HISTERIA
HISTERIA

Luís Francisco Wasilewsk, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

SÃO PAULO – Pode uma comédia ser hilariante e ao mesmo tempo erudita? Histeria, de Terry Johnson, sob a direção de Jô Soares, é a prova de que um texto dramático pode ser engraçado e, concomitantemente, inteligente.

O grande artifício dramatúrgico de Johnson é mesclar em sua criação situações de um bom vaudeville com diálogos eruditos, frases que fazem o espectador “rir com o cérebro”. O ponto de partida da peça é um encontro entre o pai da psicanálise, Sigmund Freud com o pintor surrealista, Salvador Dali. Com mais duas personagens em cena, o dramaturgo engendrou “uma comédia de erros” com todos os artifícios de um vaudeville, na linhagem de Feydeau e Labiche. E também criou excelentes diálogos. Há,por exemplo, na peça citação de duas frases do clássico Hamlet, de William Shakespeare.

Jô Soares, como diretor, soube conduzir com maestria este rico material que tinha em mãos. Importante lembrar que a estreia teatral de Jô como ator foi na comédia de boulevard Oscar, de Claude Magnier, ao lado de Cacilda Becker e Walmor Chagas.Portanto, sua afinidade com o gênero é antiga. Histeria também marca mais um trabalho bem sucedido do diretor com Maurício Guilherme, seu assistente de direção e o produtor Rodrigo Velloni. Uma parceria que começou no excelente Atreva-se e que, agora, resultou neste fantástico Histeria.

No elenco destaca-se Pedro Paulo Rangel pela sutil composição de uma personagem difícil como Freud. Ele conseguiu superar o desafio de representar sem resvalar, em momento algum, para a caricatura. Além disso, em Histeria é Freud quem possui as falas mais longas e difíceis. Todas muito bem defendidas por este grande ator. Outro destaque é Erica Montanheiro, que se revela uma comediante deliciosamente escrachada, de uma linhagem cômica popular brasileira que lembra Dercy Gonçalves. Cassio Scapin como Dalí e Milton Levy também tem belos momentos no espetáculo.

Como Jô já conseguiu reunir em torno de si uma equipe de grandes profissionais que o acompanha há várias direções, é preciso destacar os belos figurinos de Fábio Namatame, a ótima trilha original de Ricardo Severo e, especialmente, a excelente iluminação de Maneco Quinderé. A cena da alucinação pela qual passa Freud, com diversas imagens sendo projetadas em um telão, é plasticamente belíssima.

Histeria é como definiria Oswald de Andrade “um biscoito fino”. Uma comédia que consegue ser engraçada e sofisticada. Infelizmente, algo raro no panorama do teatro brasileiro atual.

HISTERIA

Teatro Tuca (672 lugares)

Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes

Informações: 3670.8455

Vendas: www.ingressorapido.com.br e 4003.1212

Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h. Aceita dinheiro e todos os cartões, crédito e débito. Não aceita cheque. Acesso para deficiente. Ar-condicionado. Vallet no teatro aos sábados e domingos – R$ 20. Estacionamento conveniado: Píer Park da Rua Monte Alegre, 835 – R$ 18.

Sextas e Sábados às 21h | Domingos às 19h

 Ingressos:

Sextas R$ 50 | Sábados R$ 80 | Domingos R$ 70

 

Duração: 105 minutos

Recomendação: 14 anos

 

 Estreou dia 06 de Maio

Temporada: até 31 de Julho