SÃO PAULO – Do picadeiro para a TV da TV para o cinema do cinema para tudo junto e misturado ao convite pro teatro. Você que leu a frase anterior de um só fôlego, e ficou sem ele, pode ter uma breve noção da plural energia que exala da trajetória do Artista, em maiúscula como o seu talento, Dedé Santana que vive um palhaço de um circo decadente em Palhaços, de Timochenco Wehbi. A peça, que se despede do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) São Paulo na próxima segunda-feira (7), deixa ao espectador a pergunta: “Somos todos palhaços?”.

Dirigida pelo ator Alexandre Borges, a trama se passa nos bastidores de um velho e decadente circo (criado por Marco Lima) invadido por Benvindo (Fioravante Almeida), antigo fã do Palhaço Careta, vivido por Dedé Santana, em busca de uma selfie e, sobretudo, para contar que o admira como artista. A sensibilidade do diretor soube ressaltar o eixo meta-discursivo e filosófico proposto por Webhi – “Afinal, qual o sentido da palavra artista?” –, além de ressignificar o sujeito “palhaço”: tanto o “artista”  quanto o “cidadão comum” são iguais num picadeiro social em que a injustiça é palavra de ordem.

Fioravante Almeida  impõe um toque pueril – uma imagem ingênua, feito criança, muito coerente com a linha escolhida para o desenvolvimento da personagem – a  seu comerciante de calçados com seus objetivos pequeno burgueses, confiante e alienado de sua real posição na pirâmide social. É preciso que Careta lhe revele que seus sonhos são miragens insossas, distante da realização.

Impressiona a energia jovial com que Dedé Santana – difícil acreditar, mas ele tem 83 anos! – desenha seu Careta. Ele é irônico, sarcástico e segue um lúcido raciocínio para revelar a Benvindo que suas ambições – estudar, casar-se, constituir família, tornar-se gerente da loja em que trabalha – são patéticas a ponto de torná-lo tão palhaço quanto o artista em questão.

Num universo em que a Arte é colocada no rodapé das prioridades, assim como os trabalhadores do mais baixo escalão, Palhaços nos faz agir para que os donos do capital não afoguem nossos desejos.

 

FICHA TÉCNICA:

 Texto: Timochenco Wehbi

Direção: Alexandre Borges

Elenco: Dedé Santana e Fioravante Almeida

Cenografia: Marco Lima

Figurino: Fábio Namatame

Iluminação: Domingos Quintiliano

Trilha Sonora: Otto e Dipa

Preparação Vocal: Madalena Bernardes

Coaching: Selma Kiss e Yasmim Sant’ Anna

Diretor de Palco: Mauro Nascimento

Contra Regra: David Nicholas

Fotos: Tatiana Coelho

Vídeo: Rústica Produções

Assessoria de Imprensa: Fabio Camara

Direção de Produção: Camila Bevilacqua

Produtor Executivo Brasília: André Deca

Produtor Executivo São Paulo: Bruna Rosa

Coordenação do Projeto: F L O Produções

Idealização: F L O Produções e LadyCamis Produções

 

SERVIÇO:

 LOCAL: CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil SP

Aberto de quarta a segunda, das 9h às 21h

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – SP
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
Informações: (11) 3113-3651/3652

Teatro: 140 lugares.

Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física // Ar-condicionado // Cafeteria e Restaurante.

Estacionamento conveniado: Estapar Rua Santo Amaro, 272

Valor: R$ 15,00 pelo período de 5 horas (Necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). Traslado gratuito até o CCBB. No trajeto de volta, tem parada no Metrô República.

DATA: Até 07/05 (Sábado 20h. Domingo 18h e Segunda 20h)

INGRESSOS: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia).

DURAÇÃO: 70 min

CLASSIFICAÇÃO: 12 anos