Édipo: montagem concisa de Elias Andreato

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone, parceiro do Aplauso Brasil(aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Tânia Bondezan e Eucir de Souza, respectivamente, Jocasta e Édipo

Tragédia de Sófocles recebeu a adaptação e é dirigida pelo ator, que também está no elenco ao lado de Eucir de Souza, Tânia Bondezan, Romis Ferreira, Daniel Maia, Nilton Bicudo e Clóvys Tôrres

Numa montagem enxuta de 70 minutos, Elias Andreato adaptou a tragédia grega de Sófocles,Édipo Rei, e leva ao palco do Teatro Eva Herz a peça Édipo, com Eucir de Souza na pele do rei de Tebas, Tânia Bondezan como Jocasta e Romis Ferreira como Croente.

A forte ligação de Elias Andreato com esse texto é antiga: em 1983 ele estava no elenco de Édipo Rei, dirigida por Márcio Aurélio, em que vivia Creonte —Renato Borghi e Ítala Nandi eram Édipo e Jocasta. Num texto de divulgação da peça, Elias confessa seu amor pelas palavras de Sófocles:

“Nós artistas vivemos à beira do abismo e, como Édipo o decifrador de enigmas, somos escolhidos na escala social para enfrentarmos a Esfinge. O teatro para nós é o oráculo divino onde os deuses manipulam e tecem nosso destino. Nossa paixão cega pela arte alivia nossa dor diante da verdade e nos faz acreditar no nosso livre arbítrio.”

Com o elenco disposto em semi-círculo no centro do palco e com três atores com acordeon marcando o rtimo do espetáculo, a clássica história trágica do rei de Tebas é contada com o auxílio do narrador, função de Nilton Bicudo, e no embate entre os personagens, com diálogos cortantes e precisos.
Com a soberba e a força que o poder lhe concedia, Édipo, muito bem interpretado por Eucir, decide desvendar os mistérios da morte de seu antecessor, Laio. Vítima do destino, Édipo descobre que ele é o assassino do rei, que por sua vez era seu pai. A verdade macabra vem à tona quando ele já estava no trono, casado com a rainha, sua mãe, e pai de seus irmãos! Jocasta suicida-se e o rei em desespero fura os próprios olhos. De soberano, Édipo passa a mendigar pelas ruas de Tebas como um desgraçado (sem as boas graças!).

Elias Andreato vive Tirésias

Tirésias, o vidente cego vivido por Elias, tem um confronto com o rei em que o jogo de palavras e de sentidos elucida a trama: “tu me ofendes de cego que nada vê, mas és tu que tudo vês e não enxerga a verdade”. Que o ser humano tivesse a paixão cega pela verdade como o rei de Tebas!

Destaque ainda para o desenho de luz de Wagner Freire, que reforça a proposta da direção nos embates dos personagens, e o lindo cartaz criado por Elifas Andreato, irmão do diretor.

Fotos: Fernando Antunes e Henrique Araújo

Roteiro:
Édipo, de Sófocles.  Adaptação, direção e cenário: Elias Andreato. Elenco: Eucir de Souza, Tânia Bondensan, Romis Ferreira, Nilton Bicudo, Daniel Maia, Clóvys Tôrres e Elias Andreato. Música composta: Daniel Maia. Desenho de luz: Wagner Freire. Figurino: Laura Huzak Andreato e Marc Lab. Programação visual: Elifas Andreato. Fotos: Águeda Amaral. Direção de produção: Marlene Salgado. Assistente de direção: André Acioli

Serviço:
Teatro Eva Herz (166 lugares), Av. Paulista, 2073- Livraria Cultura/Conjunto Nacional; Informações:             (11)3170-4059       www.teatroevaherz.com.br . Terças às 21h. Ingresso: R$ 40. Duração: 70 min. Classificação etária: 14 anos. Bilheteria: terça a sábado, das 14 às 21h; domingo das 12 às 19h. Aceita todos os cartões e não se aceita cheques. Vendas pela interneta- WWW.ingresso.com Vendas por telefone: 4003-2330. Temporada até 21 de junho.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.