Espectador profissional: ESPETÁCULO REVIVE A TRAJETÓRIA DE CORA CORALINA

Nanda Rovere, do Aplauso Brasil (Nanda@aplausobrasil.com.br)

Espetáculo Cora Coralina, no  Teatro do Mube. Foto/Crédito divulgação
Espetáculo Cora Coralina, no Teatro do Mube. Foto/Crédito divulgação

SÃO PAULO- O espetáculo Cora Coralina – Removendo Pedras Plantando Flores faz uma bonita homenagem a uma das grandes poetisas brasileiras. O texto, baseado nas poesias na obra de Cora Coralina e na biografia escrita por sua filha Vicência Brêtas Tahan, revive a trajetória e a alma de uma mulher que sempre amou a literatura, mas só se dedicou exclusivamente a ela após os 75 anos de idade. A temporada vai até domingo, 30,  e as apresentações acontecem  aos sábados às 15h00 e domingos às 11h00, no Teatro Mube.

Assim como os versos de Cora, a encenação é simples, sem deixar de lado o lirismo. Busca resgatar a essência poética da artista, com pouquíssimas movimentações dos atores e toca o espectador porque prima pela sensibilidade. A memória da artista guia o roteiro e por isso passado e presente se misturam.

"Cora Coralina", no  Teatro do Mube
“Cora Coralina”, no Teatro do Mube

A direção de Lavínia Pannunzio está focada na interpretação das atrizes Amélia Bittencourt e Anna Cecília Junqueira nos papéis de Cora Coralina, já idosa e quando jovem, e Josué Torres, que dá vida ao amigo doutor Barbosa. Interpretações seguras e que traz à tona a alta carga de emoção com a qual Cora revê a sua trajetória.

A história é dividida em três etapas: a infância na cidade de Goiás até a mudança com seu marido para outra cidade (um ato que chocou a sociedade goiana, já que o ¨seu homem¨ era divorciado), o retorno à cidade natal, o trabalho como doceira e o encontro com o doutor Barbosa, amigo que a motivou a publicar seu primeiro livro. A fama só chegou muitos anos depois com a publicação de um artigo de Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil, que elogiou as suas criações e a elegeu como a pessoa mais importante de Goiás.

A trama não é linear e o objetivo não é a realização de um ¨teatro documentário¨. A ideia é transmitir a força de uma mulher que lutou contra os preconceitos, conseguiu o reconhecimento profissional e está entre os grandes nomes da nossa literatura.

O cenário traz caixas embrulhadas, colocando em evidência os fatos guardados na memória de Cora. A luz marca a inexorável passagem do tempo.

Uma ótima oportunidade para conhecer mais detalhadamente a vida e obra da poetisa, que através do reconhecimento que obteve, conseguiu que a sua cidade histórica, Góiás,  mais conhecida como Goiás Velho e antiga capital do Estado, tivesse a atenção da mídia e de seus admiradores.

Ficha Técnica:

Dramaturgia: Mauro Hirdes.

Direção: Lavínia Pannunzio.

Elenco: Amélia Bittencourt, Anna Cecília Junqueira, e Josué Torres.

Cenário e Figurino: Cássio Brasil.

Produção: Cia Teatro da Investigação

 

Serviço:

Cora Coralina – Removendo Pedras Plantando Flores

Teatro do MuBE.

Endereço: Av. Europa, 218 – São Paulo.

Telefone: (11) 2594-2601.

Temporada: até 30 de novembro.

Horários: sábados às 15h e domingos às 11h, respectivamente.

Ingressos: R$30,00 (inteira), R$15,00 (meia) e R$10,00 para terceira idade.

Duração: 40 minutos.

Classificação: 10 anos.

 

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