EM CARTAZ: “UMA VIDA BOA” PRORROGA TEMPORADA NO TEATRO EVA HERZ ATÉ DIA 30 DE JUNHO

SÃO PAULO -Sucesso de público e crítica, Uma vida boa prorroga temporada em São Paulo com direção de Diogo Liberano e texto de Rafael Primot, o espetáculo traz Amanda Mirásci como protagonista e idealizadora do projeto ao lado de Pablo Sanábio. Daniel Chagas e Julianne Trevisol completam o elenco da peça, o mesmo desde 2014 quando estreou no Rio de Janeiro.

Baseado em uma história real ocorrida nos Estados Unidos em dezembro de 1993, Uma Vida Boa narra a vida de B., um homem nascido num corpo de mulher, que enfrenta as consequências de sua decisão e acaba sendo assassinado por isso. O fato que deu origem ao espetáculo inspirou também o documentário The Brandon Teena Story (1998) e o filme Meninos não choram (1999).

Uma Vida Boa propõe uma discussão ampla que vai além da questão da sexualidade e da transexualidade. É peça sobre amor e também sobre a intolerância humana.

“Estava em busca de um trabalho que pudesse ter um forte impacto sobre o público e, quando cheguei a esse acontecimento real, eu mesma fiquei impactada com a beleza e a violência dele. Interpretar um transexual me exigiu uma composição muito delicada e um estudo muito longo e aprofundado”, lembra Amanda.

Para compor o personagem B., Amanda assistiu a diversos documentários e filmes como Tomboy (2011), além de estudar o livro Viagem solitária (2011) de João Nery, o primeiro transhomem a ser operado no Brasil.

“Pude perceber como esse assunto ainda é desconhecido para muitas pessoas. Escutamos coisas como ‘aquela menina que se veste de menino’ ou ‘aquele menino que finge que é menina’, porém, não é nada disso. É um dilema humano e profundo, sobre uma pessoa que, de fato, sente e acredita ter nascido no corpo errado”, conta a atriz.

Para a criação da dramaturgia, Rafael Primot se baseou naquilo que foi publicado na imprensa na época da tragédia. No entanto, mais do que tentar ser fiel aos fatos, o dramaturgo informa: “aproveitei situações reais, mas busquei criar uma nova narrativa a partir do real”. Assim, em Uma vida boa, o que se apresenta é a mesma história, porém, através de uma cronologia descontinuada, que visa oferecer ao público deslocamentos entre o tempo presente e o fato ocorrido no passado.

A partir dos desafios da dramaturgia, a cenografia, composta por Brunella Previdente, apresenta estruturas finas de aço que remetem a portas, janelas e molduras vazadas, sugerindo um espaço frágil tal como parece ser a memória e também a vertigem acelerada da atualidade. A estética do espetáculo inspira-se nas cores e pinturas do anglo-irlandês Francis Bacon, apresentando um jogo de revelações e ocultamentos, tal como parece ser o dilema vivido por B..

É nesse universo que o diretor Diogo Liberano propõe o seguinte jogo de cena: “na memória, encenamos o fato tal como ele aconteceu, logo, as personagens vivem aquela história sem possibilidade de modificá-la. Já no espaço da atualidade, flagramos estas personagens no tempo presente, reféns de alguma consciência crítica sobre os fatos do passado que, hoje, podem apenas ser lembrados. O espaço da memória só está vivo porque as personagens se lembram dessa história hoje, no mesmo tempo em que o público que vai ao teatro”, explica o diretor.

FICHA TÉCNICA

Texto: Rafael Primot
Direção: Diogo Liberano
Elenco: Amanda Mirásci, Daniel Chagas e Julianne Trevisol.
Diretora assistente: Dominique Arantes
Trilha sonora original: Diogo Ahmed Pereira
Iluminação: Daniela Sanchez
Figurinos: Bruno Perlatto
Cenário: Brunella Provvidente
Assistente de cenografia: Ana Machado
Direção de movimento: João Pedro Madureira
Preparação vocal: Verônica Machado
Projeto gráfico: Daniel Vides Veras
Design gráfico: Ale Pessôa
Diretor de Palco: Fernando Queiroz
Mídias sociais: Teo Pasquini
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Foto de cena: Renato Mangolin
Foto de divulgação: Sérgio Baia
Produção local: Andreia Porto
Produção geral: Amanda Mirásci
Idealização: Pablo Sanábio
Realização: Arrakasta Produções Artísticas

SERVIÇO

UMA VIDA BOA
Teatro Eva Herz
Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2073 – Bela Vista, São Paulo
Telefone: (11) 3170-4059
Até 30 de junho de 2017
Dias e horários: quintas e sextas, às 21h
Após o espetáculo, o elenco faz um debate com a plateia.
164 lugares
16 anos
60 minutos
R$ 40

Redação Aplauso Brasil (redacao@aplauosbrasil.com.br)

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