Crônica: Exigências após o fim da quarentena

NA REDE – Não se trata de novidade pensarmos, num cotidiano próximo, na realidade pós-COVID-19, tema da crônica semanal de Ricardo Reis. Nela, utilizando humor ácido – ora nos remetendo ao Teatro do Absurdo – nosso colaborador relata “exigências” a tomar quando a fase do isolamento social passar.

Crônica: Exigências após o fim da quarentena

 

 

Amigos… amigos… não me levem a mal, mas eis aqui minhas exigências para quando terminar essa porra de quarentena.

Abraços? Nunca mais! No máximo um aperto de mão mais apertado, como são feitos nos negócios, e isso se tiver algum banheiro próximo com água e sabão disponíveis. Fora isso o distanciamento de 1,5m será mantido.

Elevador? Somente se for uma pessoa de cada vez. Eu não passaria cinco segundos dentro de uma caixa metálica com alguém.

Teatro e cinema eu, particularmente, jamais entrarei novamente sem uma vacina devidamente testada e aprovada. O que deve demorar um tempo.

Ônibus e metrô? Never… isso é coisa do passado. De agora em diante andarei de UBER e na esperança de que o Google disponibilize logo seu aplicativo de transporte sem motorista.

Posso trabalhar em um ambiente fechado, mas com a condição de não espirrarem ou tossirem dentro do recinto. Uma tossida será sinal de alerta, duas será motivo para eu me levantar e procurar uma porta, na terceira eu espero estar suficientemente longe do desgraçado.

Quando estiver andando pela rua terei o cuidado de não encostar em ninguém. Irei me esquivar pelas paredes, postes, bancas de jornais, pontos de ônibus, de táxi e tudo mais que me oferecer alguma proteção.

Não é vaidade, não é arrogância, não é espírito de superioridade… São as circunstâncias, meus amigos, são os sintomas deste século que bateram à nossa porta, que inspiraram o medo e a inquietação. Se ajo assim é porque não me resta outra saída, é porque o mundo é uma verdadeira prisão.

Quem quiser falar comigo que use as redes sociais, principalmente se estiver ao meu lado, não quero ninguém cuspindo em cima de mim para mandar um recado.

De agora em diante usarei luvas, máscaras e álcool em gel pelo resto da vida.

Namoro? Bem, já tinha um tempo que meu namoro era virtual, era fruto de minha imaginação e de alguns “nudes” que recebia. Isso não muda em nada.

Bem, dito isso, espero não perder mais nenhuma amizade.

Fiquem em paz!

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