Drama surrealista que mescla desespero e humor estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade 

 

SÃO PAULO – O escritor e crítico de arte francês Guillaume Apollinaire (1880 – 1918) é conhecido por ter inaugurado o termo surrealismo nas artes. A peça As Mamas de Tirésias, de sua autoria, foi escrita em 1903 e é reconhecida por muitos como a obra que inaugurou o termo do movimento vanguardista. A partir do dia 1º de fevereiro, o diretor André Capuano estreia uma montagem desse texto na Oficina Cultural Oswald de Andrade. No elenco estão as atrizes Gilka Verana, Ana Paulla Mota e Priscilla Carbone. Também está em cena Almir Rosa como O Povo de Zanzibar, personagem representado pela discotecagem do espetáculo. A temporada vai até 25 de abril, aos sábados, às 11h.

Além da peça, haverá também uma oficina de teatro ministrada pelo diretor e elenco do espetáculo e uma mostra de cinema surrealista que levará à Oswald de Andrade filmes icônicos que correspondem à essa temática, como Cidade dos Sonhos O Anjo Exterminador (os detalhes da programação paralela seguem abaixo).

O drama surrealista As Mamas de Tirésias conta a história de Teresa, que ao romper com seu marido – um homem alucinado por toucinhos – o amarra, se veste com suas roupas, corta as próprias mamas e reivindica a liberdade assumindo a identidade de General Tirésias. Em seguida, ela inicia uma campanha contra a procriação. Seu marido, numa afronta, gera sozinho dezenas de milhares de bebês macabros. O enredo, absurdo, se soma a uma escrita fragmentada e em versos, elementos representativos da dramaturgia de Apollinaire.

Em processo de criação há três anos, a equipe composta pelas três atrizes fez o convite para que André Capuano dirigisse a peça. “O acordo que fizemos quando assumi a direção era de que materializássemos ao extremo todos elementos propostos pelo texto, com cada atriz concebendo cada cena a partir de suas próprias inquietações e vontades artísticas”, conta André.

Segundo o diretor, as cenas propostas eram muito diferentes entre si e, não raro, uma contrapunha a outra, o que gerou a concepção da peça. A dificuldade de olhar para a peça como um todo, por causa das diferentes visões apresentadas pelas atrizes, se revelou o gesto principal do espetáculo. A solução foi o aproveitamento máximo das propostas trazidas por cada uma das atrizes para cada parte do texto. Em seguida, André selecionou e sobrepôs os materiais criados, acrescentando também sua visão e conduzindo a criação coletiva das versões finais das cenas e do espetáculo.

As Mamas de Tirésias é uma peça de reinvindicação e elogio à liberdade do teatro, fundamental em tempos de emergência poética, de sufocamento causado pelo avanço do conservadorismo, do ódio e da intolerância”, diz Gilka Verana. A trilha sonora composta coletivamente é fragmentada e, em seus retalhos, traz desde os sons de uma guerra em processo até músicas brasileiras de artistas como Tim Maia A Cor do Som. A discotecagem fica por conta do ator e DJ Almir Rosa, que assume o papel do Povo de Zanzibar.

 

FICHA TÉCNICA

Texto: Guillaume Apollinaire
Direção: André Capuano
Atuação: Ana Paulla Mota, Gilka Verana e Priscilla Carbone
Discotecagem e operação de som: Almir Rosa
Coreografias: Paula Petreca
Direção de arte: André Capuano
Cenografia: Julio Dojcsar
Figurino: Julio Dojcsar, Ana Paulla Mota, Gilka Verana e Priscilla Carbone
Assistência de palco e assistência de produção executiva: Muninn Constantin
Locução: Marcelo Rocha
Fotos: Fábio Amaro e André Capuano
Produção: Gilka Verana e Weber Anselmo Fonseca

 

SERVIÇO

As Mamas de Tirésias

01 de fevereiro a 25 de abril de 2020. Sábados, às 11h.

Local: Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro, São Paulo

Ingressos: Grátis.

Duração: 150 minutos.

Gênero: Drama surrealista.

Classificação Indicativa: 18 anos.

 

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

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