Rainhas do Orinoco em cartaz no Teatro Vivo, em São Paulo. Foto: João Caldas.
Rainhas do Orinoco em cartaz no Teatro Vivo, em São Paulo. Foto: João Caldas.

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

RIO DE JANEIRO – Gabriel Vilella já legou ao teatro brasileiro joias como Romeu e Julieta, montagem na qual dirigiu o Grupo Galpão e A Falecida, onde fez uma linda leitura surrealista do clássico de Nelson Rodrigues e que ficou marcada como uma das mais belas atuações teatrais de Maria Padilha. Seu recente espetáculo Rainhas do Orinoco já entra para sua trajetória artística como uma de suas melhores direções.

Orinoco foi escrito pelo mexicano Emilo Carballido, em 1984. Orinoco é o nome do principal rio da Venezuela e no texto, singrando-o em uma embarcação estão as atrizes decadentes Mina e Fifi. Ao batizar o nome de sua peça, Carballido criou uma excelente metáfora, visto que Orinoco nos remete diretamente a onírico.

Assisti a primeira montagem desse texto, em 2003, em São Paulo com as valorosas  Iara Jamra e Cristina Mutarelli interpretando as duas atrizes perdidas nesse rio. Naquela ocasião, já fiquei fascinado com a peça. A frustrante viagem de Mina e Fifi e os sacrifícios que ambas precisam se sujeitar nesta viagem (O que inclui serem obrigadas a se prostituírem) é algo que remete muito ao drama de ser artista no Brasil. Convém lembrar que, até mais ou menos sessenta anos atrás, nossas atrizes eram obrigadas a possuírem a mesma carteira de identificação que as profissionais do sexo.

Para contar esta história que é melancólica, mas também carrega um riso amargo, o diretor chamou Walderez de Barros e Luciana Carnieli para interpretar as duas personagens. E suas atuações são superlativas. Conseguem demonstrar, de forma exemplar, a amargura e o humor de Mina e Fifi. Acompanha a dupla o ótimo Dagoberto Feliz.

Em sua releitura da obra de Carballido, Vilela trouxe algo que é característico dos seus espetáculos, a saber, uma revisita ao universo popular. Canções de Cascatinha e Inhana foram recriadas por Babaya e Dagoberto Feliz e são executadas lindamente na montagem. E como estamos falando do espetáculo de um encenador no qual o elemento visual sempre foi importante, merecem ser destacados os figurinos assinados pelo diretor, a cenografia de William Pereira e a iluminação de Caetano Vilela.

Rainhas do Orinoco está em cartaz até dia 28 de agosto, no Rio de Janeiro, no SESC Ginástico. Imperdível!!!

SESC GINÁSTICO

Quinta a sábado, 19h. Domingos, às 18h.

Valores: R$ 5 (associados Sesc), R$ 10 (meia-entrada) e R$ 20.