ESPETÁCULO “A DOR” RETRATA SAGA DA ESCRITORA FRANCESA MARGUERITE DURAS

SÃO PAULO – Em meio a opressão da Segunda Guerra Mundial e a angústia da espera de seu marido preso em um campo de concentração, o solo A Dor, montagem do VULCÃO [criação e pesquisa cênica], com direção de Vanessa Bruno e atuação de Rita Grillo traz para o palco a saga da escritora francesa Marguerite Duras (1914-1996). Em sua terceira temporada na capital paulista, o espetáculo estará em cartaz em curta temporada, de 18 de outubro a 08 de novembro, no Teatro Pequeno Ato com sessões às quartas, 21h. Ao final das apresentações sempre haverá bate-papo com uma convidada no projeto intitulado [Vulcão Conversa].

“Marguerite Duras é realmente uma mulher do século XX. Passou por guerras, resistência, machismo, é símbolo do feminismo e resistência. Mudou as tendências literárias e cinematográficas. Na peça, a obra ganha um deslocamento da literatura para o palco por meio de procedimentos que já foram utilizados por ícones da dança como Pina Bausch e Klauss Vianna. Também foram mescladas conexões autobiográficas da atriz. Todos esses elementos contribuem para a construção cênica”, conta a diretora Vanessa Bruno.

Já a atriz Rita Grillo pesquisa Marguerite Duras desde 2008 e traduziu o romance A Dor especialmente para esta adaptação teatral. Ela tem parte de sua formação teatral na França, país onde estudou entre 2003 e 2005, na Université Sorbonne Nouvelle, Paris 3. Desde então, estabeleceu uma estreita relação profissional com o país, trabalhando como atriz e assistente de direção em diversos projetos franco-brasileiros, o mais recente, em 2016, na Comédie-Française, como assistente de Anne Kessler na montagem de La Ronde, de Schnitzler.

“Um dia eu descobri ‘A Dor’. Essa espera de todos os tempos. Um relato terrível e profundamente humano. E esse projeto ficou em mim, esperando para acontecer. O reencontro com Vanessa Bruno, em 2012, foi uma fagulha, uma vontade comum, um sonho. E em 2015 o incêndio, a explosão vulcânica: Marguerite em cena, finalmente, agora”, conta Rita.

[Vulcão Conversa]

Além das apresentações, o Vulcão também promoverá, logo após o espetáculo, encontros entre o público e uma convidada para desdobrar temas que se entrecruzam com o material levantado pelo espetáculo, formando mais uma edição do projeto intitulado [Vulcão Conversa]. A programação de abertura  conta com uma das críticas teatrais do Aplauso Brasil, Kyra Piscitelli.

Abertura

18.10 – A AUTORIA FEMININA : o que muda na narrativa?

convidada: Kyra Piscitelli, crítica teatral

25.10 – POR QUE A GUERRA HOJE?

convidada: Lélia Reis, psicanalista lacaniana

01.11 O TESTEMUNHO NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA: narrativa da dor pessoal como resistência a regimes totalitários e ditaduras

convidada:  Cassia Nunes de Oliveira, historiadora (a confirmar)

 

Encerramento

08.11 – LIMITES ENTRE VIDA E CENA: construção ficcional a partir de diários.

convidada: Janaína Leite, atriz diretora e pesquisadora

Sobre o VULCÃO [criação e pesquisa cênica]

Surgido da união de artistas autônomos com desejo comum de concretizar suas pesquisas artísticas e criações autorais, o VULCÃO [criação e pesquisa cênica] desenvolve projetos teatrais que investiguem a condição humana. É formado pela atriz e diretora Vanessa Bruno, a atriz e preparadora corporal Livia Vilela, as atrizes Elisa Volpatto e Rita Grillo e, também pelo ator e produtor Paulo Salvetti.

Entre os seus pilares está a aproximação de diferentes linguagens, unir dança ao teatro, literatura e vídeo e vê como motor catalizador – principal e determinante – o trabalho do intérprete. A residência artística ocorre na Casa das Caldeiras para desenvolvimento de seus novos projetos.

O trabalho envolvendo literatura e teatro resultou na concepção de três espetáculos solos. Além de A Dor (partir de La Douleur, de Marguerite Duras, idealizado pela atriz Rita Grillo), foram criados Pulso (obra de Sylvia Plath e idealizado pela atriz Elisa Volpatto) e, em processo de ensaio Águas Do Mundo (montagem a partir de contos de Clarice Lispector, idealizado pela atriz e diretora Vanessa Bruno). Cada solo explora para além do feminino as questões de todo e qualquer ser humano e mescla fragmentos biográficos das escritoras e elementos de suas obras.

SERVIÇO e FICHA TÉCNICA

A DORReestreia dia 18 de outubro, quarta-feira, às 21h, no Teatro Pequeno Ato.

Temporada: Quartas às 21h até 08 de novembro.

Proposição, Tradução e Interpretação: Rita Grillo. Direção: Vanessa Bruno. Preparação Corporal e Assistência de direção: Livia Vilela. Figurino e Cenário: Anne Cerutti. Trilha Sonora: Edson Secco. Iluminação: Aline Santini. Fotos: Maurício Pisani, Cézar Siqueira, Victor Iemini, Bob Souza. Produção Geral: Paulo Salvetti. Realização: Vulcão [criação e pesquisa cênica]. Apoio: Casa das Caldeiras e Pequeno Ato. Duração: 50 minutos. Classificação: 14 anos.

Teatro Pequeno Ato – Rua Doutor Teodoro Baima, 78 – Vila Buarque. Telefone: 11 99642-8350. Bilheteria aberta com uma hora de antecedência. Aceita cartões. Ar condicionado. Capacidade: 30 lugares. Preço: R$30,00.

Compras online:  http://bit.ly/2fghmKC

Completando a programação, o Vulcão também oferece o Workshop Os Caminhos Do Ator – Da Palavra À Ação/ Da Ação À Palavra ministrado por Rita Grillo.

Os Caminhos Do Ator – Da Palavra À Ação/ Da Ação À Palavra – Essa oficina pretende se debruçar sobre os diversos procedimentos dos atores na composição e elaboração de uma cena teatral. Análise de texto, composição de uma sequência de ações físicas, desenvolvimento de uma sequência de ações internas, jogo e percepção são alguns dos caminhos abordados pela oficina para construir uma cena teatral. Cada trabalho, cada cena, cada ator precisam de um caminho, uma abordagem. Nessa oficina o participante experimenta dois procedimentos diferentes para a construção da cena: da palavra à ação (partir do texto, sua análise, seu entendimento, para encontrar os impulsos justos para cada ação da personagem); da ação à palavra (partir de uma sequência de ações físicas elaborada a partir de provocações para nela inserir o texto, e desse encontro descobrir novas camadas de leitura para a cena).

Ministrado por Rita Grillo: atriz, diretora e professora de teatro e desenvolve pesquisa em teatro físico desde 2005, tendo estudado com Roberta Carreri e o Odin Teatret (Dinamarca) e no Grotowski’s Art Institut (Wroclaw – Polônia), além de participar regularmente de grupos de estudo e treinamento físico do ator. Membro do Vulcão [criação e pesquisa cênica] desenvolveu em 2016 o solo A Dor, a partir do romance de Marguerite Duras, com direção de Vanessa Bruno e preparação corporal de Lívia Vilela – técnica Klauss Vianna.

Local: Pequeno Ato (rua Teodoro Baima, 78)

Datas: de 30 de outubro a 02 de novembro de 2017

Horário: das 13h30 às 17h30

Valor: R$400,00

Público alvo: atores e estudantes de teatro (mínimo 8 / máximo 16)

Necessidades: é preciso que os participantes tragam desde o primeiro dia um texto (teatral ou literário) de cor, a cena pode ser um monólogo ou diálogo (neste caso os dois atores já devem ter decorado a cena); roupas adequadas ao trabalho físico.

Vagas limitadas – inscrições e informações pelo email: ritagrillo@gmail.com

Michel Fernandes

Michel Fernandes, graduado em Jornalismo e pós graduado em Direção Teatral., escreveu de 2000 a 2012 críticas de teatro e reportagens para o iG. Em 2002 criou o Aplauso Brasil - www.aplausobrasil.com.br -, site voltado à noticias, resenhas e críticas teatrais, até hoje no ar. Integrante da APCA desde 2004, Michel Fernandes já esteve nas comissões do Prêmio Miriam Muniz, ProAC, Programa de Fomento ao Teatro de São Paulo, emtre outros Em 2012 criou o Prêmio Aplauso Brasil de Teatro. Em 2014 realiza Residência do Aplauso Brasil na SP Escola de Teatro. Em 2015 é crítico convidado da MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo). Em 2016 é membro de comissão julgadora do Proac. Em 2017 faz parte do Conselho Consultivo do CCSP.

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