EM CARTAZ : COM DIREÇÃO DE DIEGO MOSCHKOVICH “O CORPO QUE O RIO LEVOU” ESTREIA NO CENTRO CULTURAL SÃO PAULO

Cassiano Leonardo especial para o Aplauso Brasil ( cassiano@aplausobrasil.com.br )

SÃO PAULO – Disparado pelo assombro causado com a ascensão do conservadorismo e do fascismo no Brasil, O Corpo Que o Rio Levou parte da necessidade de investigar e criar uma reflexão cênica sobre a permanência e a duração dos resquícios sentimentais, comportamentais e identitários dos crimes cometidos pela ditadura civil-militar dos anos 1964-1989. A montagem, do Laboratório de Técnica Dramática – LABTD, estreia dia 4 de março, sábado, às 21 horas, no Centro Cultural São Paulo com direção de Diego Moschkovich, dramaturgia de Ave Terrena e elenco formado por Diego Chilio, Fredy Állan, Maria Emilia Faganello, Sofia Botelho e Sophia Castellano.

Ganhador da 4ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro, da Secretaria Municipal de Cultura da cidade de São Paulo, O Corpo Que o Rio Levou parte de relatórios da Comissão Nacional da Verdade (CNV) para articular o material documental com a experiência empírica de um coletivo teatral que vive um momento de acirramento das posições políticas da sociedade.

O resultado desta fricção é a criação de um texto dramático que ao mesmo tempo remete à memória e desperta a atenção para o caminho a que podem levar as posturas políticas tomadas no presente.

Em O Corpo Que o Rio Levou Elza, uma atriz em início de carreira, alheia aos conflitos sociais e à radicalização do conservadorismo em sua época, se preocupa apenas com o teste para um espetáculo chamado Ofélica Latina, uma versão latino-americana de Hamlet dirigida por um renomado diretor norte-americano. No entanto, seu marido, Abelardo, tesoureiro da Caixa Econômica, é repentinamente convocado a prestar depoimento numa delegacia, onde, sem que Elza saiba, é torturado e assassinado.

Elza passa a procurá-lo, sem entender ao certo o que pode ter acontecido e ao mesmo tempo, se iniciam os ensaios para o espetáculo, para o qual foi selecionada. Um órgão do governo, contudo, proíbe a realização do espetáculo, e Elza se vê impedida de trabalhar, e de realizar o sonho de sua vida. Vivendo, então, as consequências da violência política de seu tempo, sem saber como agir e nem como resistir, ela volta às pressas para sua cidade natal, no interior. Entremeadas à linha dramática principal da peça, vemos cenas da tortura institucionalizada, todas inspiradas nos manuais de tortura das Forças Armadas nas décadas de 60 e 70. Nelas, um locutor de rádio descreve, como num jogo de futebol, as técnicas de interrogatório aplicadas pelos oficiais do Exército durante o regime militar, e pelos policiais militares até os dias de hoje.

Para Ave Terrena, a ideia de uma dramaturgia muralista é ter muitos olhares sob a mesma realidade social.

“São cenas que se sucedem com vários pontos de vista e formam um grande mural, exatamente como nas pinturas dos mexicanos”, explica.

Ave, que em 2014 fez parte do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council, conta ainda que Ofélica Latina, a versão latino-americana de Hamlet presente na montagem, também é um texto seu.

O Corpo Que o Rio Levou traz uma peça dentro de outra. Fiz uma brincadeira de colocar um texto meu a serviço de outro. Quem sabe um dia ele também ganha os palcos em versão solo.”

FICHA TÉCNICA:

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Direção – Diego Moschkovich.
Dramaturgia – Ave Terrena.
Elenco – Diego Chilio, Fredy Állan, Maria Emilia Faganello, Sofia Botelho e Sophia Castellano.
Direção Musical – Felipe Pagliato e Gabriel Barbosa.
Direção de Vídeo – Camila Márquez (NIT).
Iluminação e Cenografia – Wagner Antônio.
Figurino – Diogo Costa.
Produção – Laura Salerno.
Realização – Laboratório de Técnica Dramática.

SERVIÇOS:

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO –
Rua Vergueiro, 1000 – Estação de metrô Vergueiro.
Telefone (11) 3397-4002.
Duração – 120 minutos. Recomendado para maiores de 14 anos.
Temporada – Sexta-feira e sábado às 21 horas e domingo às 20 horas.
Ingressos – R$ 20,00 e R$ 10,00 (meia-entrada). Até 9 de abril.
Capacidade – 66 lugares.
Bilheteria – de terça a sábado, das 13h às 21h30; e domingos, das 13h às 20h30.
Ingressos vendidos online pela www.ingressorapido.com.br ou pelo telefone 4003-1212.
Acesso para deficientes físicos. www.centrocultural.sp.gov.br
*Dia 10 de março, sexta-feira, ingresso promocional – R$ 3,00.
**Dia 1º de abril, sábado, às 17 horas, bate-papo antes do espetáculo com convidados.

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