DUAS SEMANAS SEM A DAMA DISCRETA DOS GRANDES MUSICAIS

Luís Francisco Wasilewski, do Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Ada Chaseliov , 63 anos, lutava contra um linfoma (Foto: Facebook/ Arquivo pessoal)
Ada Chaseliov , 63 anos, lutava contra um linfoma (Foto: Facebook/ Arquivo pessoal)

SÃO PAULO – Rosto expressivo, voz potente e uma grande presença cênica. Quem acompanhou grandes musicais encenados no Brasil como A Noviça Rebelde, Gypsy e Um Violinista no Telhado lembra com clareza da atuação de Ada Chaseliov, que nos deixou no dia 27 de outubro.

Ada era assim. Com sua elegância cênica abrilhantou o teatro musical brasileiro desde o começo da chamada “Broadway Brasileira”. Não chegou a protagonizar nenhum espetáculo do gênero, no entanto seu talento era a prova inconteste de que não há pequenos papéis, mas sim pequenos atores. Foi uma dama discreta dos  grandes musicais.

Na televisão também seus papéis coadjuvantes acabavam ocupando um grande espaço nas telenovelas. Guardo na memória, especialmente, suas atuações na primeira versão de Guerra dos Sexos, no ano de 1983 e em Belíssima, em 2005. Por sinal, as duas novelas foram escritas por Sílvio de Abreu, que soube reconhecer o potencial dramático da atriz.

Agora, com sua partida o teatro musical e a televisão perdem muito. Não teremos mais a atriz que soube, como poucas conseguiram, se destacar nos papéis coadjuvantes.

Luís Francisco Wasilewski

Pós-Doutor pelo Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ Mestre e Doutor em Literatura Brasileira pela USP Tem artigos sobre teatro publicados em periódicos como Zero Hora, Correio do Povo, Aplauso Brasil e a revista Quero Teatro Autor do livro Isto é Besteirol: o Teatro de Vicente Pereira, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2010. Contato pelo e-mail:fran_theatro@yahoo.com.br