ENTREVISTA: NANINI ANUNCIA NOVO PROJETO NO TEATRO E DIZ QUE “TEM MUITA GENTE JOVEM DE TALENTO”

Kyra Piscitelli*, do Aplauso Brasil (kyra@alausobrasil.com.br)

BEIJE MINHA LÁPIDE
BEIJE MINHA LÁPIDE

CURITIBA – O ator Marco Nanini é um veterano que olha para o novo. No teatro tem feito parceria com grupos de jovens atores e autores. Sua experiência e a visibilidade que tem na TV – viveu por 14 anos o personagem Lineu, no seriado A Grande Família – chama o público, que ontem lotou o Teatro Positivo para ver o espetáculo Beije Minha Lápide.

Em entrevista exclusiva para o Aplauso Brasil, Nanini fala de um novo projeto para o teatro, conta mais sobre Beije Minha Lápide, que faz mais uma apresentação em Curitiba, viaja para Belo Horizonte e deve voltar a São Paulo.

Seu projeto, o Instituto Galpão Gamboa também entra nesta conversa e é apontado, pelo ator, como parte fundamental desse processo de abraçar projetos ao lado de Grupos compostos por novos atores, autores e diretores.

O espetáculo Beije Minha Lápide faz parte disso. O texto é do jovem autor Jô Bilac. “Tenho um instituto, no Rio de Janeiro, chamado Instituto Galpão Gamboa. A gente tem vários tipos de trabalhos ali (dança, luta…) e um deles é o teatro. Pelo projeto eu conheci muita gente jovem de talento, a partir de então, comecei a procura-los para trabalhos no teatro. Eu fiz com a Companhia dos Atores O Bem-Amado, estou fazendo essa com o Grupo de Teatro Independente, em que o Jô Bilac faz parte, e o próximo que eu vou fazer é com a Companhia Atores de Laura com a direção do Daniel  Herz”.

Apaixonado pelos projetos que faz, Nanini destaca o talento de Jô Bilac em criar algo contemporâneo sobre o escritor Oscar Wilde, o qual sempre quis montar, sem que fosse um texto ou o próprio sendo encenado no palco. “Assuntos que compõe a obra dele, coisas que ele viveu na pele falam muito sobre preconceitos em geral, homofobia e me interessava muito trazer. Então, o Jô Bilac criou uma ficção a partir de um fato real”.

O texto em que Nanini encontrou o seu Oscar Wilde para o palco trabalha a decisão das autoridades da França de criar um círculo de vidro em volta do túmulo de Oscar Wilde para barrar as pessoas que iam até o cemitério beijar a lápide do escritor. A  partir dessa história, Jô Bilac inventou um outro escritor, o Bala, personagem de Nanini, que fã de Wilde quebra o vidro e vai preso por isso. A trama se desenvolve entre Bala,  a filha, o carcereiro e a advogada dele.

Nanini que não para aproveita para falar da nova empreitada ao lado da Cia. Atores de Laura: “é Ubu Rei. Estou contente com esse encontro,  vai ser muito bom”.

Ubu Rei é uma peça do dramaturgo francês Alfred Jarry, do final do século XIX e promete polêmica. Aguardemos ansiosos.

Beije Minha Lápide faz mais uma apresentação no Festival de Curitiba, hoje (30), às 21h, no Teatro Positivo.

Confira a programação completa do Festival de Curitiba: www.festivaldecuritiba.com.br 

 

*Kyra Piscitelli, editora assistente do Aplauso Brasil, viajou para Curitiba a convite do Festival.

Kyra Piscitelli

Kyra Piscitelli é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e fez pós-graduação em Globalização e Cultura pela Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Escreve sobre teatro e arte desde de 2009. Integra os Juris da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e do Prêmio Aplauso Brasil. Ávida por conhecimento, se não está em viagem ou estudo, só há um lugar para achá-la: o teatro!

No Comments Yet

Leave a Reply

Seu email não será publicado

*