Crítica: Teatro Cego aguça os sentidos e as percepções do espectador

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com)

ACORDA AMOR
ACORDA AMOR

SÃO  PAULO– Acorda Amor é o segundo espetáculo da Companhia Teatro Cego, encenado completamente no escuro. No ano passado, apresentou O Grande Viúvo, baseado na obra de Nelson Rodrigues e  nesse novo trabalho, traz ao palco trama baseada nas canções de  Chico Buarque. A montagem com texto e direção de Paulo Palado, tem a trilha sonora, executada ao vivo pela banda Social Samba Fino. A temporada acontece de segunda a quinta no Teatro Sérgio Cardoso, até 26 de junho.

O espetáculo mostra a trajetória de jovens que lutam contra a ditadura militar nos anos 1970.

Três rapazes disputam o amor de uma garota. São jovens que estão envolvidos com a guerrilha estudantil e estão aprendendo a lidar com os seus sentimentos.

O público acompanha o desenrolar dos fatos através de vozes, sons, cheiros e sensações táteis. O elenco formado por atores cegos e não cegos apresenta entonações que retratam com competência as emoções dos personagens.

ACORDA AMOR
ACORDA AMOR

O Teatro Cego é uma vivência marcante. Num mundo em que estamos expostos a uma enxurrada de imagens, o espectador, sem a visão, tem a oportunidade de aguçar os seus sentidos para emoções e sensações que estão além do olhar.

Para os deficientes visuais, por sua vez,  o Teatro Cego propicia a inclusão sociocultural, através de um trabalho de qualidade e que promove reflexões sobre o respeito ao próximo, suas limitações e a capacidade de superá-las.

Num primeiro momento não é fácil estar num ambiente em que a luz nos é privada, mas aos poucos a trama começa a nos envolver e a visão se torna desnecessária para a compreensão da história que está sendo contada no palco, que é tratada com sensibilidade pela equipe.

A trilha merece destaque, pois além de costurar as cenas, traz sucessos inesquecíveis de Chico Buarque no ano em que o artista completa 70 nos de idade. Os músicos da banda Social Samba Fino, que não são cegos,  têm o mérito de tocarem na escuridão com maestria.

Sobre o Teatro Cego

É uma proposta teatral que nasceu na Argentina. O Teatro Cego coloca elenco e plateia em igualdade de condições, completamente no escuro, despertando a imaginação, a intuição, outros sentidos e percepções, com sons, aromas, estímulos táteis e térmicos, movimentações de cena e muito mais. O elenco, a equipe musical e a produção são formados por pessoas com e sem deficiência visual. Com início em 2012 no Brasil, o Teatro Cego tem encenado a peça “O Grande Viúvo”, de Nelson Rodrigues, com a produção da Caleidoscópio Comunicação e Cultura e com a direção de Paulo Palado. A peça tem percorrido diversos teatros da cidade de São Paulo e de algumas cidades do interior do estado Acorda Amor já fez apresentações no Itaú Cultural antes da temporada no Teatro Sérgio Cardoso.

 

Ficha Técnica:

 Texto e Direção: Paulo Palado

Arranjos e direção musical: Lua Lafaiette

Trilha Sonora: Social Samba Fino

 Elenco Paulo Palado,Giovanna Maira, Sergio  Sá,Ian Noppeney,Leonardo Santiago,

Músicos (Social Samba Fino): Luiz Mel – voz e cavaquinho, Eric Budney – contrabaixo acústico e elétrico, Jonas Dantas – piano, Rafael Pereira – bateria, Marcel Ortiz – guitarra, Claudio Martins – percussão, Paulinho Franguets – percussão

Gerência de Produção: Carlos Righi

Equipe de produção Zan Martins,Paula França,Daniel Medeiros,Lucas Gomes

Patrocínio Banco Itaú

Serviço:

Acorda Amor

Teatro Sergio Cardoso

Sala Paschoal Carlos Magno

Rua Rui Barbosa, 153. Bela Vista

Bilheteria: 3288.0136

De segunda a sábado, das 14h às 19h, para vendas antecipadas. De segunda a domingo, das 14h até o início do espetáculo. Aceita todos os cartões.

Vendas:  www.ingressorapido.com e 4003.1212

Segunda a Quarta às 20h30 | Quinta às 20h

Ingressos: R$ 30

**Não haverá espetáculo nos dias 12, 17 e 23,por conta dos jogos do Brasil**

Duração: 60 minutos

Recomendação: 14 anos

Capacidade: 80 lugares

Curta Temporada: De 02 a 26 de junho

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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