ENTREVISTA: RUBENS CARIBÉ PROTAGONIZA PEÇA INÉDITA NO BRASIL

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (nanda@aplausobrasil.com.br)

"Selvagens, Homem de Olhos Tristes". Foto/Crédito: Helô Bortz
“Selvagens, Homem de Olhos Tristes” xom Rubens Caribé (imagem). Foto/Crédito: Helô Bortz

SÃO PAULO – O ator Rubens Caribé estreia na quinta, 30, às 21h00, no Club Noir, o espetáculo Selvagens – Homem de Olhos Tristes, texto inédito do austríaco Händl Klaus. O ator está ao lado de Edu Guimarães, Vitor Placca, Flávia Couto e Henrique Taubaté Lisboa, com direção de Hugo Coelho. Um dos destaques da encenação, que acontece numa caixa branca, é a música original, composta por Ricardo Severo, que comenta, pontua e também acentua a ação dramática.

Em cena, Rubens Caribé vive o médico Gunter de Bleibach, que está viajando de trem, sente-se mal com o calor asfixiante nos vagões lotados e se vê obrigado a descer e a permanecer num lugarejo misterioso. O clima é de realismo fantástico, na medida em que nada faz muito sentido na história: os personagens são misteriosos e se relacionam num mundo complexo e contraditório. Não se sabe se tudo o que acontece é real ou somente um pesadelo de Bleibach.

Ator, cantor e bailarino, Caribé atua na TV, teatro e cinema. Integrou vários grupos teatrais de grande representatividade no teatro de São Paulo, entre eles o Teatro do Ornitorrinco.

Selvagens -Victor,Edu,Caribé,Flávia .Foto/Crédito: Helô Bortz
“Selvagens – Homem de Olhos Tristes”. Na foto ( da esq. para dir.) Victor,Edu,Caribé,Flávia .Foto/Crédito: Helô Bortz

Entre os seus trabalhos mais recentes no teatro estão: O Fantástico Reparador de Feridas, direção de Domingos Nunez, Berro, direção de Eduardo Tolentino de Araújo, UMANUEL, direção de Mariana Muniz, Gestos, Cia. Mariana Muniz de Teatro e Dança, Cabaré Luxúria, dirigido por Helen Helene, e Assim é (se lhe parece), direção de Marco Antonio Pâmio, trabalho pelo qual recebeu indicações aos prêmios Shell, APCA e Aplauso Brasil de melhor ator.

Em entrevista ao Aplauso Brasil, Rubens Caribé conta sobre as suas experiências recentes no teatro, fala sobre a estreia de Selvagens – Homem de Olhos Tristes e sobre as indicações a prêmios de melhor ator pelo espetáculo Assim é (se lhe parece).

Confira a entrevista:

Aplauso Brasil – O que mais o impressiona no texto Selvagens – Homem de Olhos Tristes?

Rubens Caribé – Eu não diria “impressiona”, mas o que mais me agrada é o jogo que ele faz com a linguagem, com a fragmentação da narrativa, colocando as personagens, em alguns momentos, quase em um monólogo. Com esse discurso fragmentado, que nos “confunde” um pouco durante a cena, mas com a visão final de toda essa curva narrativa, percebemos a peripécia, a brincadeira de que Händl Klaus fez com a linguagem. Esta ousadia é muito pertinente à estrutura dramatúrgica do teatro atual. E a direção do Hugo Coelho explora esta particularidade e mergulha com intensidade nas possibilidades do real ou do irreal.

AB – Trabalhar num universo onírico, que beira o fantástico exige do ator alguma atenção especial na hora de criar o personagem?

RC – Toda personagem, mesmo em um texto naturalista, trabalha com esse universo onírico da imaginação. Neste caso, existe um clima fantástico e de mistério, ele (Gunther, meu personagem) não sabe por que não há mais ninguém naquele lugar, mas este fato pode também não ter nada de fantástico. Isto não é irreal. A paisagem é desértica, inóspita, mas também plausível.

AB – Que detalhe nesta montagem você gostaria de destacar, além da direção, elenco e do texto?

RC – Temos o privilégio de contar com a trilha sonora original, assinada por Ricardo Severo, coisa pouco comum nas produções, atualmente.  Não é comum voltar os olhos para a trilha, que muitas vezes passa despercebida pela imprensa, pelas críticas teatrais. E o fato de trabalharmos com um músico criador, que acompanha o processo da montagem, é muito estimulante.

AB – A sua presença corporal é muito marcante no palco e além de ator, tem formação em dança e canto. Como é a sua preparação para entrar em cena e de que maneira você usa essas habilidades para a criação dos personagens?

RC- Antes de entrar em cena faço um leve aquecimento físico e vocal, passo o texto com os colegas e me calo para assim me concentrar.  Para criar personagens, podemos ser mais ou ser menos naturalista. Algumas dão mais abertura para o uso de técnicas de dança-teatro do que outras. É sempre muito sutil o limite de conhecer o quanto a elaboração formal do movimento pode ajudar a contar a história, a conhecer aquela pessoa que queremos apresentar; o uso da dança no teatro muito formal pode dar um efeito rebote, distanciá-lo. Mas, às vezes, o recurso de um gesto não naturalista pode também ser revelador, sensibilizando e dando-lhe um ângulo novo.

AB – Você acabou de encenar Assim é (se lhe parece), de Pirandello, e já está estreando esse novo trabalho. Como é essa experiência de viver personagens tão diferentes em tão pouco tempo?

RC – Maravilhosa. Um presente. É uma oportunidade rara que todo ator quer vivenciar nesta profissão que sabemos ser difícil, dura; queremos trabalho de qualidade. Fui indicado ao Prêmio Shell por Pirandello Assim é, se lhe Parece, mas a peça recebeu várias outras indicações, bem como aos prêmios APCA e Aplauso Brasil. Só lamento que tenhamos cumprido apenas 28 sessões, mas a boa notícia é que entraremos novamente em cartaz em dezembro e, provavelmente, no ano que vem. Também estou em cartaz com o espetáculo Ornitorrinco Canta Brecht e Weill, ao lado de Cida Moreira e Cacá Rosset, com muita honra!

AB – Você disse que recebeu indicações a prêmios pelo espetáculo Assim é (se lhe parece).  Isso te deixa mais ansioso para um novo trabalho? Sente-se ¨cobrado¨ de alguma maneira?

RC- Sinto-me honrado, lembrado, justificado. Percebo que meu trabalho não é em vão. Sobre “cobranças” e ansiedade, procuro não criar grandes expectativas e lembrar que meu grande prêmio é sempre poder atuar. E as indicações já me soam como um prêmio.

Sobre Selvagens – Homem de Olhos Tristes
Um texto recheado de mistério, conflito, violência, ironia, acolhimento e sensualidade. Com narrativa não linear, o público acompanha a trajetória de um médico que chega a um vilarejo e tem que conviver com pessoas que acabara de conhecer, num lugar marcado pelo abandono e pelo esquecimento.

Gunter de Bleibach, ao descer na estação de trem, encontra dois homens, os irmãos Flick (Eduardo Guimarães e Vitor Placca), que lhe oferecem abrigo e ajuda, mas lhe pedem o favor de consultar a irmã doente Hedy (Flávia Couto).

Um velho homem mudo (Henrique Taubaté Lisboa) é torturado e Gunter se sente acuado e aterrorizado porque percebe que os irmãos são violentos e irônicos.

Na casa dos Flick, falta água e alimentos. O médico cuida de Hedy, a irmã doente, mas não obtém sucesso.  Além disso, o velho pai dos jovens dorme no chão e veste o casaco do visitante.

Ficha Técnica:

Texto: Händl Klaus

Tradução: Christine Röhrig

Direção: Hugo Coelho

Elenco: Rubens Caribé, Edu Guimarães, Vitor Placca, Flavia Couto e Henrique Taubaté Lisboa.

Preparadora corporal: Inês Aranha

Assistência de direção: Fernanda Lorenzoni

Cenografia e figurino: David Schumaker

Música original: Ricardo Severo

Iluminação: Fran Barros

Programação visual: Fernanda Lorenzoni

Fotografia: Helô Bortz

Diretor de produção: Henrique Benjamin

Produção executiva: Fernanda Lorenzoni

Produção administrativa: Fábio Hilst

Assessoria de imprensa: Eliane Verbena

Realização: Benjamim Produções

Serviço:

Selvagens – Homem de Olhos Tristes

Estreia para convidados: 29 de outubro – quarta – às 21 horas

Estreia aberta ao público: 30 de outubro – quinta – às 21 horas

Temporada: 29 de outubro a 18 de dezembro

Dias e horário: quartas e quintas – às 21 horas

Local: Club Noir

Rua Augusta, 331. Consolação/SP. Tel: (11) 3255-8448

Ingressos: R$ 40,00 (meia: R$ 20,00) – Vendas na bilheteria: 1h antes das sessões

Gênero: drama. Duração: 60 min. Classificação etária: 12 anos.

Capacidade: 50 lugares. Aceita dinheiro e cheque. Não aceita cartões.

Não faz reservas. Ar condicionado. Acesso universal. www.ciaclubnoir.blogspot.com