SÃO PAULO – Não cabe a um crítico julgar a intencionalidade da encenação. Os íntimos sentidos que um espetáculo deseja alcançar – a crítica social, política e do próprio sistema judicial, caso de A Noite de 16 de Janeiro – demanda uma comunicação extremamente clara do que se deseja mostrar. Lembrando que os críticos ou jornalistas são espectadores privilegiados, porque tem acesso às informações técnicas e, também, devido às pesquisas feitas para a redação de seus textos.

Datada (escrita pela russo-americana Ayn Rand, que defendia o “capitalismo liberal”, data de 1934), excessivamente conservadora  (suas ideias arraigadas na moral judaico-cristã, servem perfeitamente ao Conservadorismo Americano que, assim como a filósofa, defendem os direitos à propriedade individual e, consequentemente, são anticomunistas) e machista, a leitura cênica da peça pode corroborar os discursos inflamados de candidatos que se julgam paladinos da moral e dos bons costumes.

O único momento que nos anima com o esboço da ridicularização de Magda Svenson – em vigorosa criação da talentosa atriz Tuna Dwek -, uma intolerante, preconceituosa e religiosíssima “senhorita” (leia-se solteirona) governanta, que não está no tribunal para depor algo relevante ao crime que é julgado e, sim, para destilar insultos condenatórios à “conduta imoral” da ré.

A cenografia não ousa e fica no conservadorismo do texto, o que não é um equívoco, mas pensando que o espetáculo é patrocinado pelo Circuito Cultural Bradesco Seguros esperava-se que a dupla Chris e Nilton Aizner liberassem um pouco mais sua criatividade. Já ai figurino de Fábio Namatame e à trilha de Ricardo Severo, ambas inspiradas em clássicos do suspense hollywoodianos, servem notoriamente a uma encenação que não deseja efeitos cênicos mirabolantes. Assim o é, também, com a iluminação de Maneco Quinderé.

O patético detetive vivido por Luciano Schwab também dá um colorido contrastante que ridiculariza o julgamento. Entretanto o naturalismo ou as opções contrastantes tomadas por boa parte do elenco reduzem qualquer crítica que convertesse aos propósitos desejados – caso o fossem, já que não nos é claramente comunicado –,  contrariando o nocivo – ainda mais nesse momento Histórico – conservadorismo expresso pela “Dama do Mercado” (título da biografia de Ayn Rand).

Ficha Técnica

Texto: Ayn Rand

Tradução: Jô Soares e Matinas Suzuki Jr

Direção: Jô Soares

Elenco: Cassio Scapin, Erica Montanheiro, Felipe Palhares, Giovani Tozi, Guta Ruiz, Luciano Schwab, Kiko Bertholini, Marco Antônio Pâmio, Mariana Melgaço, Milton Levy, Nicolas Trevijano, Norival Rizzo, Paulo Marcos, Ricardo Gelli e Tuna Dwek

Diretor assistente: Mauricio Guilherme

Cenografia: Chris Aizner e Nilton Aizner

Figurino: Fábio Namatame

Música Original: Ricardo Severo

Videografismo e Mapping: André Grynwask e Pri Argoud

Iluminação: Maneco Quinderé

Direção de Arte Gráfica e Assistente de Dramaturgia: Giovani Tozi

Fotografia: Priscila Prade

Video Maker: Erik Almeida

Assessoria de Imprensa: Morente Forte

Produção Executiva Montagem: Mariana Melgaço

Produção Executiva Temporada: Joyce Olivia

Assistente de produção: Adriana Souza e Bruno Gonçalves

Administração financeira: Vanessa Velloni

Patrocínio: Bradesco Seguros

Produção: Rodrigo Velloni

Realização: Ministério da Cultura e Velloni Produções Artísticas

Serviço

A NOITE DE 16 DE JANEIRO

Teatro Tuca (672 lugares)

Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes

Informações: 3670.8455

Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h. Aceita dinheiro e todos os cartões, crédito e débito. Não aceita cheque. Acesso para deficiente. Ar-condicionado. Vallet no teatro aos sábados e domingos – R$ 20. Estacionamento conveniado: Píer Park da Rua Monte Alegre, 835 – R$ 14.

Sextas às 21h30 | Sábados às 21h | Domingos às 19h

 Ingressos:

R$ 120

 Duração: 100 minutos

Recomendação: 14 anos

 Estreou dia 05 de Maio de 2018

Temporada: até 02 de Setembro