Dada a largada para a terceira edição do Festibero

Antonio Júnior, especial para o Aplauso Brasil (junior@aplausobrasil.com)

Mexicanos apresentam peça escrita por Will EisnerMontagens teatrais de países como Cuba, Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Peru, Uruguai, Colômbia e México estarão reunidas a partir desta segunda-feira (8). É a terceira edição do Festival Ibero-Americano de Teatro de São Paulo (Festibero), organizado pela Fundação Memorial da América Latina, que se estende até o próximo domingo, dia 14. Além de grandes espetáculos – todos com entrada gratuita –, estão incluídas na programação mesas de debates e uma oficina de dramaturgia coordenada pelo mestre Chico de Assis. A novidade deste ano fica por conta do circo-teatro montado ao lado do anfiteatro principal.

O Festibero é uma boa oportunidade para se ver espetáculos que dificilmente viriam ao Brasil e, deste modo, entrar em contato com grupos teatrais importantes, como, por exemplo, a Companhia Argos, formada em 1996, na cidade de Havana, em Cuba, que apresentará o espetáculo Final de Partida. Fundada pelo encenador Carlos Celdrán, professor do Instituto Superior de Arte de Cuba, a companhia já montou obras como  La Tríada o La Pequeña Orestíada, baseado na Oresteia, de Ésquilo, e As Moscas, de Jean Paul Sartre; Baal e El Alma Buena de Se-Chuan, ambos de Bertolt Brecht; La Vida es Sueño, de Calderón, entre outras.

Portugueses encerram festival com LOST IN SPACEOutro grupo confirmado é o mexicano Entre Piernas, com a peça Tom Pain, una obra basada en nada, de Will Eno. O texto do dramaturgo americano foi montado pela primeira vez pelo Entre Piernas na cidade do México em 2008. Durante toda a peça, vemos um homem descalço sobre um bloco de gelo de verdade. A direção é do mexicano Alberto Villarreal.

A grande novidade da terceira edição do festival é o Circo de Teatro Tubinho (www.tubinho.com.br), que vem pela primeira vez para uma temporada na capital, depois de percorrer as cidades do interior de São Paulo e Paraná. Trata-se de uma grande companhia de 35 circenses, que cultivam a linguagem do circo-teatro como antigamente. Comandada pelo palhaço Tubinho, a trupe interpreta um repertório de 90 textos cômicos e mantém viva a tradição do circo-teatro, que foi muito popular nas primeiras décadas do século 20, até ser suplantado pelo cinema e depois pela televisão. Tubinho montará na Praça das Sombras do Memorial sua lona de 20 m X 26 m, suficiente para abrigar 800 cadeiras, e apresentará as clássicas peças de teatro popular O Ébrio, Marcelino Pão e Vinho, A Canção de Bernadete e a comédia O Baita Macho.

O Festival

O Festibero foi criado em 2008 por iniciativa de Fernando Leça, presidente do Memorial, para identificar, estimular e colocar em contato iniciativas teatrais contemporâneas da grande nação latina. Idealizado, organizado e coordenado por Fernando Calvozo, diretor de atividades culturais do Memorial, este ano, a Comissão Curatorial da terceira edição do Festibero foi encorpada com alguns nomes importantes do teatro brasileiro, como a diretora teatral Elvira Gentil e os atores Paulo Betti e Lima Duarte. O Festival conta também com a assessoria da uruguaia Glória Levy, que desde Montevidéu ajuda a escolher os grupos teatrais da região do Mercosul, do português José Leitão e do produtor paulista Walter Malta. A coordenação das mesas de debates é da presidente da Apetesp, dramaturga e diretora teatral, Analy Alvarez. Entre os debatedores nacionais, estão confirmados Ligia Cortez, Rodolfo Garcia Vázquez e Ênio Gonçalves.

A programação (sujeita a alteração) traz os seguintes espetáculos:

8 de março – segunda-feira – Brasil

20h30 – abertura oficial – auditório Simón Bolívar.

21h00 – Monólogo O Ator, de Chico Assis, com Lima Duarte, São Paulo, Brasil – aud. Simón Bolívar.

21h30 – A Alma Boa de Setsuan, de Bertolt Brecht, com Denise Fraga, Brasil – aud. Simón Bolívar.

9 de março – terça-feira – Uruguai e Argentina

19h00 – Rodando, Buenos Aires, Argentina – aud. Simón Bolívar

21h00 – Los Padres Terribles, Montevideo, Uruguai – aud. Simón Bolívar

10 de março – quarta-feira – Peru e Brasil

19h00 – As viúvas, de Arthur de Azevedo, Grupo Tapa, Brasil – aud. Simón Bolívar

21h00 – La importancia del abrazo, Cia. Komilfó Teatro, Lima, Peru – aud. Simón Bolívar

11 de março, quinta-feira – México e Colômbia

18h00 – Tom Pain, Entre Piernas Produciones, Cidade do México, México, Praça da Sombra/Circo Tubinho

19h00 – Tu Ternura Molotov, Cia. Fundacion Teatro Nacional, Bogotá, Colômbia – Auditório Simón Bolívar

21h00 – A Tempestade e os Mistérios da Ilha,Santa Estação Cia. de Teatro, Porto Alegre, Brasil – Auditório Simón Bolívar

12 de março – sexta-feira – Cuba e Brasil

19h00 – Sonho de uma noite de verão, Grupo Rotunda, Campinas, Brasil – Auditório Símón Bolívar

21h00 – Final de Partida, Cia. Argos Teatro, Havana, Cuba – Auditório Simón Bolívar

13 de março – sábado – Espanha e Brasil

18h00 – Balada de um Palhaço, Cia. Arte & Fatos, Goiás, Brasil – Praça da Sombra/Circo do Tubinho

19h00 – As troianas, São Paulo, Brasil – Auditório Simón Bolívar

21h00 – Gris Mate, Cia. Katu Beltz, Países Bascos, Espanha – Auditório Simón Bolívar

14 de março – domingo – encerramento – Portugal e Brasil

19h00 – Homem das Cavernas, São Paulo, Brasil – Auditório Simón Bolívar

21h00 – Lost in Space, Cia. Kind of Black Box, Lisboa, Portugal – Auditório Simón Bolívar

Mostra paralela: Clássicos do circo-teatro, às 18h

9 de março – terça-feira

A canção de Bernadete – Cia. Circo Teatro Tubinho – SP – Brasil

10 de março – quarta-feira

O Ébrio – Cia Circo Teatro Tubinho – SP – Brasil

12 de março – sexta

Marcelino Pão e Vinho – Cia Circo Teatro Tubinho – SP – Brasil

14 de março – domingo

Tubinho Baixa Macho – Cia Circo Teatro Tubinho – SP – Brasil

Atividades paralelas:

Mesas de Debates

Mesa 1 : quinta-feira, 11 de março, às 16h, Sala dos Espelhos

Tema:  As escolas de teatro melhoram o nível dos atores da nova geração?

Debatedores: Lígia Cortez, atriz e diretora teatral

Zecarlos Andrade, professor

Rodolfo Garcia Vázquez, diretor teatral

Convidado internacional:

Pilar Nunes, presidente da Rede Latino Americana de Produtores Culturais Independentes, de Lima, Peru.

Mediador: Lucia Capuani, professora e diretora teatral

Mesa 2: sexta-feira, 12 de março, às 16h, Sala dos Espelhos

Tema: As tendências da nova dramaturgia

Debatedores:

Chico de Assis, mestre em dramaturgia

Ênio Gonçalves, ator, autor e diretor teatral

Glória Levy, professora e diretora teatral do Uruguai

Convidado internacional:

Raul Sansica – diretor do Festival de Teatro de Córdoba – Argentina

Mediadora: Analy Alvarez, presidente da Apetesp e diretora teatral

Mesa 3: sábado, 13 de março, às 16h, Sala dos Espelhos

Tema: Viabilidade das produções alternativas

Debatedores:

Alexandre Mate, professor

Efren Colombani, produtor cultural

Atílio Bari, ator e diretor teatral

Convidado internacional:

José Leitão, diretor teatral e coordenador do Festival Fazer a Festa, Porto, Portugal

Mediadora: Elvira Gentil

Oficina de Dramaturgia com Chico de Assis:

Sábado, 13 de março, das 12h30 àsa 15h30

Informações e inscrições: 3823.4787 (festiberoteatro@gmail.com)

Serviço:

Fundação Memorial da América Latina/Auditório Simón Bolívar

Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 Barra Funda

Fone 11 3823.4600

ENTRADA FRANCA

Obs.: programação sujeita a alteração.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.