada cena. Ian nos apresenta um espetáculo com mistura de linguagens – interpretação, luz negra e manipulação de bonecos, objetos e formas inanimadas. Há muito trabalho por trás dessas técnicas de expressão.

Num mundo cheio de palavras ásperas e de atitudes obscuras, um momento de acalmar a alma. O teatro tem essa magia! E Ian está de parabéns por investir neste tipo de pensamento e de fazer teatral, por isso vai colher o fruto desse empreendimento.

Local: Teatro Folha. Shopping Pátio Higienópolis. Av. Higienópolis, 618, terraço. Higienópolis, São Paulo-SP.

Tel.: (11) 3823-2323.

 Pamela Duncan, especial para o Aplauso Brasil

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