“Em Um Dia Qualquer” traz duas peças em um único espetáculo

 

SÃO PAULO – Com estreia marcada para 4 de maio, no Teatro Décio de Almeida Prado, o espetáculo Em Um Dia Qualquer foi escrito por uma das mais importantes dramaturgas escocesas da atualidade. Inédita no Brasil, a montagem traz no elenco Cristina Cavalcanti, Fábio Mráz, Ricardo Ripa e Carlos Baldim, que também assina a direção. É uma realização da Visceral Companhia, que tem no seu histórico a pesquisa e montagens de textos contemporâneos. 

A história começa com Bill e Sadie se preparando para receber a pessoa que mais amam. Tudo corre bem até eles perceberem que se esqueceram do pão. Do outro lado da cidade, Jackie e Dave fecham o bar. Porém, um telefonema desperta em Jackie o desejo de se dar a chance de viver algo que lhe traga prazer. Mas, culpada, ela hesita em aproveitar a oportunidade, mesmo que momentaneamente, já que existem pessoas que dependem dela.

A Peça Um retrata o cotidiano de um casal com deficiência intelectual. Este é o ponto de partida que a dramaturga utiliza para revelar algo muito mais profundo: uma sociedade doente, que se manifesta de forma perversa, violenta e intolerante.

Na Peça Dois, a autora coloca o seu ponto de vista sobre o feminino, potencializando o conflito da personagem Jackie. Ela quer dar vazão aos seus desejos pessoais mas os reprime em nome das obrigações que a sociedade lhe impõe, pelo fato de ser mãe de um filho doente e de ser a sobrinha que cuida dos tios com deficiência intelectual (“Peça Um”). A culpa é imposta à condição feminina.

Duas peças, duas linguagens estéticas diferentes 

Todas essas questões são levadas ao público em duas peças distintas, mas que se interligam não só pelo que está escrito no texto, mas também pela encenação.

Na primeira parte, predominam características do teatro do absurdo, com dramaturgia fragmentada e não linear. Bill e Sadie formam uma dupla que remetem à dinâmica das personagens de Esperando Godot, de Samuel Beckett. Os figurinos e maquiagem cinzas criam uma metáfora do olhar que a sociedade normalmente lança em relação às pessoas com deficiência intelectual, como se elas fossem “apagadas” ou “esquecidas”.

Já a segunda parte se aproxima bastante de uma cena de cinema, com tom muito mais realista. A dramaturgia é linear e mergulha nos conflitos internos de cada personagem. Os figurinos e adereços revelam o dono de um bar e sua funcionária no fim de um expediente.

Apesar das abordagens estéticas diferentes, o espetáculo ganha unidade na partitura física desempenhada pelos atores nas duas peças, bem como por meio da cenografia, trilha sonora e iluminação, responsáveis por interligar o todo.

Serviço:

EM UM DIA QUALQUER – Estreia dia 4 de maio, sábado, às 21 horas. Temporada – Até 26 de maio, sábados, às 21 horas, e domingos, às 19 horas. Duração – 75 minutos. Classificação Etária – 14 anos. Ingressos – R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00. Dramaturga – Linda McLean. Direção – Carlos Baldim. Tradução – Cristina Cavalcanti. Elenco – Cristina Cavalcanti, Fábio Mráz, Ricardo Ripa e Carlos Baldim. Iluminação – Carlos Baldim. Cenário e construção cenográfica – Cesar Rezende (Basquiat). Figurinos – Cristina Cavalcanti. Trilha sonora original e sound design – L.P. Daniel. Assistente de direção – Henrique Pina. Assistente de produção – Marcela Horta. Produção – Selene Marinho. Realização – Visceral Companhia.

Teatro Décio de Almeida Prado – Rua Lopes Neto, 206 – Itaim Bibi. Capacidade – 186 lugares.

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