CRÍTICA: “OS HOMENS SÃO DE MARTE…E É PRA LÁ QUE EU VOU!”

Fernando Pivotto, para o Aplauso Brasil (fernando@aplausobrasil.com.br)

SÃO PAULO – Monólogo blockbuster de Mônica Martelli trata com bom-humor as desventuras amorosas de uma mulher solteira na casa dos 40 anos. O espetáculo segue no Teatro Cetip até dia 05 de fevereiro.

Estar em cartaz desde 2005 não é fato a ser desprezado. Estar em cartaz num projeto que também rendeu uma indicação ao Shell, uma versão nas telonas e uma série de três temporadas na TV fechada, então, é sinal de que o material com o qual se trabalha tem um apelo considerável.

A julgar pela plateia cheia e receptiva na sessão que assisti, o apelo continua efetivo, mesmo nestes quase 12 anos de existência do espetáculo. Não é de se espantar: a busca pela alma gêmea ainda é um elemento fundamental em nossa sociedade, mesmo que cada vez mais pessoas se interessem por alternativas como solteirice, relacionamentos abertos ou poliamor.

O texto de Martelli parece se comunicar bem com o espectador romântico, que se identifica com as desventuras amorosas de Fernanda, alter-ego da dramaturga e atriz. A ansiedade em conhecer pessoas novas, a frustração quando um relacionamento não dá certo, ou o medo da solidão são alguns dos temas abordados no solo, tratados de modo abrangente o bastante para acolher tanto os solteiros quanto os casados na plateia, e com otimismo suficiente para desafogar as angústias daqueles que se encontram na mesma situação retratada no palco.

Também conta muito a favor o fato de que o projeto é capitaneado por uma mulher. Inspirando-se em experiências pessoais, Martelli fala com propriedade sobre carência e a projeção da felicidade no par, mas sem reduzir sua personagem a uma figura submissa ao príncipe encantado. Ao contrário, a protagonista é uma mulher bem-sucedida profissionalmente, independente e que, por mais que esteja focada em encontrar um parceiro, não é limitada pelos homens – sabendo inclusive colocar ponto final em relacionamentos abusivos.

Ao narrar a história de alguém que, mesmo estando devotada em encontrar um marido, não é apenas isso, Martelli consegue se esquivar de estereótipos machistas que minariam a graça do solo e seriam perigosos não só para as mulheres no palco como para as da plateia.

A direção discreta de Victor Garcia Peralta também faz bem ao espetáculo. O diretor consegue injetar uma bem-vinda teatralidade ao auxiliar a atriz a compor com poucos recursos os diversos tipos que acompanham a jornada de Fernanda, dos pretendentes às amigas. O elegante uso do figurino também funciona bem como método de marcação de tempo, e compensa os momentos menos inspirados do espetáculo, como a luz burocrática.

Nitidamente direcionado às mulheres, mas inteligente o bastante para dialogar com os homens sem fazer pouco do universo feminino, Os Homens São de Marte…e é Pra Lá Que Eu Vou! consegue ser entretenimento dos bons, independente do estado civil.

Os Homens São de Marte… e é Pra Lá Que Eu Vou!

Texto e interpretação: Mônica Martelli
Direção: Victor Garcia Peralta
Realização: Capri Produções e Pad Rok Produções Culturais

Serviço:
De 20 de janeiro a 5 de fevereiro. Sextas e sábados, 21h e domingos, 18h
Ingresso: De R$ 70,00 a R$ 100,00.
Teatro Cetip – Rua Coropés, 88 – Pinheiros

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