“Dos Escombros de Pagu” celebra centenário de Patrícia Galvão

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Renata Zanetha é Pagu

Para comemorar os 100 anos de Patrícia Galvão, peça de Tereza Freire faz um passeio pela carreira da jornalista, escritora e ativista política

Teatro é mesmo uma arte coletiva. Mesmo que seja um monólogo, como “Dos Escombros de Pagu”, em cartaz no Teatro Eva Herz, a montagem atual é o resultado do sonho inicial de três pessoas, Tereza Freire, Roberto Lage e Renata Zhaneta, autora, diretor e atriz do espetáculo.

No entanto, esse sonho inicial, o de fazer uma homenagem aos 100 anos de nascimento de Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, escritora, jornalista e principalmente a humanista, que lutou durante toda a vida contra a opressão e a desigualdade, se transformou nesse espetáculo delicado e emocionante, que reúne uma equipe brilhante como Wagner Freire (iluminação), Heron Medeiros (cenário), Gilda Bandeira de Mello (figurino) e Aline Meyer, que une a poesia de Caetano Veloso e a emoção de Edith Piaf na trilha sonora!
Mais do que o mito ou a musa do movimento antropofágico de Oswald de Andrade, a Pagu que se vê no palco pela tocante composição de Renata Zhaneta é uma mulher de 52 anos (a idade em que a homenageada morreu, em 1962) que revisita sua existência e escancara suas fragilidades, fraquezas, opções e escolhas diante da vida. Da garotinha que já se sentia diferente e alheia às brincadeiras infantis, à adolescente transgressora e ao mesmo tempo inocente; da militante comunista à presa política.

No monólogo de Tereza Freire, Pagu está no centro do palco e revê toda sua tumultuada e sofrida trajetória. O que me chamou muito a atenção nos relatos da personagem foi exatamente o sentimento com relação a Rudá: em diversas vezes Pagu abandonou o filho em detrimento de suas escolhas políticas.

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E aí outra vez o mérito para a atriz, que com o olhar triste e lacrimoso demonstra toda a angústia de mãe.

A peça é fruto da dissertação de mestrado de Tereza, que levou quatro anos de pesquisa. Com o fim do trabalho acadêmico, a autora sentiu necessidade que o público tivesse acesso à vida dessa artista que marcou a história do Brasil dos anos 1930, com suas ações e pensamentos inovadores.

“Depois de ver o meu trabalho pronto, senti que era importante torná-lo público. Aí escrevi a peça e entreguei ao Lage. Estou muito feliz com a encenação e o trabalho da Renata. Está tudo lindo”, confessa a autora. Dos Escombros de Pagu permanece em cartaz até 18 de novembro, sempre às quartas e quintas, às 21h.

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Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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