Crítica: Três Dias de Chuva é imperdível

Maria Lúcia Candeias, doutora em teatro pela USP e Livre Docente pela UNICAMP – (redacao@aplausobrasil.com)

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SÃO PAULO – Além do texto de um americano Richard Greenberg, candidato ao Prêmio Pulitzer em 1997, adaptado por Jô Soares, também diretor desta montagem, a peça, Três Dias de Chuva, com dois atos curtos, conta a história de uma família. O primeiro ato, datado de 1995, mostra três jovens, e o segundo, datado de 1960, focaliza seus pais.

O que mais encanta é a excelente interpretação do elenco. Quem assiste Otávio Martins, fica boquiaberto, principalmente quando encarna o pai do seu personagem, no segundo ato, e mostra-se um forte candidato ao prêmio de melhor ator neste ano. Já Adriane Galisteu surpreende no primeiro ato fazendo Ana, uma mulher aristocrática com uma classe impecável. Além deles, Petrônio Gontijo não decepciona em nenhum momento, fazendo o público se divertir com seu personagem bastante alienado.

Não é a toa que Três Dias de Chuva está em cartaz desde junho no Teatro Raul Cortez, ou seja, há cinco meses. Pra quem não conhece, a sala fica numa rua a umas duas quadras depois do túnel nove de julho, à direita de quem vai ao centro, no prédio da FeComércio, ou seja numa ruazinha paralela e travessa ao mesmo tempo. Tem tudo para agradar todo o tipo de público.

"Três Dias de Chuva"
“Três Dias de Chuva”

Apesar do tamanho do palco onde seria possível montar um grande musical, a cenografia de Marco Lima o transforma no contexto ideal para adornar o trabalho dos três atores com uma aparente proximidade e muita empatia.

Quem assina a iluminação é ninguém menos que  Maneco Quinderé, e como sempre com ele tudo perfeito.

Os figurinos como de costume são de extremo bom gosto e adequação, pois seu criador é o também bastante premiado Fábio Namatame.

Resta relembrar que o principal responsável por esses acertos, garantindo uma harmonia entre todos os elementos que compõem o espetáculo, é Jô Soares com sua grande experiência em montagens, conduzindo tudo com um maestro de grande orquestra. Não perca.

Roteiro:
Três Dias de Chuva. Texto: Richard GreenbergDireção, tradução e adaptação: Jô Soares. Elenco: Adriane Galisteu, Otávio Martins e Petrônio Gontijo. Assistente de direção: Carol Bastos. Desenho de Luz: Maneco Quinderé. Cenografia: Marco Lima. Música original: Duda Queiros. Figurino: Fabio Namatame. Fotografia: Priscila PradeDireção de produção: Ed Júlio. Produção executiva: Gabriel de Souza. Realização: Baobá Produções Artísticas.
Serviço:
Teatro Raul Cortez  (520 lugares), Rua Dr. Plínio Barreto 285, tel. 3254.1631. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e Domingo às 19h. Ingressos: sexta e domingo R$ 60; sábado, R$ 70. Vendas: 4003.1212 – www.ingressorapido.com.br. Duração: 85 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 16 de dezembro de 2013.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

1 comentário
  1. Excelente, é uma peça pra ser ver mais de uma vez, ela deixa gostinho de quero mais!!! cenário, interpretações, direção, produção de extrema riqueza em todos os detalhes!! Fui do RJ a SP assistir e quero ver de novo, PARABÉNS a todos que fizeram parte!! RECOMENDADÍSSIMA!!

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