ESPECTADOR PROFISSIONAL: PEÇA RETRATA A CONTURBADA RELAÇÃO ENTRE FRIDA KAHLO E DIEGO RIVERA

Maurício Mellone, para o www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

"Frida y Diego" estpa em cartaz no Teatro Raul Cortez. Foto/Crédito divulgação
“Frida y Diego” está em cartaz no Teatro Raul Cortez. Foto/Crédito: divulgação

SÃO PAULO – Um olhar minucioso para a relação amorosa dos pintores mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera. Esta a proposta da dramaturga Maria Adelaide Amaral em sua peça inédita Frida Y Diego, que acaba de estrear no Teatro Raul Cortez e cumpre temporada até dezembro.

Sob direção de Eduardo Figueiredo, Leona Cavalli interpreta a sofrida e intempestiva Frida Kahlo, que por mais de vinte anos esteve envolvida emocionalmente com o artista plástico Diego Rivera, 21 anos mais velho que ela. A trama faz um passeio de 1929 a 1953 (pouco antes da morte da pintora), entre o México e os Estados Unidos, relatando os encontros e rupturas entre os dois, numa história de amor, traições, brigas, reconciliações, mas com cumplicidade e amor incondicional. 

"Frida y Diego" está em cartaz no Teatro Raul Cortez. Foto/Crédito divulgação
“Frida y Diego” está em cartaz no Teatro Raul Cortez. Foto/Crédito: divulgação

Parte do cenário é constituída de grandes telões, em que são projetadas as obras dos dois pintores mexicanos e servem também para indicar ao público o tempo em que se passa a trama, já que a história não segue uma sequência cronológica. A cena inicial se passa em 1940, quando Frida chega ao ateliê de Diego depois de um período em que estiveram afastados; depois das rugas iniciais, eles se reconciliam. A história tem um recuo de vinte anos, exatamente quando eles começaram o romance.O vai e vem no tempo faz com que o espectador tenha uma noção de como era a relação afetiva entre os dois: uma atração avassaladora e um entendimento recíproco da vida, mas a possessividade e ciúme de Frida e o espírito galanteador e sedutor de Diego provocaram brigas, separações e rupturas, com consequências doloridas a ambos. As separações também contribuíram para o crescimento artístico deles, principalmente para Frida que se firmou como artista autenticamente mexicana.

A ideia de relatar a conturbada história amorosa de Frida Y Diego de maneira não linear é interessante para aguçar a curiosidade do público. No entanto, senti falta de um elo de ligação entre os períodos retratados, as cenas são apresentadas de forma estanque, por mais que o romance entre os artistas seja o pano de fundo. Nem mesmo a presença de dois músicos em cena — Wilson Feitosa Jr. (acordeão) e Mauro Domenech (baixo acústico) — ajuda na conexão entre os períodos focados e as localidades onde os personagens se encontram. Destaque para o trabalho de Marcio Vinicius, que assina cenário, figurino e adereços. A composição e caracterização de Leona Cavalli para Frida Kahlo também merece ser ressaltada.

Roteiro:
Frida Y Diego
. Texto: Maria Adelaide Amaral. Direção: Eduardo Figueiredo. Elenco: Leona Cavalli e José Rubens Chácha. Direção musical e trilha: Guga Stroeter e Matias Capovilla. Músicos convidados: Wilson Feitosa Jr. e Mauro Domenech. Direção de arte, cenografia, figurinos e adereços: Marcio Vinicius. Visagismo: Anderson Bueno. Desenho de luz: Guilherme Bonfanti. Fotografia: Gabriel Wickbold. Direção de produção: Maurício Machado. Realização e produção: manhas & manias eventos.

Serviço:
Teatro Raul Cortez (513 lugares), Rua Plínio Barreto, 285, tel. (11) 3254-1631. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 19h. Ingressos: R$ 60,00 (sexta), R$ 80,00 (sábado) e R$ 70,00 (domingo). Bilheteria: terça e quarta das 14h às 20h, quinta a domingo das 14h até o início do espetáculo. Venda: www.ingressorapido.com.br /(11) 4003 1212. Duração: 90minutos. Classificação: 12 anos. Temporada: até 14 de dezembro de 2014.