Em Os Altruístas, Mariana Ximenes vive uma atriz histérica

Maurício Mellone* (aplauso@gmail.com)

Mariana Ximenes em "Os Altruístas"

Para sua primeira direção, o ator Guilherme Weber adaptou a obra do norte-americano Nicky Silver e conta no elenco, além de Mariana, com Kiko Mascarenhas, Jonathan Haagensen, Miguel Thiré e Stella Rabello

Os Altruístas, de Nick Silver — em cartaz no Teatro Augusta— marca dupla estreia: Guilherme Weber na direção e Mariana Ximenes na produção. Ele, que com a sua Sutil Companhia de Teatro já conviveu com o autor norte-americano em outras montagens (Os Solitários que reunia dois textos de Silver, Pterodátilos Homens Gordos de Saia), volta à carga e adaptou essa peça que foca a vida de um grupo de jovens radicais que vivem seus dias entre passeatas, discussões, manifestações de cunho social e ócio. Eles são bancados pela famosa atriz de TV Sydney, interpretada por Mariana Ximenes, que pela primeira vez é a produtora do espetáculo:

“A opção por produzir me garante autonomia artística: não preciso esperar ninguém me convidar, experimento a delícia de realizar, de agregar pessoas e linguagens. Um sonho carregado com carinho por todos, como se fôssemos um. Equipe!”, confessa a atriz.

A marca registrada de Nick Silver está presente em Os Altruístas, ou seja, pôr a nu o ser humano, dilacerando-o. Assim como em Pterodátilos, em que ele mostra um núcleo familiar totalmente desestruturado, sem amor, valores e princípios, aqui ele subverte o conceito de altruísmo. Ao invés de um amor desinteressado ao próximo, evitando o egoísmo, o grupo de jovens radicais e sem qualquer moral diz que luta pelo bem da coletividade, mas no fundo são auto-centrados e extremamente egoístas, violentos e anti-éticos.
“Nessa peça, as relações amorosas em decomposição são as arenas escolhidas por Silver para cultivar a raiva e a decepção das quais sua obra se alimenta”, conta o diretor.

Num ritmo alucinado e verborrágico (outra característica do autor), o público vai tomando pé da situação e como agem aqueles jovens. Sydney sustenta as ações do grupo, mas está cansada e num ataque histérico de ciúme, mata alguém em sua cama pensando ser o namorado Tony (Miguel Thiré). Desesperada, pede ajuda ao irmão Ronald (Kiko Mascarenhas), um gay emocionalmente desequilibrado que acaba de se apaixonar por um michê, vivido por Jonathan Haagensen. O grupo ainda é formado por um casal de lésbicas, que fidelidade e harmonia passam longe delas. A confusão das situações assim como a desestrutura emocional do grupo determinam o desenlace do enredo.

"Os Altruístas", de Nicky Silver, ganha montagem dirigida por Guilherme Weber

No entanto, sopros de realidade e humanismo acontecem quando um a um os personagens se dirigem ao público no canto do palco: no microfone e com um foco de luz, eles relatam momentos de suas vidas, que podem justificar, não reparar seus atos.

Destaque para o cenário da premiada Daniela Thomas: o palco é uma caixa preta, com inscrições a giz e apenas três camas e um jogo de espelhos, que contribuem para o ritmo do espetáculo. A iluminação precisa de Domingos Quintiliano (indicado ao prêmio Shell por Crônica da Casa Assassinada, de Gabriel Villela, em cartaz na cidade CLIQUE AQUI para ler a matéria) é outro ponto para se ressaltar de Os Altruístas, montagem provocadora de Guilherme Weber, que também assina a trilha sonora.

Roteiro:
Os Altruístas
. Texto: Nicky Silver.Direção, adaptação e trilha sonora: Guilherme Weber. Elenco: Mariana Ximenes, Kiko Mascarenhas, Miguel Thiré, Jonathan Haagensen e Stella Rabello. Cenografia: Daniela Thomas. Figurinos: Emilia Duncan e Antonio Frajado. Iluminação: Domingos Quintiliano. Fotografia: Marcelo Krasilcic. Produzido por Mariana Ximenes, Francisco Accioly e Roberto Vitorino

Serivço:
Teatro Augusta, Rua Augusta, 934. Tel: 3151-4141. Sextas, às 21h30. Sábados, às 21h. Domingos, às 19h. Ingressos a R$ 70 (sex) e R$ 80. Bilheteria abre de quarta a sexta, a partir de 14h. Sábados e domingos, a partir de 15h. Duração: 100 minutos. Classificação etária: 18 anos. Temporada: até 18 de dezembro

Maurício Mellone, para o site Favo do Mellone

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Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

2 Comentários
  1. Michel:
    Novamente obrigado pelo espaço aqui no Aplauso Brasil.
    Mas quero tb elogiá-lo pela edição da resenha: quando cito a indicação do iluminador para o Prêmio Shell, vc faz o link com a matéria sobre a peça publicada no site. E abaixo da resenha, vc tb relaciona as demais matérias do AB sobre a peça resenhada! Isso é ótimo para o leitor, q tem à mão um número grande de informações, ampliando o leque de leituras correlatas ao assunto. Parabéns
    abr, Maurício

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