Diálogo sobre por que montar Cats?

Michel Fernandes (michel@aplausobrasil.com)

CATS foto Dede Fedrizzi

Nesse primeiro artigo crítico com o viés de apontar alguma questão espinhosa dentro de algum espetáculo, cujo objetivo é criar um diálogo com o leitor que deixa seus comentários, prontamente respondidos por mim, escolhemos a superprodução musical Cats, em cartaz no Teatro Abril.

Sem a intenção de colocar em cheque o esmero da produção que registrou sua marca na reprodução de grandes espetáculos com matrizes na meca do teatro musical, o circuito Broadway de Nova Iorque, além daqueles estreados no West End londrino, não posso entender a lógica museológica de apresentar, seguindo à risca o espetáculo-matriz, um espetáculo que nada avança no bom gosto de musicais como A Bela e a Fera, Chicago, Rent e, até mesmo, Les Miserábles, como Cats.

Ora direis: mas os outros não foram reproduções? Sim, mas acrescentavam na exuberância do uso dos efeitos especiais, dando novo know-how aos artístas brasileiros, caso de A Bela e a Fera e Les Miserábles; re-visitavam o revolucionário coreógrafo Bob Fosse,  marcante na história dos musicais, caso de Chicago; além de trazer uma ópera-rock, com temas pra lá de atuais, e montagem mais recente da Broadway, Rent, apresentado no extinto Teatro Ópera.

Mas em que Cats contribui para o aprendizado de nossos técnicos – não nenhum efeito especial que surpreenda –  e/ ou dialoga com a realidade contemporânea.?

Atores-cantores do naipe de Saulo Vasconcellos, Sara Sarres, e, até mesmo, a cantora Paula Lima, em minúscula participação, dão ao espetáculo os grãos necessários para a qualidade deste que é um show, com belas melodias, coreografias de gosto duvidoso para padrões mais arrojados, como os de Fosse, uma boa orquestra, figurinos e cenários nada satisfatório para os que esperam uma superprodução, a ausência de conflito evidente na trama principal.

Fica proposta de diálogo: esses espetáculos de mero entretenimento não são pulverizadores da alienação?

FICHA TÉCNICA CATS
PERSONAGEM NOME
GRIZABELLA PAULA LIMA
OLD DEUTERONOMY SAULO VASCONCELOS
JELLYLORUM SARA SARRES
GUS – BUSTOPHER JONES – GROWL TIGER FERNANDO PATAU
RUM TUM TUGGER CLETO BACCIC
SKIMBLESHANKS DANIEL MONTEIRO
MUNGOJERRIE CESAR MOURA
MUNKUSTRAP JULIO MANCINI
PLATO / MACAVITY ARTHUR MARQUES
MISTOFFELES JHEAN ALLEX
CORICOPAT ADENIS VIEIRA
TUMBLE BRUTUS GABRIEL BRASÍLIO
ALONZO LEONARDO WAGNER
POUNCIVAL MAX OLIVEIRA
SWING MASCULINO 1 DITTO LEITE
SWING MASCULINO 2 FERNANDO MARIANNO
SWING MASCULINO 3 RAFAEL MACHADO
SWING MASCULINO 4 GUTO MUNIZ
JENNY ANN DOTS ANDREIA VITFER
BOMBALURINA GIANNA PAGANO
DEMETER SÉFORA ARAUJO
SILLABUB FABIANE BANG
RUMPLETEASER MARIANA HIDEMI
VICTORIA NATACHA TRAVASSOS
CASSANDRA VANESSA COSTA
ELEKTRA MARINA COSTA
TANTOMILLE PATRICIA ATHAIDE
SWING FEMININO 1 ANELITA GALLO
SWING FEMININO 2 CAROL PUNTEL
SWING FEMININO 3 MARIANA BARROS
PIT SINGER (Cover de Grizabella) OLIVIA BRANCO
PIT SINGER ANDREZZA MASSEI
PIT SINGER (Cover de Jenny Ann Dots e Jellylorum) CARLA COTTINI
PIT SINGER FRANCINE LOBO
PIT SINGER (Cover de Gus – Bustopher) ANDRÉ SAPORETTI
PIT SINGER NICK VILA MAIOR
PIT SINGER PAULO BORGES
PIT SINGER  (Cover de Deutoronomy) FERNANDO PALAZZA
CRIATIVOS FUNÇÃO
Richard Stafford Diretor e Coreógrafo
Stan Tucker Supervisor Musical
Marina Stevenson Coreografa Associada
Floriano Nogueira Diretor e Coreógrafo Residente
Miguel Briamonte Diretor Musical
Paulo Nogueira Regente
DESIGNERS E ASSOCIADOS
Stuart Porter Designer de Luz Associado
Fraser Hall Designer de Luz Associado
Gaston Briski Designer de Som
Alejandro Zambrano Designer de Som Associado
Stuart Andrews Programador de Teclados
Genevieve Petitpierre Supervisora de Figurinos
Feliciano Sosa Supervisor de Perucas e Maquiagem
Matt Towell Supervisor Tecnico
PRODUÇÃO T4F
Almali Zraik Produtora Geral
Mariana Monticelli Coordenadora de Produção
Katia Placiano Produtora Executiva
Rosana Guerra Coordenadora administrativa
Enide Nascimento Analista Financeira Júnior
Beatriz Ramsthaler Company Manager
Mara Cesar Assistente de Produção
Marcelo Gonzalez Diretor Técnico
Esequiel  Tibúrcio Jr. Supervisor Técnico
Head Stage Raul Godoy
Stage Managers Camila Yumi
Caroline Vieira
Gustavo Collesi
Rogério Catão Gomes

SERVIÇO – CATS

Realização: TIME FOR FUN

Apresentação: Bradesco Seguros e Previdência

Co-Patrocínio: Whiskas

Local: Teatro Abril – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista

Site: www.musicalcats.com.br

Gênero: Musical

Telefones para informações: 4003-5588

Venda a grupos: (11) 2846-6232

Temporada: 4 de março a 30 de maio

Horários: Quintas e Sextas às 21h; Sábados às 17h e 21h; e Domingos às 16h e 20h.

Duração do espetáculo: 2h40min (com 20 minutos de intervalo)

Classificação etária: Livre – Menores de 12 anos acompanhados dos pais ou responsável legal.

Capacidade: 1.530 lugares

Assentos: O teatro conta com 16 assentos para deficientes físicos e 11 para pessoas obesas.

Estacionamento: O teatro não possui estacionamento próprio

Meio de Pagamento Preferencial: American Express MemberShip Cards e Bradesco Cartões

Acesso para deficientes

Ar condicionado

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.