ESPECTADOR PROFISSIONAL: FABIO ASSUNÇÃO DIRIGE PEÇA SOBRE A CONTURBADA VIDA DE UM CASAL IRLANDÊS

Maurício Mellone* (redacao@aplausobrasil.com)

DIAS DE VINHO E ROSA
DIAS DE VINHO E ROSA

SÃO PAULO – O ator pela segunda vez assume a função de diretor teatral: depois de O Expresso do Pôr do Sol, em 2012, com Dias de Vinho e Rosas Assunção é o responsável pela direção e concepção do espetáculo. Com tradução da também atriz Clara Carvalho, a peça do dramaturgo irlandês Owen MacCafferty é baseada na série televisiva de James Miller exibida com sucesso em 1958, que também deu origem ao filme de Blake Edwards de 1962, Vício Maldito. No entanto, a peça do irlandês é uma recriação contemporânea do encontro amoroso entre Mona, vivida por Carolina Mânica, e Donal, papel de Daniel Alvim.

Em nove cenas o espetáculo retrata os nove anos desta relação, que vai desde o encantamento inicial, à euforia movida a muito álcool até o estranhamento, o desgaste e a previsível e melancólica separação do casal.

Com o palco totalmente vazio e os atores já presentes — não há coxia, eles trocam de figurino na frente do público e montam os cenários em cada cena —, a peça tem início no saguão do aeroporto de Belfast/Irlanda. Jovens e idealistas, Mona, que é professora, e Donal, um apostador profissional de corridas de cavalo, estão de mudança para Londres, capital inglesa, em busca de novos horizontes e crescimento profissional. A atração é imediata e em pouco tempo eles estão casados e com um filho.

DIAS DE VINHO E ROSAS
DIAS DE VINHO E ROSAS

No entanto, o terceiro elemento, e de fundamental importância neste relacionamento, é o álcool. No início a bebida ajuda a descontrair e ser o elo entre eles. Mas com o tempo tudo se altera: Mona fica só em casa cuidando do filho e não controla mais o vício, enquanto Donal bebe a todo o instante no trabalho e exageradamente durante as corridas de cavalo, à noite. Além do efeito corrosivo provocado pelo álcool, o desgaste e o distanciamento entre eles irão inviabilizar qualquer tipo de reconciliação do casal.

Para o diretor, a montagem não propõe um julgamento moral dos personagens, a discussão é mais profunda:

“Esta é uma peça moderna, atual, que discute o amor e a desconstrução dele no complexo contexto das grandes cidades e a busca desesperada pelo prazer, tornando os seres hedonistas e infelizes. O texto mostra como o desgaste do cotidiano causa a implosão do amor”, define Fabio Assunção.

DIAS DE VINHO E ROSA
DIAS DE VINHO E ROSA

Além da direção despojada, Dias de Vinho e Rosas deve ser ressaltada pela iluminação de Caetano Vilela, pela concepção cenográfica minimalista de Fábio Namatame e pela providencial direção musical do mestre Egberto Gismonti.

Com um texto denso e sem concessões — a degradação que o álcool provoca em Mona e Donal é desconcertante para o público —, o grande destaque do espetáculo é para a interpretação visceral de Carolina Mânica e Daniel Alvim, que defendem seus personagens com muita verdade. Confira!

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Roteiro:

Dias de Vinho e Rosas. Texto: Owen McCafferty.Tradução: Clara Carvalho. Direção: Fabio Assunção. Elenco: Carolina Mânica e Daniel Alvim. Iluminação: Caetano Vilela. Figurinos e cenografia: Fábio Namatame. Direção musical e músicas: Egberto Gismonti. Fotografia: Priscila Prade. Realização: FASS Produções, Carolina Mânica & Brancalyone Produções.
Serviço:
Viga Espaço Cênico (100 lugares), Rua Capote Valente, 1323, Tel. 3801-1843. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: sexta R$ 30,00, sábado e domingo R$ 40,00. Bilheteria: quarta a domingo a partir das 17h. Vendas: www.ingressorapido.com.br e pelo tel. 4003-1212. Duração: 90 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 21 de junho.