Crítica: Uma Reverência a Juca de Oliveira em Rei Lear

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com

"REI LEAR"com Juca de Oliveira. Foto: divulgação
“REI LEAR”com Juca de Oliveira. Foto: João Caldas

SÃO PAULO – Assistir a montagem de Rei Lear em cartaz no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura, é um programa indispensável para quem valoriza o bom teatro e um ótimo ator em cena.  A famosa história do inglês William Shakespeare parece reinventada para o bel prazer  do ator Juca de Oliveira, que com 60 anos de carreira arrebata a plateia interpretando os oito personagens da história.

A tradução e adaptação de Geraldo Carneiro, feita especialmente para ser um monólogo estrelado pelo veterano dos palcos, ganha um sabor especial com a direção de Elias Andreato – o mestre nos clássicos sem firulas. O diretor tem como característica “jogar” luz nos atores e valorizar o bom texto. E assim o fez em Rei Lear.

REI LEAR
“REI LEAR” com Juca de Oliveira. Foto: João Caldas.

A união da adaptação de Carneiro com o estilo de Andreato consagra Juca de Oliveira como ele merece e como todo ator sonha. Imagine poder estrelar um Shakespeare, arriscando um monólogo e interpretando personagens de gêneros, gênios e vidas distintas? Em uma hora de espetáculo, o ator brilha, dá dinamismo às cenas, contorna os erros e se agiganta perante a um verdadeiro presente/homenagem que lhe é prestado em vida – ainda bem.

Seria injusto também não mencionar o figurino e o cenário Fabio Namatame, a trilha sonora de Daniel Maia e a iluminação de Wagner Freire, que formam um conjunto indispensável para o resultado. O figurino e o cenário são simples e atemporais – principalmente. Tudo para conspirar a favor do protagonismo de Juca de Oliveira, que parece dançar um balé das artes cênicas com a trilha em estilo mais clássico, que entra em harmonia com as variações de cores da iluminação. As mudanças das luzes, o cenário neutro e a trilha têm papel fundamental de pontuar os diferentes momentos do enredo contado.

"REI LEAR"com Juca de Oliveira. Foto: divulgação
“REI LEAR”com Juca de Oliveira. Foto: João Caldas

Aliás, dá a impressão que um dos objetivos de Carneiro queria era não deixar dúvidas da atemporalidade ou até da extrema contemporaneidade do clássico Rei Lear. A tradução é leve e a ousadia inédita de fazer um monólogo evidenciam algumas prioridades. Com esses dois elementos, a narrativa fica mais próxima do público que pode se identificar muito com a história escrita há séculos.

Rei Lear é a história de um velho rei que ao se “aposentar” tem que decidir como distribuir o seu poder entre as três filhas. A partir desse prólogo, o texto possibilita a reflexão de variados temas relacionados a família, idade, legado, amor, orgulho e poder. Discussão impreterível nesta sociedade que soma longevidade e pessoas da terceira idade. Melhor ainda, é poder vincular um necessário exercício do pensamento com um programa teatral de qualidade.

REI LEAR
TEATRO EVA HERZ
Livraria Cultura – Conjunto Nacional
Avenida Paulista, 2073 – Bela Vista
Bilheteria: 3170-4059 / www.teatroevaherz.com.br
Terça a sábado, das 14h às 21h. Domingos das 12h às 19h. Formas de Pagamento: Dinheiro / Cartões de débito – Visa Electron e Redeshop / Cartões de crédito – Amex, Visa, Mastercard, Dinners e Hipecard. Não aceita cheque.
Vendas: www.ingresso.com e 4003-2330
Sextas e Sábados às 21h | Domingos às 19h
Ingressos: R$ 60
Duração: 60 minutos
Classificação: 14 anos
Estreia 18 de Julho
Temporada: até 12 de outubro

Ficha Técnica:
Texto: William Shakespeare
Tradução e Adaptação: Geraldo Carneiro
Elenco: Juca de Oliveira
Direção: Elias Andreato
Assistente de Direção: André Acioli
Figurino e Cenário: Fabio Namatame
Iluminação: Wagner Freire
Preparação Corporal: Melissa Vettore
Trilha Sonora: Daniel Maia
Fotografia: João Caldas
Logo: Elifas Andreato
Programação Visual: Vicka Suarez
Assessoria de Imprensa: Morente Forte
Gestão de Patrocínios: AT Cultural
Administração / Lei Rouanet: Sodila Projetos Culturais
Direção de Produção: Keila Mégda Blascke

 

 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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