Dois filmes merecem especial atenção no 20º Festival Mix Brasil

Maurício Mellone, especial para o Favo do Mellone – parceiro do Aplauso Brasil  (mellone@aplausobrasil.com)

Depois da cerimônia de abertura, com contou com a presença de autoridades, atores, diretores e jornalistas, o festival apresentou o longa Caminho das Dunas, que reprisa amanhã, terça, no Itaú Augusta

“Caminho das Dunas”

SÃO PAULO – Uma das grandes satisfações que um festival de cinema proporciona é ter a chance de conhecer um pouco mais das mais diversas culturas espalhadas pelo mundo. É o que o 20º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade vem nos oferecendo desde a última quinta-feira. E a maratona cinematográfica se estende até a próxima quinta-feira (15) — mas até domingo o público pode curtir ainda atrações musicais, teatrais e a balada literária comandada pelo escritor Marcelino Freire.

A abertura contou com a apresentação da atriz Fabíola Nascimento, que logo chamou ao palco os diretores do Festival, André Fischer e João Federici. Além de saudarem a plateia lotada do Cine SESC, ambos fizeram questão de enfatizar que esta vigésima edição do festival chega ampliada:

“A ampliação da programação se consolida neste ano com  a chegada da Balada Literária, que se soma ao teatro e à musica já presentes em edições anteriores. Tudo isto foi possível graças ao apoio do público, que teve forte aumento no ano passado, e ao fortalecimento das parcerias com os governos estadual, municipal e federal”, afirma Fischer.

Estão sendo exibidos 36 longas-metragens internacionais, 52 curtas brasileiros, sendo 16 em competição, além das peças teatrais, leituras dramáticas e as festas com DJ’s convidados.

O filme que abriu o 20º Festival MixBrasil de Cultura da Diversidade e volta a ser apresentado hoje na sala 3 do Espaço Itaú de Cinema, foi o longa da Bélgica Caminho das Dunas (Noordzee Texas). Com direção de Bavo Defurne, o filme conta a história de Pim, um garoto introvertido e tímido que vive com a mãe Yvette numa cidadezinha litorânea da Bélgica. Como a mãe, uma ex-rainha da beleza, adora curtir a noite com amigos, Pim permanece grande parte do dia só em seu mundo de fantasia, desenhando e sonhando.

“Parada”

Na adolescência, Pim passa a se interessar por Gino, seu vizinho, dois anos mais velho que ele: ambos não se desgrudam e o garoto conhece o sexo ao lado de Gino. Como tudo na vida não se restringe às delícias do amor, Gino muda-se para uma cidade maior para estudar e inicia um namoro com uma garota, para desespero e frustração de Pim. Para completar, Yvette aluga um quarto da casa para Zoltan e, numa noite, ambos são flagrados na cama pelo garoto.

Num ritmo pausado em sintonia com o universo interior do garoto, Caminho das Dunas emociona e traz uma reviravolta ao final.
Outro filme que me impressionou foi Parada, longa da Sérvia dirigido por Srdjan Dragojevic. Numa realidade bem diferente da que conhecemos, realizar uma Parada Gay em Belgrado é quase um ato heroico. Num ambiente hostil e de muita homofobia, o ato público dos direitos humanos e de orgulho da comunidade LGBT vira uma batalha campal, com o ativista gay Mirko sendo assassinado em praça pública. O inusitado do roteiro é que os gays são defendidos por um gangster sérvio até então homofóbico, mas que por circunstâncias e influência de sua noiva, passa a conhecer o casal gay e lidera a defesa da causa homo-afetiva em seu país.

Acompanhe a programação do festival acessando o site http://www.mixbrasil.org.br/#&panel1-1

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.