ESPECTADOR PROFISSIONAL:O AMOR E A ADMIRAÇÃO DO CASAL SCHUMANN PELO JOVEM BRAHMS

Maurício Mellone* (redacao@aplausobrasil.com)

QUERIDO BRAMHS
QUERIDO BRAMHS

SÃO PAULO – A peça de José Eduardo Vendramini, Querido Brahms, em cartaz no Teatro J.Safra, não só se passa em pleno século XIX como deve ser compreendida dentro dos padrões morais e de comportamento da época. A trama tem início com a chegada do jovem compositor Johannes Brahms (Olavo Cavalheiro) à residência do casal de músicos e compositores: Clara, interpretada por Carolina Kasting, quer ouvir a opinião do amigo sobre o que fazer com seu marido Robert, vivido por Werner Schünemann, que acabara de tentar o suicídio e mostra sinais de insanidade e loucura. Ela está indecisa se continua o tratamento em casa ou se aceita a recomendação médica de interná-lo num manicômio. 

Para a história da música, a relação entre os três músicos e compositores é de extrema amizade e admiração e se houve qualquer tipo de triângulo amoroso, não há registro que prove.
O dramaturgo — que em sua carreira sempre se dividiu entre o teatro e a universidade — faz questão de ressaltar que sua peça é ficcional, mas tem como base a pesquisa:

“Costumo trabalhar com pesquisa, memória e invenção. Neste sentido, minha peça é uma fantasia ficcional elogiosa a partir daquele que é considerado o mais belo trio de amor, amizade e lealdade da história da música”, argumenta Eduardo Vendramini.

QUERIDO BRAMHS
QUERIDO BRAMHS

Se no início da trama há o encontro entre Clara e Brahms e o público pode conhecer o grau de afinidade entre os dois, assim como a fidelidade e admiração de ambos a Schumann, num segundo momento os dois homens trocam confidências profissionais e íntimas — inclusive da frequência deles a prostíbulos. É justamente na frente do amigo e discípulo que Robert fala de suas visões e de seu mundo interior fantasmagórico.

Sob direção de Tadeu Aguiar, a montagem é fiel ao ritmo da época retratada e ao mesmo tempo consegue dissecar a dura realidade vivida pelos personagens. Num período em que a mulher era submissa e com a vida reclusa ao lar, Clara precisou romper tabus: com oito filhos e o marido com problemas de saúde — Robert depois da tentativa de suicídio solicitou para ser internado no manicômio, onde morreu dois anos depois, com apenas 46 anos — ela assumiu as obrigações da casa e com seus concertos manteve a família. Foi casada só 14 anos e morreu em 1896, aos 77 anos, quatro décadas depois do marido.

QUERIDO BRAMHS
QUERIDO BRAMHS

Sem dúvida, Querido Brahms, mesmo sendo um recorte da história (a trama está focada em 1854, quando Robert tentou o suicídio), é a chance para se conhecer um pouco mais sobre a vida dos famosos compositores da música clássica.

Destaque para o cenário de J.C.Serroni, que mostra três níveis da mansão dos Schumann, e a trilha sonora, assinada pelo maestro Miguel Briamonte, que traz as obras dos três personagens.

Por se tratar de um personagem tão denso e enigmático, fiquei impressionado com a interpretação visceral de Werner Schünemann.

* Maurício Mellone publicou o texto no www.favodomellone.com.br – parceiro do Aplauso Brasil

Roteiro:
Querido Brahms
. Texto: José Eduardo Vendramini. Direção: Tadeu Aguiar. Elenco: Carolina Kasting, Werner Schünemann e Olavo Cavalheiro. Direção musical: Miguel Briamonte. Iluminação: Cizo de Souza. Visagismo: Hugo Daniel. Cenografia: J.C.Serroni. Figurinos: Ney Madeira e Dani Vidal. Fotografia: João Caldas. Coordenador Geral: Lucas Olles

Serviço:
Teatro J.Safra (633 lugares), rua Josef Kryss, 318, Barra Funda, São Paulo. Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h e domingo às 20h. Ingressos: R$ 60,00 (sábado), R$ 50,00 (sexta e domingo). Bilheteria: quarta e quinta, das 14h às 21h; sexta, sábado e domingos, a partir das 14h. Vendas: www.compreingressos.com.br ou (11)2626-0243. Duração: 70 minutos. Classificação: 14 anos. Temporada: até 29/03.

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