Elias Andreato e Leonardo Miggiorin magnetizam plateia em Equus

Maurício Mellone, editor do Favo do Mellone site parceiro do Aplauso Brasil (aplausobrasil@aplausobrasil.com)

Leonardo Miggiorin e Patrícia Gasppar em "Equus"

Com adaptação e direção de Alexandre Reinecke, texto de Peter Shaffer retrata a difícil relação entre o psiquiatra e seu paciente, o rapaz que é internado depois de cegar cinco cavalos

SÃO PAULO – A montagem de Equus encenada no Teatro Folha não dá trégua aos espectadores. Começando pelo cenário, assinado por André Cortez — um haras estilizado lembrando grades de prisão —, a tensão e os conflitos marcam todo o espetáculo.

Já no prólogo, Dr. Maritn Dysart, o psiquiatra interpretado com brilhantismo por Elias Andreato, dá o tom denso e misterioso da trama: o que levaria o adolescente Alan (vivido por Leonardo Miggiorin), de classe média e aparentemente saudável, a cometer crime tão violento e sem justificativas aparentes? Como o garoto que tinha verdadeira fixação por cavalo chegaria a cegar cinco animais?

O autor, por meio do método minucioso e criterioso da psiquiatria, vai levantando hipóteses sobre as razões do crime e assim envolve o público do início ao fim.
O que conduz a trama não é a descoberta da autoria do crime, já que o médico é chamado para elucidar o caso depois do ocorrido. A elucidação do ato criminoso é o fio condutor da peça: o médico busca desvendar as condições psíquicas do rapaz para cometer tamanha atrocidade.

Para isto, Dr. Dysart inicia uma intensa investigação sobre a vida de Alan, filho de um comunista, funcionário de gráfica (Jorge Emil), e de uma dona de casa muito religiosa (Patrícia Gasppar). As informações técnicas do processo são dadas ao médico pela autoridade judicial (Mara Carvalho), mas o que mais auxilia a investigação são os depoimentos trazidos pelos pais do adolescente. Alan, nas sessões com o psiquiatra, vai de um pólo a outro, da introspecção e rebeldia à entrega e confiança plena.

Leonardo Miggiorin e Bruna Thedy em "Equus"

O cativante do texto de Peter Shaffer é que mais do que entender o caso de Alan, durante o processo terapêutico quem mais se recicla e se questiona como pessoa e como profissional é o próprio médico.

O impacto maior fica mesmo para as cenas em que Alan demonstra seu fascínio e atração pelo cavalo: só e na calada da noite é que o garoto, totalmente nu, vai ao estábulo onde trabalha e vive o êxtase ao cavalgar.

“Alan é apaixonado, intenso, tem um grau de desequilíbrio tênue. Cuido para não deixá-lo estereotipado ou caricato, mas ao mesmo tempo, ele beira a esquizofrenia, tem uma faísca de loucura, de surto. A relação que ele tem com os cavalos é espiritual. Ele enxerga o sagrado, o divino nesta relação. Ele me exige muita concentração, é preciso muita energia”, confessa o ator.

Além da interpretação visceral de Leonardo Miggiorim, outro destaque de Equus — montada no Brasil em 1976 por Celso Nunes, com Paulo Autran e Ewerton de Castro nos papéis centrais — é a belíssima condução do espetáculo por Elias Andreato.

Com a direção precisa de Reinecke, o ator dá o tom exato para o texto envolvente e misterioso de Peter Shaffer. O espetáculo marca a reabertura do Teatro Folha, que passou por uma reforma, e permanece em cartaz até início de julho.

Roteiro:
Equus
. Dramaturgia: Peter Shaffer. Adaptação e direção: Alexandre Reinecke.  Elenco: Elias Andreato, Leonardo Miggiorin, Patrícia Gasppar, Jorge Emil, Mara Carvalho, Léo Steinbruch, Gustavo Malheiros, Bruna Thedy e Fernanda Cunha. Cenários: André Cortez. Figurinos: Renata Young. Iluminação: Paulo Cesar de Medeiros. Direção musical: Tunica. Preparação corporal: Carol Mariottini. Fotografia: Chris Ceneviva. Coordenação de produção: Isabel Gomez.

Serviço:
Teatro Folha (305 lugares), Shopping Pátio Higienópolis, Av. Higienópolis, 618, tel: (11) 3823-2323. Horários: sexta, 21h30, sábado, 21h e domingo, 20h. Ingressos: R$40 (setor 2) e R$60 (setor 1). Televendas: (11) 3823-2737 ou: www.teatrofolha.com.br. Vendas por telefone e internet. Aceitamos dinheiro e cartões. Estudantes e idosos têm descontos legais. Clube Folha 25% desconto. Horário da bilheteria: de terça a quinta, das 15h às 21h; sexta, das 13h às 24h, sábado, das 12h às 24h e domingo, 12h às 20h.  Acesso para deficientes físicos, ar condicionado. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Temporada: até 1º de julho.

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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