Do Começo ao Fim chega aos cinemas

 
Filme traz temas polêmicos: Homossexualidade e Incesto.
Filme traz temas polêmicos: Homossexualidade e Incesto.

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

 

O filme já estreia sob a égide da polêmica. Do Começo ao Fim, novo trabalho do cineasta Aluizio Abranches, que dirigiu filmes como Um Copo de Cólera e As Três Marias teve, em maio deste ano, alguns trechos exibidos na Internet. Foi o suficiente para se instaurar uma grande curiosidade com relação à obra, que chega às telas brasileiras no dia 27 de Novembro.

 

 Assista ao teaser de Do Começo ao Fim

 

Foram milhões de acessos aos fragmentos da obra no Youtube. Tudo isso, porque Abranches em seu novo filme,revela a delicadeza de uma relação atípica: o amor entre dois irmãos, Thomás e Francisco.

 

É a partir de uma relação marcada pelos tabus do incesto e homossexualidade que o cineasta apresenta um manifesto em favor da liberdade em um mundo cada vez mais contaminado por regras e opressões. O filme conta a história de um amor incondicional como uma possibilidade, como um contraponto para um mundo cheio de violência, medo e intolerância, afirma Abranches.

 

 

 

 

 

 

 

Júlia Lemmertz vive médica
Júlia Lemmertz vive médica

 

A médica Julieta (Julia

 

 

Construída aos poucos, ao sabor dos pequenos acontecimentos, a relação entre os irmãos só acontece graças à figura de Julieta, que se transforma no principal alicerce do relacionamento. Abranches costuma descrevê-la como uma mulher com outra mentalidade. Sua personalidade se encaixa bem em uma frase de Bernard Shaw, que dizia: ‘Algumas pessoas olham para o mundo e perguntam ‘por quê?’. Eu penso em coisas que nunca existiram e me questiono ‘por que não?’’.

 

 

Sua certeza é reforçada pela presença de Rosa (Louise Cardoso), amiga e governanta dos meninos, que compartilha da cumplicidade da família.

 

 

‘Por que não?’ é a essência da resposta que Julieta oferece a Pedro. Também é o que parece dizer a expressão de seu rosto quando acompanha uma discussão de Alexandre com Francisco, que sai em defesa do irmão, repreendido pelo pai.

 

 

Foi realmente essencial o elenco entender a paixão daqueles meninos sem preconceito, como algo que acontece entre dois rapazes de bem com a vida, comenta Julia Lemmertz, intrigada com o roteiro na primeira leitura. Aos poucos, percebi que o filme não julga os personagens e nem ostenta um sentimento de culpa, analisa a atriz.

 

 

Júlia Lemmertz é uma atriz fetiche de Aluizio. É o terceiro filme em que ela atua, sob a direção do cineasta.  

 

Júlia comenta:Há um clima de cumplicidade entre nós. Se senti alguma estranheza inicial com o roteiro, logo terminou porque confio plenamente em seu trabalho.

 

 

A produção, no entanto, enfrentou o preconceito que ainda rodeia temas considerados tabus como homossexualidade e incesto. Foi muito difícil vender o filme para os empresários. Levamos vários ‘nãos’. Diziam que o conselho da empresa não ia aceitar um tema desses, alegavam problema de verba, conta Aluizio, lembrando-se de sugestões que recebeu para alterar o roteiro da obra como trocar para duas irmãs ou ainda dois primos.

 

 

Esta não é a primeira vez que o cinema brasileiro aborda o tema do amor entre dois irmãos. Em 1979, houve A Intrusa, uma produção Brasil-Argentina, dirigida por Carlos Hugo Christensen, que narrava a história de dois irmãos, tropeiros do pampa gaúcho, que se apaixonavam entre si.

Lemmertz) é mãe de Francisco (interpretado por Lucas Cotrim quando criança e por João Gabriel quando adulto), fruto de seu relacionamento com o argentino Pedro (JeanPierre Noher). Depois da separação, ela conhece o arquiteto Alexandre (Fábio Assunção), com quem tem outro filho, Thomás (Gabriel Kaufman/Rafael Cardoso). Como cria os meninos juntos, Julieta é a primeira a perceber que no carinho dos irmãos se desenha uma sólida paixão.lfw@aplausobrasil.com)

 

 

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

1 comentário

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*