Eles voltaram melhores ainda

Luís Francisco Wasilewski, colunista e crítico teatral do Aplauso Brasil
Luís Francisco Wasilewski, colunista e crítico teatral do Aplauso Brasil

Luís Francisco Wasilewski, especial para o Aplauso Brasil (lfw@aplausobrasil.com)

Em 1980, Macksen Luiz utilizou pela primeira vez em uma crítica teatral a expressão “Besteirol”, que acabou designando uma série de comédias feitas no Rio de Janeiro e São Paulo, na década de 1980. Agora, Stella Miranda criou uma denominação e, eu acho, que sou o primeiro a utilizá-lo em uma crítica jornalística. Trata-se de Besteiral, a saber, o Besteirol musical. Este intróito é para falar da volta do Besteiral Subversões que, 21

O “Besteiral” “Subversões 21”

anos após a sua estreia, chega com o título de Subversões 21.

O espetáculo continua sendo dirigido por Stella Miranda e traz no elenco os excelentes Aloísio de Abreu, Luís Salém e Márcia Cabrita. E, para definir a montagem, Stella cunhou o termo Besteiral.

Subversões já possui a aura de cult. Meu Nome é Creuza, versão que eles criaram com base em O Amor e o Poder já virou hit e se eles não cantam a música nos sucessivos retornos do espetáculo, o público reclama da mesma maneira que faz em um show em que Cauby não cante Conceição, ou em um em que Roberto Carlos não apareça com Emoções.

Além de Meu Nome é Creuza há outras versões hilárias nesta nova temporada. Caetano Veloso é uma das “vítimas” prediletas do trio e aparece no novo show com as ótimas Tarja Preta (subversão de A Luz de Tieta) e Pizzaria Guanabara (inspirado em O Estrangeiro).

Subversões 21 mantém as melhores características do Teatro Besteirol, que são o humor crítico, a iconoclastia, o que transforma a peça em uma deliciosa crônica dos costumes brasileiros. Há também excelentes números de plateia que o trio executa, uma herança assimilada do Teatro de Revista.

Portanto, se você quer assistir a um excelente Besteiral, não perca Subversões 21. O trio voltou e, felizmente, eles estão ainda mais mordazes e ferinos.

Roteiro das músicas:

“O sub não se acabou” (versão de “O mundo não se acabou”, sucesso na voz de Carmen Miranda)

“Gargalhada já” (versão de “Bad romance”, de Lady Gaga)

“Tarja preta” (versão de “Tieta”, de Caetano Veloso)

“De novo é novo” (versão de “De noite na cama”, de Caetano Veloso)

“Disque D” (versão de “Deus Dará”, de Chico Buarque)

“P da vida” (versão de “P da vida”, do grupo Dominó)

“Bundalada” (versão de “Nossa gente”, de Caetano Veloso)

“Me paguem” (versão de “My way”, sucesso na voz de Frank Sinatra)

“Pizzaria Guanabara” (versão de “Estrangeiro”, de Caetano Veloso)

“Bichas do Brasil” (versão de “W/Brasil”, de Jorge Ben Jor)

“Vai pastar” (versão de “Vai passar”, de Chico Buarque)

”Eu não lembro” (versão de “Manhãs de setembro”, sucesso na voz de Vanusa)

“Maria chuteira” (versão de “Maria, Maria”, de Milton Nascimento)

“Meu nome é creuza” (versão de “O amor e o poder”, sucesso na voz de Rosana)

“Nós somos bons” (versão de ‘We are the world’, de Quincy Jones)

Subversões 21

Teatro dos Quatro. R. Marquês de São Vicente, 52 Rio de Janeiro, RJ. Terças e quartas, 21h30. Até 16 mar 2011.  R$ 60.00

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.