Entrevista: Em dose dupla no teatro, Paula Cohen se diz “em ebulição”

Kyra Piscitelli, do Aplauso Brasil (kyra@aplausobrasil.com.br)

A Atriz Paula Cohen no solo "As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar". Foto/Crédito: Priscila Prade.
A Atriz Paula Cohen no solo “As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar”. Foto/Crédito: Priscila Prade.

A atriz e diretora Paula Cohen esbanja alegria nos projetos que abraça. Alegria que é perceptível até em uma entrevista que concedeu por e-mail ao Aplauso Brasil. Em um ano “fértil” para o trabalho, ela fala de dois projetos no teatro: As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar e Cada dois com seus pobrema. No primeiro, Paula é co-autora do texto e atua, em seu primeiro solo. No segundo, ela dirige e acaba de saber que recebeu indicação ao Prêmio Qualidade Brasil como melhor direção pelo espetáculo.

Versátil, ela comemora a fase e as parcerias que traz para as duas empreitadas. “Parcerias para a vida toda”.  Ao falar de Cada dois com seus pobrema, em cartaz no Teatro Frei Caneca, rasga elogios para o ator Marcelo Médici, que a convidou para dirigir a peça como “quem pede em casamento”. Paula também nos dá detalhes da história que traz semelhanças e diferenças com o espetáculo Cada um com seus pobrema, que fez sucesso por 10 anos e do qual ela foi assistente de direção.

As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar também traz à cena um grande parceiro de Paula: Pedro Granato, que além de dirigir o espetáculo, ajudou-a a escrever a comédia, que cumpre curtíssima temporada no Teatro Mube. Só até domingo (26). O espetáculo fala de amor, e de “uma mulher vestindo vários papéis em busca de si”. Para atriz, a parceria com Granato tornou a peça mais humana. E em um convite com ar irrecusável, ela diz que está “ali (no Teatro Mube) a flor da pele esperando vocês!!”.

Confira a entrevista:

Aplauso Brasil: Podemos afirmar que você esta em cartaz em dose dupla na cidade de São Paulo. E com duas comedias. Uma como atriz e co-autora do texto e a outra como diretora. Como é vivenciar esses dois projetos ao mesmo tempo?

Paula Cohen – Tem sido maravilhoso!! A vivência que estou tendo como diretora no Cada dois com seus pobrema me abriu muito o campo de percepção, inclusive, para a atriz que pela primeira vez encara um solo. Dois projetos absolutamente do coração criados em parceria com artistas que amo e admiro. Eu estou bem feliz!! Em um momento especial da minha trajetória.

AB: Como surgiu a ideia de escrever e encenar As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar? Foi um texto feito de você para você mesma, de certa forma? Afinal temos uma atriz em cena também. Coincidência?

PC: Eu e Pedro trabalhamos juntos em Navalha na Carne e adoramos. Foi um encontro bem efervescente. Decidimos que faríamos outra coisa juntos. Eu queria fazer um solo, ele topou dirigir. Faríamos Florbela Espanca, poetisa portuguesa por quem eu estava encantada. De repente em um mesmo dia de ensaio, os dois chegam decididos a mudar os rumos da história. Queríamos agora escrever. Escrever juntos. Como ponto de partida usamos algumas crônicas e contos poéticos que eu vinha escrevendo no meu blog Eletrocardiograma. Assim fomos estabelecendo a personagem, os seus conflitos o seu entorno. Queríamos falar um pouco destes tempos que estamos vivendo, de como as relações vem se estabelecendo. Dos conflitos internos que nos fazem repensar quem somos e como sermos autênticos frente a tantas cobranças sociais. A personagem, então, vive coisas emprestadas minhas, do Pedro, dos nossos amigos de história que já escutamos. A peça traça um mosaico da contemporaneidade personificada em Elvira. A personagem a principio não era atriz,mas depois Pedro sugeriu que ela fosse. Inclusive como metáfora da transformação. Uma mulher vestindo vários papéis em busca de si.

AB: As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar é um texto seu com Pedro Granato (também diretor do espetáculo) que fala muito para mulher, mas trata também da relação que se estabelece entre os dois sexos em uma relação amorosa. Nesse sentido é fundamental ter a colaboração do homem? Como é fazer mais uma parceria com Pedro Granato?

PC: Sim eu acho perfeito. Conversamos tanto durante esse tempo!! E aqui temos as duas percepções. Acho que deixou a peça mais humana.É indiscutivelmente contada através de um prisma feminino, Elvira é uma mulher com suas questões, mas acaba sendo absolutamente humana. O amor, por exemplo, é uma grande questão para todos.

E eu amo trabalhar com o Pedro. Somos pilhados, obcecados os dois. Amamos o teatro!! Ele é um diretor muito talentoso, um cara muito sensível, inteligente, intuitivo, humorado e altamente refinado no seu senso estético. Enfim… sabe aquele cara que você tem certeza que vai ser seu parceiro o resto da vida e que para sempre você vai ter prazer em criar juntos? Pois é esse é o nosso caso.

AB: Ainda sobre as lagrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar… O espetáculo cumpre uma curtíssima temporada no Teatro do Mube. Há planos de uma nova temporada? Ou de apresentar em outros lugares?

PC: Sim, sim!! Esta é apenas a primeira temporada de muitas. O espetáculo esta chegando de maneira tão linda nas pessoas que cada dia temos mais certeza do quanto ainda vamos fazê- lo. Ele comunica, as pessoas se identificam, se reconhecem,  se diverte e se emocionam ao se ver ali. A princípio reestreamos em janeiro.

AB: Agora vamos falar de Cada dois com seus pobremas, que fica em cartaz ainda por um tempo no Teatro Frei Caneca. Como foi dirigir o espetáculo?

PC: Olha, eu tenho que agradecer muito a Marcelo Médici e Ricardo Rathsam meus amados parceiros que me convidaram para dirigir o espetáculo e me deram a oportunidade de mudar de peça na engrenagem obra. Foram dois meses e meio de mergulho absoluto na criação. Um prazer e um grande aprendizado. Somos artistas muito efervescentes. Poder trocar ideias e inventar juntos é a máxima. Marcelo e Ricardo são um fluxo de criação absolutamente inquietos, nos parecemos. Devo dizer que adorei dirigir!  E hoje tivemos a notícia que a peça esta indicada em três categorias no premio Qualidade Brasil e eu fui indicada como melhor diretora. Achei muito legal!

AB: Cada dois com seus pobrema carrega a marca que se criou com Cada um com seus pobrema, que fez sucesso por 10 anos. Embora os dois tragam situações diferentes e não sejam parte um do outro, se estabelece uma associação natural. Você inclusive foi diretora assistente em Cada um com seus pobrema , né? Quais são então as diferenças e semelhanças das duas montagens?

PC: Sim eu fui assistente de direção do Ricardo no Cada um com seus pobrema, eles me chamaram para fazer uma locução que tinha na peça em espanhol e quando estava lá me convidaram para ficar, faltavam uns dez dias para a estreia e eu fiquei feliz!! Agora se passaram 10 anos!! As semelhanças estão em que alguns personagens que voltam, para ser mais precisa cinco personagens, mas agora 10 anos  depois. Ou seja, muitas mudanças e muitas histórias depois!! Eles continuam absolutamente apaixonantes e hilários! Mas nodois com seus pobrema temos mais uma história com muita trama que traz a tona três novos personagens, feitos por Marcelo e Ricardo. São eles uma atriz há anos reclusa, sua governanta e um jornalista..

AB: Como é trabalhar com Marcelo Médici que atua e idealizou o Cada dois com seus pobrema ? Essa é outra antiga parceria artística que você cultiva, não?

PC: Eu amo o Marcelo!! Antes de tudo somos muito amigos e eu sempre fui fascinada pelo seu talento!! Nos conhecemos há muito tempo! Mas ficamos bem próximos quando fizemos par romântico em uma novela. Sempre comungamos criando juntos. Ele me convidou para dirigir como quem pede alguém em casamento !! Inesquecível!! É muito aberto e generoso na troca! Ele é um artista completo e muito inteligente. Somos apaixonados pelo que fazemos e gostamos de compartir e investigar esse nosso objeto de paixão. Outro encontro para vida toda!!

 AB: Além desses dois projetos há mais algum em vista? Qual?

PC: Sim! Estou  em ebulição. Rsrsrs…Este ano foi  fértil! Dia 6 de novembro fazemos Cabareteras, nosso Cabaret contemporâneo, nossa banda performática! E neste momento estou em cartaz nos cinemas com o filme Na Quebrada. Filme incrível que tem que ser visto!

Quero muito terminar chamando a todos para que este final de semana apareçam no Mube para ver As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar estou ali a flor da pele esperando vocês!!

SERVIÇO de As lágrimas quentes de amor que só meu secador sabe enxugar

Quando: de 4 a 26 de outubro
Horário: Sábados às 20h30 e Domingos às 18h
Duração: 70 minutos
Gênero: Comédia Dramática

TEATRO MUBE NOVA CULTURAL (192 lugares)
Ar Condicionado
Vallet: R$ 25,00
Av. Europa, 218 (entrada pela Rua Alemanha, 221)- Jardim Europa
Telefone para informações: 4301-7521
Ingr. p/ tel. 4003-1212 www.ingressorapido.com.br
www.mubenovacultural.com.br
Ingressos: R$ 50,00 (inteira) – R$ 25,00 (meia entrada) para idosos, estudantes, professores e clientes Porto Seguro
 e Santander.

Ficha Técnica
Texto: Paula Cohen e Pedro Granato
Direção: Pedro Granato
Iluminação: Karine Spuri
Figurinos: Paula Cohen
Cenário: Pedro Granato
Trilha sonora com músicas de: Ana Cañas, Bárbara Eugenia, Letuce e Tulipa, entre outros
Produção Executiva: Isabella Martino
Assistente de Produção: Victória Martinez
Visagista: Mário Nova
Fotos: Pricila Prade

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SERVIÇO de Cada dois com seus pobrema:
Local: Shopping Frei Caneca, 596, 7 andar – Consolação.  Temporada: de 10 de setembro a 26 de novembro. Terças e quartas às 21h. Duração: 90 minutos. Classificação indicativa: 14 anos.  Lotação: 600 lugares. Ingressos: R$ 70,00 / R$ 35,00 e R$ 50,00 / R$ 25,00. Vendas: Ingresso Rápido (11) 40031212 e internet: www.ingressorapido.com.br  Bilheteria: terça a domingo das 13h até o início do espetáculo. Telefones: (11) 3472- 2229 e (11) 3472 – 2230

FICHA TÉCNICA:
Elenco: Marcelo Médici e Ricardo Rathsam. Texto: Marcelo Médici. Colaboração: Ricardo Rathsam. Direção: Paul Cohen.Cenário, Figurino e Luz: Kleber Montanheiro. Visagismo: Emi Sato. Trilha Sonora: Aline Meyer. Locução de Abertura: Paula Cohen. Operador de Luz: Adriano Tosta. Operador de Som: André Luis Omote. Contrarregra: Paulo Travassos. Camareira:Maria Helena. Fotos de Estudio: Jairo Goldflus. Fotos de Cena: João Caldas. Assessoria de Imprensa: Pombo Correio.Produção e Realização: Henriqueta Produções.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!