EM CARTAZ: MARAT DESCARTES E LUCIANO CHIROLLI REESTREIAM “PONTO MORTO”

SÃO PAULO – Depois de uma temporada de sucesso, o espetáculo Ponto Morto volta aos palcos de São Paulo para contar a história da relação de amor e repulsa entre pai e filho. A montagem, que reestreia no porão do Teatro Sérgio Cardoso, é um recorte na vida de um pai atormentado pelo fardo de ter um filho limítrofe, eternamente dependente dele.

Ponto Morto fala de um assunto complexo, que é o autismo, mas de uma maneira lúdica e amorosa e mostra a retomada de um relacionamento na busca de um reencontro ou renascimento. Em cena os atores Marat Descartes e Luciano Chirolli dão vida aos personagens criados pelo autor Helio Sussekind, que com um texto forte e contundente, leva o público a analisar e discutir um assunto pouco explorado, cercado de medo, discriminação e exclusão social.

O texto, dirigido por Camilo Bevilacqua e Denise Weinberg, mostra numa sofisticada construção, onde não importa o que aconteceu antes e nem o que vai acontecer depois, é simplesmente um recorte daquele momento de duas noites na vida daquelas duas pessoas.

Ponto Morto é uma história sobre a interdependência dos seres humanos em uma de suas necessidades mais básicas: o afeto. De alguma forma, as personagens dialogam com antigas fábulas infantis, uma espécie de João e Maria às avessas onde o pai procura não deixar pista para que o filho jamais “retorne” ao ponto de partida. O pai, Humpty (Luciano Chirolli), é viúvo, tem cerca de 70 anos e vive o conflito permanente de quem habita a fronteira entre a intolerância e a consciência do dever. É um homem cheio de culpa, mas com muita vontade de acertar. Já o filho, Dumpty (Marat Descartes), de 40 anos, possui o desenvolvimento cognitivo de uma criança que vive se confrontando com uma enorme instabilidade emocional.

O ator Marat Descartes ficou impressionado com o texto, que apresenta a reprodução fiel da forma como se estabelece geralmente a comunicação com um autista. “O espetáculo traz à tona de forma radical um aspecto crucial das relações humanas: a necessidade do afeto”, conta ele. Luciano Chirolli diz que o que mais lhe chamou atenção no texto foi a força dos diálogos prestigiando a construção de imagens que o espectador venha a fazer. “Meu personagem é um homem lutando exaustivamente para dialogar com seus piores sentimentos e o texto mostra a linha tênue entre amor e a sofrível co-dependência desses dois homens”, explica o ator.

Para ela, contar uma história de um amor tão atribulado, de uma relação de amor e repulsa entre duas pessoas, ainda mais sendo pai e filho é muito interessante. “Isso vai afetar qualquer pessoa que for assistir, pois estamos falando do ser humano e isso sempre me interessou, por isso faço teatro, para poder entender melhor a complexidade e a complicação das questões da alma humana, que é onde o teatro, desde a Grécia antiga, trabalha estas questões. Estão aí até hoje os grandes temas das tragédias gregas e que até hoje e talvez nunca serão resolvidos, pois fazem parte da nossa condição humana.”

Ficha Técnica

Autor – Helio Sussekind.
Direção – Camilo Bevilacqua e Denise Weinberg.
Elenco – Luciano Chirolli e Marat Descartes.
Cenografia – Chris Aizner.
Iluminação – Wagner Pinto.
Figurino – Helena Afonso.
Trilha Sonora – Tunica Teixeira.
Produção – Marcella Guttmann.
Realização – Fixação Marketing Cultural. Temporada –
Até 29 de agosto. De terça a quinta-feira às 20 horas (não haverá apresentações dias 6, 25, 26 e 27 de julho e 22, 23, 30 e 31 de agosto).
Recomendado para maiores de 12 anos.
Duração – 60 minutos.
Ingressos ¬– R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada).
Vendas antecipadas pelo site www.ingressorapido.com.br ou pelo telefone 4003-1212.

Serviço

TEATRO SÉRGIO CARDOSO –
PORÃO –
Rua Rui Barbosa, 153 –
Bela Vista. Telefone – (11) 3288-0136
.Capacidade – 100 lugares.
Bilheteria – De terça a domingo, das 14h até o início do espetáculo.
www.teatrosergiocardoso.org.br.

Redação Aplauso Brasil (redacao@aplausobrasil.com.br)